MDB Goiás aproveita racha entre Márcio Corrêa e Wilder e abre as portas para prefeito
Presidente estadual da legenda afirma que prefeito de Anápolis seria “muito bem-vindo” caso decidisse deixar o PL
A crise entre Márcio Corrêa e Wilder Morais começa a produzir efeitos para além das redes sociais e dos discursos de campanha. Enquanto os dois políticos do PL trocam acusações publicamente, o MDB de Goiás passou a sinalizar que há espaço para uma reaproximação com o prefeito de Anápolis, que construiu parte de sua trajetória política na legenda.
O aceno partiu do presidente estadual do MDB, Haroldo Naves. Questionado sobre a possibilidade de Corrêa retornar ao partido, ele afirmou que o prefeito seria “muito bem-vindo” e lembrou que o político “tem história no MDB”.
A manifestação ocorre justamente quando a relação entre Corrêa e Wilder se deteriora. O senador tem criticado a decisão do prefeito de apoiar Daniel Vilela (MDB), enquanto Corrêa passou a responder publicamente aos ataques e questionar a postura do parlamentar dentro do PL.
Em uma sabatina realizada pelo Mais Goiás, Wilder se referiu ao prefeito como “sabor direita”, em uma provocação relacionada ao posicionamento político de Corrêa. A resposta veio posteriormente, em vídeo publicado pelo prefeito nas redes sociais.
Corrêa elevou o tom e associou o senador ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e ao advogado-geral da União, Jorge Messias. “O senhor tem sabor Moraes, sabor Messias, sabor rabo preso e sabor derrota”, afirmou.
A menção a Moraes recupera um episódio ocorrido em 2017, quando Wilder organizou, em seu iate no Lago Paranoá, um encontro com o então indicado ao STF pelo presidente Michel Temer. O evento contou com a presença de diversos senadores interessados em ouvir o futuro ministro.
Corrêa também trouxe para o embate a votação sobre a indicação de Jorge Messias ao Supremo. O prefeito questionou a ausência de Wilder naquela sessão e, ao mesmo tempo, acusou o senador de utilizar a estrutura partidária para atacá-lo. “Nem candidato eu sou, mas o senhor está gastando dinheiro de fundo partidário para impulsionar ataques contra mim”, disse.
A disputa ganhou um componente ainda mais simbólico no domingo (6), em Anápolis. Corrêa participou da abertura de um comitê político ao lado de Gustavo Gayer e Major Vitor Hugo, ambos do PL. O espaço reúne materiais de campanha de candidatos ao Senado, à Câmara dos Deputados e também do presidenciável Flávio Bolsonaro.
Durante a inauguração, os aliados destacaram que aquele seria o único comitê em Goiás voltado à campanha de Flávio Bolsonaro. Wilder não participou do evento e, conforme o material apresentado, também ficou fora da distribuição de material no local.
A aproximação entre Márcio e o MDB ganha peso porque o prefeito deixou a legenda somente em abril de 2024, quando ingressou no PL. Antes disso, sua trajetória política esteve ligada ao grupo de Daniel Vilela e ao próprio MDB.
A possibilidade de retorno, portanto, surge em um momento de forte divisão dentro do PL goiano. De um lado, Wilder tenta consolidar seu espaço na disputa eleitoral; de outro, Márcio mantém sua aproximação política com o grupo de Daniel Vilela e recebe agora um sinal público de que poderia encontrar novamente abrigo no partido pelo qual iniciou sua trajetória.
Mais do que uma troca de provocações entre dois integrantes da mesma legenda, o episódio passou a abrir uma discussão sobre até onde pode chegar o rompimento político entre Márcio Corrêa e Wilder Morais e quais grupos podem se beneficiar dessa divisão.
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