Mercado de espumantes cresce com festas e novas formas de consumo
Último trimestre concentra cerca de 60% das vendas da categoria, que também avança com versões sem álcool
A aproximação das festas de Natal e Ano-Novo movimenta uma das principais temporadas de vendas de espumantes no Brasil. A demanda costuma acelerar em outubro e ganha intensidade nas semanas que antecedem dezembro, quando supermercados, distribuidores, bares e restaurantes reforçam os estoques. A bebida também passou a aparecer em confraternizações corporativas, encontros entre amigos e refeições.
O cenário acompanha o desempenho mais amplo do mercado brasileiro de vinhos e espumantes. Em 2025, o setor movimentou cerca de R$ 21,1 bilhões, alta próxima de 10% sobre o ano anterior. No primeiro semestre de 2026, foram movimentados aproximadamente R$ 9,8 bilhões, avanço de 9% na comparação anual.
Último trimestre concentra grande parte das vendas
A sazonalidade continua sendo um dos principais fatores para o desempenho dos espumantes. Levantamento da Euromonitor apontou que o último trimestre concentra cerca de 60% das vendas anuais da categoria. A concentração transforma os últimos meses do ano em período estratégico para produtores, distribuidores e varejistas.
A preparação começa antes de dezembro, com antecipação de compras e reforço da logística para atender ao aumento da procura. O calendário de festas influencia a escolha, mas o produto também ganhou espaço em casamentos, aniversários, confraternizações e restaurantes.

O mercado registra ainda aumento do tíquete médio. Em 2025, o faturamento de vinhos e espumantes cresceu mais do que o volume comercializado, indicando maior gasto por compra e procura por produtos de maior valor agregado.
Espumante deixa de ser apenas bebida para brindar
A mudança de comportamento também alterou as ocasiões de consumo. O espumante passou a ser incorporado à gastronomia e aparece em diferentes momentos do dia. A venda por taça, por exemplo, permite experimentar a bebida sem a necessidade de comprar uma garrafa inteira e amplia sua presença em bares e restaurantes.
A categoria também se diversificou, com produtos de diferentes níveis de doçura, métodos de produção e perfis de sabor. Ao mesmo tempo, opções de entrada continuam atendendo consumidores que buscam preços mais acessíveis, enquanto produtos de maior valor agregado disputam espaço entre consumidores dispostos a gastar mais.
Versões sem álcool ampliam público
Entre os movimentos mais relevantes está o avanço dos espumantes sem álcool. A categoria ainda representa uma parcela pequena do mercado, mas vem atraindo consumidores que não querem ou não podem ingerir bebidas alcoólicas.
Segundo dados da Euromonitor divulgados em 2025, os espumantes deveriam crescer 6,2% naquele ano, alcançando cerca de 29 milhões de litros vendidos no varejo. As versões sem álcool respondiam por aproximadamente 5% das vendas e eram apontadas como um dos vetores de expansão.
O movimento acompanha uma transformação mais ampla no mercado de bebidas. Dados da IWSR indicam que as vendas de bebidas sem álcool no Brasil devem crescer 10% entre 2024 e 2028. Motoristas, pessoas que reduziram o consumo de álcool e consumidores que procuram alternativas para eventos passam a integrar esse mercado.

Setor entra no fim do ano de olho em novas ocasiões
No primeiro semestre de 2026, o mercado brasileiro de vinhos comercializou 23,27 milhões de caixas de nove litros, alta de 2% sobre o mesmo período de 2025. O faturamento chegou a R$ 9,8 bilhões. No caso dos espumantes, o mercado brasileiro já supera 40 milhões de litros comercializados, considerando diferentes canais de venda.
Com a chegada do último trimestre, a expectativa é de aumento da circulação da bebida no varejo e nos serviços de alimentação. O período de Natal e Réveillon continua sendo o principal momento de demanda, mas o setor busca transformar o consumo sazonal em hábito ao longo do ano.
Preço, variedade, versões sem álcool e associação com a gastronomia passam a pesar nas decisões de compra. Assim, o mercado mantém a tradição do brinde de fim de ano, mas amplia as ocasiões de consumo para reduzir a dependência da temporada de festas.
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