O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vai analisar o caso envolvendo a advogada Karina Nunes Marques, irmã do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques, e uma ação avaliada em R$ 960 milhões movida em nome do empresário Walter Faria, dono da cervejaria Itaipava. O Ministério Público Federal (MPF) acusa o juiz federal Itagiba Catta Preta Neto de ter beneficiado o empresário após uma suposta manipulação na distribuição do processo.
Segundo a Corte Especial Administrativa do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), houve direcionamento para que a ação fosse encaminhada à vara comandada por Catta Preta. Mesmo após ser informado sobre a suspeita, o magistrado manteve o processo sob sua responsabilidade e proferiu decisão favorável ao empresário. O MPF recorreu ao CNJ, em novembro de 2025, pedindo a revisão do caso e a abertura de processo administrativo disciplinar.
Entenda
O episódio ganhou repercussão também porque, após a decisão favorável ao cliente da irmã, Kassio Nunes Marques apoiou Catta Preta para uma vaga de desembargador do próprio TRF-1. Para o MPF, o caso envolve possível prática de fórum shopping, quando há tentativa de direcionar uma ação para determinado juiz. O tribunal reconheceu a suposta manipulação na distribuição, mas decidiu não abrir processo disciplinar contra o magistrado.
Agora, o processo está pronto para ser levado ao plenário do CNJ, e a definição da data depende do presidente do Conselho, ministro Edson Fachin. O caso havia chegado ao CNJ em novembro de 2025 e permaneceu meses sem avanço. Em julho, relatos apontaram que a conselheira Jaceguara Dantas teria sofrido pressão para segurar o processo, mas a magistrada negou a acusação e afirmou que o caso seguia o trâmite regular.