Celina Leão amplia ofensiva para vencer Leandro Grass no Distrito Federal
Equação eleitoral de Celina passa por manter os votos conquistados no 1º turno, avançar sobre os votos dos derrotados e transformar a eleição em escolha entre direita e esquerda
Bruno Costa
A primeira semana do segundo turno no Distrito Federal, encerrada no último domingo (11), mostrou que Celina Leão (PP) não pretende apenas vencer Leandro Grass (PT), mas conquistar uma vitória expressiva e, se possível, chegar ao dobro de votos do adversário. Mais do que garantir a reeleição, a governadora trabalha para sair das urnas com uma votação que amplie sua liderança política para além das fronteiras do Distrito Federal.
Celina terminou o primeiro turno com 825.530 votos, ou 49,93% dos válidos, enquanto Grass recebeu 569.930, equivalentes a 34,47%. Foram 255,6 mil votos de diferença, uma vantagem que a campanha governista não apenas pretende preservar, mas ampliar, por isso a base governista montou uma operação baseada em três frentes.
Faltaram apenas 168 votos para que Celina alcançasse a reeleição já no primeiro turno, mas cerca de 26 mil eleitores do Distrito Federal digitaram 22, número do PL, ao escolher o candidato ao governo. A avaliação da campanha é que parte desses votos pode ter ocorrido por uma associação entre Celina e as candidatas do PL que estavam na mesma chapa, Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL), eleitas ao Senado pelo DF.
Por isso, embora faça questão de reforçar que é filiada ao Progressistas e que seu número é o 11, Celina não vai deixar de associar sua imagem ao presidenciável Flávio Bolsonaro (PL). O movimento, na verdade, tende a ser ampliado. O candidato do PL recebeu 909.616 votos para presidente no Distrito Federal no primeiro turno, mais de 84 mil votos acima da votação de Celina para governadora. A diferença abre uma margem importante para a pepista trabalhar na transferência de votos entre os dois no segundo turno.
Intensificar a polarização com o PT
A segunda frente é intensificar a polarização com o PT, ao apresentar a eleição como uma escolha entre a continuidade de seu governo e a volta da esquerda ao comando do Distrito Federal. O PT já administrou a capital federal com Cristovam Buarque e Agnelo Queiroz, e a campanha de Celina pretende explorar esse histórico na tentativa de reforçar a divisão política do eleitorado.
A terceira frente está na ampliação do arco de apoios. Celina já chegou ao primeiro turno com uma coligação de 11 partidos e, na segunda etapa, passou a procurar os grupos que disputaram a eleição fora de sua aliança. Um dos primeiros resultados foi o apoio de Kiko Caputo (Novo), quarto colocado no primeiro turno, com 72.148 votos.
Já Paula Belmonte (PSDB), terceira colocada, decidiu manter a neutralidade, mas liberou seus eleitores para escolher individualmente entre os dois candidatos. A campanha governista trabalha com a avaliação de que o perfil majoritariamente antipetista do eleitorado de Belmonte pode favorecer a governadora neste segundo turno. Se essa transferência ocorrer em proporção significativa, esse grupo de votos pode contribuir para aproximar Celina da meta de terminar a eleição com o dobro da votação de Grass.
Avançar no eleitorado de outros candidatos
A equação eleitoral de Celina, portanto, passa por manter os votos conquistados no primeiro turno, avançar sobre os votos dos candidatos derrotados e transformar a eleição com Grass em uma escolha entre direita e esquerda. (Especial para O HOJE)
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