Mercado de brinquedos cresce entre adultos e deve dobrar faturamento
Brinquedos voltados a adolescentes e adultos registraram alta de 50% no faturamento em agosto, segundo a Circana Brasil
O mercado de brinquedos no Brasil passa por uma mudança no perfil dos consumidores. Além das crianças, adolescentes e adultos ampliam a procura por bonecos colecionáveis, jogos de tabuleiro, cartas, blocos de montar e produtos ligados à cultura pop. O movimento abre novas oportunidades para o comércio e ganha força em 2026, enquanto o Dia das Crianças mantém a relevância no calendário de vendas do varejo.
Dados da Circana Brasil mostram que o faturamento dos brinquedos voltados a adolescentes e adultos cresceu 50% em agosto de 2026. Entre 2025 e 2026, o faturamento desse segmento deve dobrar, enquanto os produtos destinados exclusivamente ao público infantil têm previsão de crescimento de 17% no mesmo período. Os números indicam que a indústria tem encontrado novos públicos para produtos tradicionalmente associados à infância.
Brinquedos para adultos ganham espaço no mercado
O crescimento do público adulto não é exclusivo do Brasil. Uma pesquisa realizada pela Circana nos Estados Unidos em 2024 apontou que consumidores com 18 anos ou mais gastaram US$ 1,5 bilhão em brinquedos entre janeiro e abril daquele ano. O valor superou os gastos do público de três a cinco anos, tradicionalmente importante para a indústria. Entre as categorias de interesse estavam bonecos colecionáveis, jogos de tabuleiro e cartas.
No Brasil, o avanço desse segmento pode estimular estratégias comerciais voltadas à diversificação do público. Em vez de concentrar a oferta apenas em brinquedos infantis, o varejo pode ampliar o espaço destinado a colecionáveis, produtos de construção, jogos e artigos ligados a interesses específicos.

Dia das Crianças está movimentando bilhões no varejo
A expansão do mercado ocorre em um período importante para o comércio. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que as vendas relacionadas ao Dia das Crianças movimentem R$ 9,27 bilhões em 2026, alta de 1,8% em relação aos R$ 9,11 bilhões registrados em 2025. Se confirmada, a projeção será a maior para a data desde 2014.
O segmento de artigos de uso pessoal e doméstico, que concentra a venda de brinquedos, deve responder por 39% desse montante, com R$ 3,62 bilhões. Hipermercados e supermercados aparecem na sequência, com previsão de R$ 2,63 bilhões, enquanto vestuário e acessórios devem movimentar R$ 1,35 bilhão. O Dia das Crianças é a quarta data sazonal mais relevante para o varejo brasileiro, atrás do Natal, Dia das Mães e Black Friday.
Outra estimativa, da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), aponta R$ 20,2 bilhões em compras para o período, crescimento de 7,5% em relação a 2025. Segundo o levantamento, cerca de 70% dos brasileiros pretendem comprar presentes. As projeções usam metodologias diferentes: a CNC estima as vendas do varejo associadas à data, enquanto a Abecs considera a movimentação de compras analisada pela entidade.
Preços e orçamento influenciam as decisões de compra
Apesar da expectativa de crescimento, o custo dos produtos continua sendo um fator importante para o consumidor. Segundo a CNC, a cesta de bens e serviços relacionados à data ficou 6,7% mais cara em relação a 2025. Os maiores aumentos foram registrados em chocolates, com alta de 19,3%; videogames, com 11,2%; e brinquedos, com 7,1%. O encarecimento dos produtos, somado ao custo do crédito e ao endividamento das famílias, limita uma expansão mais acelerada das vendas.

Em Goiânia, uma pesquisa do Procon Goiás reforça a importância da comparação de preços. O levantamento, realizado entre 17 e 28 de setembro de 2026, avaliou 82 itens em 25 estabelecimentos e encontrou diferenças de até 400,17% no preço de um mesmo brinquedo, vendido por valores entre R$ 29,99 e R$ 150. Outro item apresentou variação próxima de 367%, enquanto um jogo de tabuleiro teve diferença de 231,15% entre os estabelecimentos pesquisados.
Varejo busca diversificar produtos e públicos
Para o varejo, a combinação entre novos públicos, colecionáveis e demanda sazonal cria oportunidades de diversificação. O interesse de adultos e adolescentes permite explorar categorias que vão além dos brinquedos tradicionais, enquanto o calendário de datas comemorativas concentra a procura por presentes.
O desafio é ajustar estoques, preços e estratégias de venda sem perder de vista o poder de compra das famílias. Em 2026, o mercado de brinquedos deixa cada vez mais evidente que brincar e colecionar não são atividades restritas à infância, mas hábitos que também movimentam o consumo de adolescentes e adultos.
Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.