segunda-feira, 12 de outubro de 2026
Legislativo Goianiense

Base vence com eleição de Thialu, que defende independência da Câmara de Goiânia

Eleito presidente da Câmara de Goiânia para o próximo biênio, vereador do Avante contou com apoio de Mabel e enfatizou que é “defensor dos vereadores”

Thiago Borgespor em
Base vence com eleição de Thialu, que defende independência da Câmara de Goiânia
Thialu Guiotti (Avante) foi eleito por unanimidade no último sábado (10) para presidir a Câmara no biênio 2027-2028 | Foto: Luma Silveira/O HOJE

A eleição de Thialu Guiotti (Avante) para a presidência da Câmara Municipal de Goiânia representa uma vitória política para o prefeito Sandro Mabel (União Brasil), que atuou em favor do vereador durante as articulações para a escolha da nova Mesa Diretora. Ao mesmo tempo, as primeiras declarações do presidente eleito indicam que a proximidade com o chefe do Executivo não deve significar submissão do Legislativo aos interesses da prefeitura.

A composição definida para o biênio 2027-2028 significa um avanço do grupo ligado ao Paço na correlação de forças da Casa. Thialu foi eleito por unanimidade no último sábado (10), com os 37 votos registrados na sessão extraordinária. A votação ocorreu após a desistência de Ronilson Reis (Solidariedade), que também disputava o comando do Legislativo e abriu caminho para a formação de uma chapa única.

O acordo encerrou uma disputa que mobilizou diferentes grupos de vereadores e teve a participação direta de Mabel nas articulações em torno do nome do aliado. A nova Mesa assume em 1º de janeiro de 2027, quando Thialu sucederá Romário Policarpo (Cidadania), que esteve à frente da Câmara por oito anos e foi eleito deputado estadual.

O resultado consolida a capacidade de articulação do prefeito dentro do Legislativo. A eleição de um aliado para o principal posto da Mesa Diretora amplia o espaço político do Paço na condução da Câmara e cria condições mais favoráveis para a interlocução entre os dois poderes.

Mabel colecionou momentos de tensão nos dois primeiros anos de mandato. Até a troca do líder do prefeito, de Igor Franco (Podemos), que virou oposição, por Wellington Bessa (Mobiliza), que agora deixará o cargo para Pedro Azulão Jr. (MDB), pois foi eleito deputado estadual, o prefeito teve derrotas como a criação da Comissão Especial de Inquérito (CEI) que investigou o contrato da prefeitura com a Limpa Gyn. O chefe do Executivo também viu os parlamentares pressionarem pela redução do remanejamento orçamentário na Lei Orçamentária Anual (LOA).

Houve também um embate público de Policarpo com o Paço pelo valor das emendas impositivas no último ano. Apesar de aliado de Mabel, o presidente da Câmara voltou a entrar em rota de colisão com Mabel neste ano no que tange ao projeto de reforma no Instituto de Previdência dos Servidores de Goiânia (GoiâniaPrev). Romário chegou a afirmar que o Paço é “seletivo” ao cumprir determinações do Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO).

“Sou um defensor dos vereadores”

Entretanto, a vitória não significa que Mabel terá à disposição uma Câmara subordinada à prefeitura, segundo Guiotti. Em sua primeira entrevista coletiva após a eleição, Thialu ressaltou: “Eu sou presidente do Poder Legislativo, eu não sou aqui um defensor da prefeitura, eu sou defensor dos vereadores que estão aqui para legislar e fiscalizar”.

Thialu disse que quer garantir voz e autonomia aos vereadores e defendeu que o apoio ao Executivo seja resultado da avaliação da gestão, e não da relação política com o presidente da Câmara. “É muito mais o prefeito conquistar uma base sólida do que simplesmente ter um presidente que vai fazer ponte”, declarou.

O vereador do Avante também defendeu o fortalecimento da estrutura dos gabinetes, sob o argumento de que os parlamentares precisam ter condições de exercer seus mandatos com independência. De acordo com o presidente eleito, a autonomia não deve depender de alinhamento com o Executivo ou de interesses relacionados à distribuição de cargos. O vereador afirmou que pretende avaliar a estrutura administrativa da Câmara e a situação dos aprovados no concurso público da Casa, considerando as condições orçamentárias.

Além da Mesa Diretora, haverá uma nova composição na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ). Willian Veloso (PL) assumirá a presidência do colegiado, em substituição ao oposicionista Luan Alves (MDB). Apesar de Veloso ser independente, a mudança pode facilitar a interlocução do Paço com a principal comissão da Casa.

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Câmara de Goiânia eleição mesa diretora Romário Policarpo Sandro Mabel Thialu Guiotti

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