quarta-feira, 21 de outubro de 2026
NEGÓCIOS

Alimentação fora do lar fatura mais, mas custos apertam lucro

Em julho, 46% dos estabelecimentos brasileiros registraram alta no faturamento, segundo a Abrasel

Otavio Augustopor em
Alimentação fora do lar fatura mais, mas custos apertam lucro

O setor de alimentação fora do lar vive um cenário de recuperação das vendas, mas ainda enfrenta dificuldade para transformar o aumento do movimento em lucro. Pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) mostra que 46% dos estabelecimentos brasileiros tiveram aumento no faturamento em julho, enquanto 25% ficaram estáveis e 28% registraram queda. No mesmo mês, 42% das empresas operaram com lucro, o melhor resultado desde dezembro de 2025.

O desempenho ocorre em um mercado de grande peso na economia. Segundo a Abrasel, o faturamento consolidado de bares e restaurantes chegou a R$ 495 bilhões em 2025, ante R$ 455 bilhões em 2024. Mesmo com a expansão, a atividade continua convivendo com custos elevados, dificuldade de reajustar preços e endividamento.

Férias e Copa aumentam movimento, mas margem continua apertada

O mês de julho trouxe fatores sazonais favoráveis para os estabelecimentos. As férias escolares aumentaram a circulação de consumidores, enquanto os jogos da Copa do Mundo estimularam encontros e consumo em bares e restaurantes.

 

 

 

No Rio Grande do Norte, levantamento estadual da Abrasel apresentou um quadro ainda mais contrastante: 52% dos estabelecimentos registraram aumento no faturamento em julho, 24% mantiveram estabilidade e 23% tiveram queda. Apesar disso, apenas 32% afirmaram ter operado com lucro, enquanto 45% ficaram estáveis e 22% trabalharam no prejuízo.

A diferença entre faturamento e lucro ajuda a explicar o momento vivido pelo segmento. Vender mais não significa necessariamente ganhar mais quando os custos avançam na mesma proporção ou até acima da receita.

Alimentação

Em âmbito nacional, o Índice Abrasel-Stone também apontou crescimento de 5,6% nas vendas entre junho e julho, reforçando a percepção de que o movimento dos consumidores aumentou no período.

Alimentos, energia e mão de obra pressionam os negócios

O problema está na composição das despesas. Alimentos e bebidas, energia elétrica, gás, aluguel, salários, impostos e taxas cobradas por cartões e aplicativos pesam diretamente sobre o resultado dos estabelecimentos.

A inflação também limita a capacidade de repasse. No levantamento realizado no Rio Grande do Norte, 39% das empresas disseram não ter conseguido reajustar os preços nos 12 meses anteriores. Entre as que aumentaram os valores, 56% fizeram reajustes iguais ou inferiores à inflação, enquanto somente 5% elevaram os preços acima dela.

 

 

 

Os dados mostram um dilema para o empresário: aumentar o preço pode proteger a margem, mas também pode afastar consumidores mais sensíveis ao orçamento.

O comportamento dos preços confirma parte dessa pressão. O IBGE registrou alta de 0,87% na alimentação fora do domicílio em julho, com o subitem lanche avançando 1,90% e refeições, 0,44%.

Endividamento ainda atinge quase metade das empresas

A situação financeira revela que a recuperação das vendas ainda não resolveu problemas acumulados. No Rio Grande do Norte, 48% dos estabelecimentos consultados afirmaram ter pagamentos em atraso. Entre as empresas endividadas, os impostos federais foram citados por 80% e os estaduais por 44%.

O problema também aparece em levantamentos nacionais. Em 2025, a Abrasel apontava que 89% dos negócios do setor tinham faturamento de até R$ 360 mil por ano, grupo formado principalmente por micro e pequenas empresas, que apresentava maiores dificuldades com dívidas, baixa lucratividade e acesso ao crédito.

bar-restaurante

No início de 2026, o cenário chegou a se deteriorar: em janeiro, 23% das empresas operaram no prejuízo, contra 16% em dezembro de 2025. O percentual de negócios com lucro caiu de 47% para 41%.

A evolução registrada em julho, portanto, representa uma melhora importante, mas ainda não significa que o setor tenha superado suas dificuldades financeiras.

Desafio agora é transformar venda em resultado

A recuperação da demanda coloca uma nova questão para bares e restaurantes: como sustentar o faturamento sem comprometer a margem. O caminho passa por controle de estoque, redução de desperdícios, produtividade, negociação com fornecedores e acompanhamento permanente dos custos.

A gestão financeira ganha ainda mais importância entre pequenos negócios. Segundo levantamento citado pela Abrasel, 61% dos donos de pequenos negócios misturam despesas pessoais e empresariais, prática que dificulta o controle do caixa e pode comprometer decisões financeiras.

 

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