segunda-feira, 2 de novembro de 2026
Negociação

Disputa pela articulação expõe limites da aproximação de Lula com Centrão

Presidente busca ampliar a base no Congresso, mas resistência em entregar áreas estratégicas do governo e cobrança por fidelidade podem dificultar a negociação com partidos de centro

Thiago Borgespor em
Disputa pela articulação expõe limites da aproximação de Lula com Centrão
Resistência em abrir mão de ministérios centrais e a exigência de compromisso nas votações são empecilhos nas negociações | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A tentativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de ampliar a participação do Centrão no quarto mandato esbarra em uma disputa pelo controle de áreas estratégicas da Esplanada dos Ministérios. Embora a aproximação com partidos de centro seja considerada importante para enfrentar o avanço da oposição no Congresso Nacional, a distribuição de cargos pode não representar uma adesão automática ao governo. 

A resistência do petista em abrir mão de ministérios centrais para a condução política da gestão, somada à exigência de compromisso nas votações, são empecilhos nas negociações que começam a ser desenhadas para 2027. Um dos principais pontos de tensão está na Secretaria de Relações Institucionais (SRI), ministério responsável pela articulação do Executivo com deputados e senadores. 

A pasta é cobiçada pelo Republicanos, que tem como um dos nomes defendidos para o comando o deputado federal reeleito Silvio Costa Filho (PE), ex-ministro de Portos e Aeroportos. A possibilidade enfrenta resistência entre auxiliares de Lula, que avaliam que entregar a secretaria ao partido significaria ampliar a influência do Centrão e do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sobre uma das estruturas mais sensíveis do Planalto.

A preocupação envolve especialmente o peso da SRI na relação com o Legislativo e na organização da liberação de emendas parlamentares. A secretaria ocupa uma posição estratégica na interlocução com as bancadas e na construção de acordos para a aprovação de projetos. 

Segundo informações do portal Metrópoles, a tendência entre integrantes do governo é que Lula mantenha o comando da articulação política nas mãos de uma liderança do PT, como ocorreu durante todo o terceiro mandato, quando a pasta foi ocupada por Alexandre Padilha, Gleisi Hoffmann e José Guimarães, atual chefe da pasta.

Governabilidade

A composição ministerial deve contemplar partidos que podem contribuir para a governabilidade, mas o núcleo mais próximo de Lula pretende preservar o controle de áreas consideradas fundamentais para a execução do projeto político petista. Fazenda e Casa Civil estão entre as estruturas que o PT deve procurar manter sob sua influência, mesmo diante da possibilidade de perder espaço no conjunto da Esplanada.

O movimento também está relacionado à tentativa do chefe do Executivo de corrigir problemas no atual governo. Partidos como PSD, MDB e União Brasil ocuparam ministérios e nem sempre conseguiram entregar apoio integral às propostas do Executivo no Congresso. A derrota do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, no Senado, após ser escolhido por Lula para a cadeira vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), foi uma das evidências do não comprometimento integral do Centrão no governo Lula 3. À época, a derrota do petista desencadeou uma tensão na relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). 

A nova orientação foi explicitada pelo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, na última terça-feira (27/10). Ao defender a participação do Centrão no próximo governo, o ministro condicionou a presença das siglas na Esplanada a um compromisso efetivo com a agenda governista. “Não é meia participação, não é meia governabilidade, tem que ser governabilidade integral e total”, afirmou o chefe da SRI em entrevista coletiva, após reunião com a bancada do PT na Câmara dos Deputados. O presidente quer evitar a repetição do modelo no novo mandato.

Avanço do PL

O governo também acredita que uma composição pode ser facilitada em razão do desejo do Centrão de estancar o avanço do PL. A legenda, que elegeu 121 deputados e terá 28 senadores, cresceu em detrimento dos partidos de centro. Ao mesmo tempo, uma oposição numerosa aumenta o poder de barganha do Centrão, já que um Congresso mais à direita facilita impor derrotas ao governo.

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Tags:
Centrão Davi Alcolumbre Governabilidade Hugo Motta Lula MDB Ministérios psd

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