Volta de Aava altera composição da Mesa da Câmara de Goiânia e expõe disputa por protagonismo
Retorno da vereadora após liminar do CNJ provocou a substituição de Rose Cruvinel (UB) na Mesa; parlamentar trava briga por seu mandato com PSDB
A volta de Aava Santiago (PSB) à Câmara Municipal de Goiânia alterou a composição da Mesa Diretora para o biênio 2027-2028. A vereadora reassumiu o mandato na manhã de sábado (10), após o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) suspender os efeitos da decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) que havia determinado a perda de seu mandato. Com o retorno, Aava passou a ocupar o cargo de segunda vice-presidente corregedora, ao substituir Rose Cruvinel (União Brasil).
A mudança ocorreu no mesmo dia da eleição da nova Mesa Diretora e provocou reação de Rose, que afirmou ter sido comunicada pouco antes da votação sobre a troca. Apesar das críticas à condução do processo, a parlamentar declarou apoio à chapa encabeçada por Thialu Guiotti (Avante) e afirmou que votaria a favor em respeito a Aava.
O presidente eleito da Câmara justificou a inclusão de Aava na chapa em razão da parlamentar já ocupar um cargo na Mesa na atual legislatura. “Nós tivemos a decisão da vereadora Aava retornando à Câmara ontem [sexta-feira (9)], às 22 horas, tomando posse hoje [sábado], às 8. As mudanças causam uma mexida no tabuleiro, inclusive para honrar as mulheres”, declarou. Thialu afirmou considerar injusto impedir que Aava permanecesse na Mesa.
Crítica a posse
Durante seu voto no sábado, Aava criticou a rapidez com que seu suplente, Michel Magul (PSDB), havia sido empossado após a decisão do TRE-GO. A vereadora também atribuiu sua saída a interesses contrários à sua atuação parlamentar.
“Talvez pelos avanços conseguidos pela cidade de Goiânia, nas minhas atribuições de vereadora, tenha ocorrido um consórcio de interesses obtusos para interromper esse mandato. Ontem, para a minha surpresa, meu suplente foi empossado nesta Casa em tempo recorde. Nunca houve tanta pressa de cumprir parcialmente uma decisão judicial”, afirmou.
Questionado sobre o retorno de Aava, Thialu defendeu o respeito à votação recebida pela parlamentar, apesar das diferenças ideológicas entre os dois. “Positivo [o retorno de Aava]. Nós temos que respeitar a votação da vereadora Aava, os votos dela falam por si. Eu posso até divergir dela ideologicamente, mas tem que respeitar a votação. Não só agora, como candidata a deputada federal, mas como vereadora da cidade de Goiânia”, afirmou.
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) criticou a liminar e questionou a competência do Conselho para suspender os efeitos de uma decisão colegiada da Justiça Eleitoral. A manifestação levantou dúvidas sobre os limites constitucionais da atuação do CNJ no caso.
A decisão permitiu o retorno de Aava, mas não encerrou definitivamente a controvérsia jurídica, já que a liminar tem caráter provisório. Questionado pela reportagem do O HOJE se tentará reverter o caso, Magul não retornou até o fechamento desta edição. O caso só findará com a resolução no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Aava já levou o caso para a instância eleitoral final para tentar reverter sua cassação.
Briga por protagonismo
A disputa pela cadeira no Legislativo goianiense envolve também uma corrida por protagonismo. O PSDB viu seu processo de encolhimento no Estado alavancar nas eleições deste ano. Em Goiás, o partido não elegeu nenhum deputado federal, não ampliou sua bancada na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) e o ex-governador Marconi Perillo ficou só em quarto na disputa pelo Governo do Estado.
Se a legenda vencer a disputa pela vaga na Câmara Municipal, manterá as duas cadeiras angariadas em 2024. Caso contrário, terá apenas o vereador Tião Peixoto como representante na Casa. Já Aava trabalha para manter seu mandato após não conseguir ser eleita deputada federal. Apesar de ter recebido mais de 123 mil votos e ser a sétima mais votada entre todos os candidatos, a vereadora não conseguiu uma cadeira na Câmara dos Deputados.
A chapa do PSB pouco ajudou Aava. Apesar da alta votação da vereadora, com 123.311 votos, o restante dos candidatos, somados, fez pouco mais de 36 mil votos, o que não foi suficiente para atingir o quociente eleitoral. O segundo colocado do PSB na eleição para deputado federal, Tales de Castro, recebeu apenas 4.564 votos.
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