terça-feira, 8 de setembro de 2026
NEGOCIOS

Açaí movimenta R$ 1,1 bilhão no Brasil e cresce 20% em um ano

O Centro-Oeste lidera a presença do produto nos cardápios, com 17%

Otavio Augustopor em
Açaí movimenta R$ 1,1 bilhão no Brasil e cresce 20% em um ano

O açaí deixou de ser um produto associado apenas à Amazônia e passou a ocupar um espaço permanente no mercado brasileiro de alimentação. O avanço aparece tanto no consumo fora de casa quanto na produção e nas exportações. Nos 12 meses encerrados em junho de 2026, a categoria movimentou aproximadamente R$ 1,1 bilhão no foodservice brasileiro, alta de 20% em relação ao período anterior. Foram mais de 48,1 milhões de transações, crescimento de 9%.

O movimento mostra como um alimento tradicional conseguiu se adaptar a diferentes hábitos de consumo. No país, o produto aparece atualmente em 15% dos cardápios do foodservice, principalmente em formatos como bowls, acompanhados de frutas, granola e outros ingredientes. A expansão criou espaço para diferentes tipos de estabelecimentos e ampliou a cadeia econômica em torno do fruto.

Açaí já está em 15% dos cardápios brasileiros

A presença do produto é maior justamente nos negócios especializados. Sorveterias e açaíterias oferecem a fruta em 70% dos estabelecimentos. A categoria também aparece em 22% dos negócios de alimentação saudável, 12% das cafeterias, 11% das lanchonetes e 10% das pastelarias.

A distribuição regional também chama atenção. O Centro-Oeste lidera a penetração, com 17%, seguido por Sudeste, com 16%, Nordeste, com 15%, Sul, com 14%, e Norte, com 11%. O resultado não significa que o consumo tradicional seja menor na Amazônia, mas reflete a presença do formato comercializado no foodservice, especialmente bowls e preparações com complementos.

Açaí

O perfil do consumidor reforça a transformação do produto em negócio recorrente. As ocasiões de consumo são predominantemente noturnas, responsáveis por 53% da demanda, enquanto consumidores de 25 a 34 anos representam metade do mercado. As mulheres correspondem a 56%. O hábito é apontado como principal motivo de compra, com 56%, seguido pela conveniência, com 44%.

Produção chega a 1,9 milhão de toneladas

Enquanto o consumo se espalhou pelo país, a produção continua concentrada na Amazônia. Estudo da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) mostra que a produção brasileira saltou de 145,8 mil toneladas em 1987 para cerca de 1,9 milhão de toneladas em 2024, crescimento de aproximadamente 14 vezes em 38 anos.

O Pará responde por 89,5% da produção nacional, seguido por Amazonas, com 7,2%, e Amapá, com 1,3%. Dez municípios paraenses concentram cerca de 60% da produção brasileira, com destaque para Igarapé-Miri, Cametá e Anajás.

 

 

 

A cadeia também ganhou escala econômica. Em 2024, o valor da produção brasileira alcançou R$ 8,8 bilhões, dos quais R$ 8,25 bilhões vieram do Pará, equivalente a 93,8% do total nacional. O crescimento da produção também está relacionado à expansão do cultivo: atualmente, cerca de 87,6% do açaí produzido no país vem de lavouras permanentes, e não apenas do extrativismo.

Exportações transformam fruto em produto de maior valor

O crescimento não ocorre apenas dentro do Brasil. Dados do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional mostram que os derivados de açaí produzidos no Pará passaram de menos de uma tonelada exportada em 1999 para mais de 61 mil toneladas em 2023. No mesmo período, o valor das exportações paraenses de derivados chegou a quase US$ 45 milhões.

O mercado externo também começa a estimular produtos de maior valor agregado. Em vez de exportar somente a polpa, a cadeia avança para formatos como açaí em pó e liofilizado, utilizados pela indústria de alimentos e em outros segmentos.

Um levantamento do Foreign Agricultural Service, ligado ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, estima que a produção brasileira tenha chegado a 2 milhões de toneladas em 2026, contra 1,8 milhão em 2025. O consumo doméstico cresce cerca de 15% ao ano, enquanto as exportações de 2025 somaram 55.798 toneladas.

Mercado cresce, mas cadeia precisa agregar valor

A expansão do açaí cria oportunidades que vão além da abertura de novos pontos de venda. O avanço do consumo aumenta a demanda por beneficiamento, conservação, transporte, armazenamento, industrialização e desenvolvimento de produtos.

 

 

 

A concentração produtiva, entretanto, também mostra a importância de estruturar a cadeia na origem. O Pará responde por praticamente nove de cada dez toneladas produzidas no país e por mais de 90% do valor gerado pela atividade. Isso torna logística, infraestrutura, qualidade e estabilidade da oferta fatores decisivos para o crescimento.

 

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