Goiás lidera produção de sorgo no Brasil e mercado mira expansão até 2031
Produção brasileira pode alcançar 10 milhões de toneladas até 2031, segundo projeção do Rabobank
A expansão do cultivo de sorgo no Brasil abre novas oportunidades para o agronegócio, impulsionada pelo avanço das exportações para a China, pela demanda por alimentação animal e pela busca de alternativas ao milho na segunda safra. Em Goiás, principal produtor nacional do cereal, o movimento ganha importância econômica e pode ampliar a participação do estado no comércio internacional de grãos.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a produção brasileira de sorgo alcance 7,35 milhões de toneladas na safra 2025/2026, crescimento de 20,4% em relação ao ciclo anterior. A área plantada chegou a 2,17 milhões de hectares, alta de 32,9%. O avanço ocorre em um momento de abertura de novos mercados e de mudanças nas relações comerciais entre grandes produtores agrícolas.
Goiás concentra a produção e amplia o potencial do cereal
Goiás ocupa a primeira posição no ranking nacional de produção de sorgo. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o estado liderou a produção em 2025, ano em que o Brasil colheu 5,4 milhões de toneladas do grão. O cereal tem espaço na agricultura goiana por sua capacidade de se adaptar a condições de menor disponibilidade de água e a diferentes tipos de solo.
A cultura também funciona como alternativa para a segunda safra, conhecida como safrinha. Em Goiás, o plantio costuma se concentrar entre fevereiro e março, depois da colheita da soja, enquanto a colheita do sorgo ocorre principalmente entre junho e agosto. Essa estratégia permite aproveitar áreas agrícolas já utilizadas na primeira safra e diversificar a produção ao longo do ano.

A tolerância relativa à seca é um dos fatores que favorecem o cultivo. Em regiões onde as chuvas diminuem no fim do período de plantio, o sorgo pode representar uma opção para produtores que buscam reduzir os riscos climáticos. O desempenho, porém, depende das condições de cada lavoura, da produtividade obtida e dos preços disponíveis no mercado.
China abre espaço para o sorgo brasileiro
A entrada do cereal brasileiro no mercado chinês representa uma mudança importante para o setor. Entre janeiro e setembro de 2026, o Brasil exportou 790,8 mil toneladas de sorgo, ante apenas 105 toneladas no mesmo período de 2025. Desse total, 755,6 mil toneladas tiveram a China como destino, o equivalente a 95,5% dos embarques brasileiros, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) projetou embarques de aproximadamente 1,44 milhão de toneladas para outubro. A estimativa indica que as vendas externas podem ganhar escala em um intervalo curto, embora as programações de embarque ainda possam sofrer alterações.
Na China, o sorgo é utilizado principalmente na alimentação de suínos e na fabricação da bebida tradicional baijiu. O grão também interessa a compradores que procuram diversificar os fornecedores e reduzir a dependência de um único país. Para o Brasil, a abertura comercial cria uma alternativa de escoamento da produção e amplia as possibilidades de negociação para os agricultores.
O movimento também ocorre em um cenário de instabilidade nas relações comerciais entre China e Estados Unidos. Os produtores norte-americanos enfrentam oscilações na demanda chinesa, enquanto o Brasil aumenta a oferta e amplia sua presença no mercado internacional. Ainda assim, a consolidação dessa rota dependerá da continuidade das compras, dos preços e das condições comerciais entre os países.

Alimentação animal e etanol impulsionam a demanda
Além das exportações, o consumo interno pode contribuir para o crescimento da cultura. O sorgo é utilizado na fabricação de rações destinadas à pecuária e pode substituir parcialmente o milho em determinadas formulações, conforme as necessidades nutricionais dos animais e a relação de preços entre os grãos.
A indústria de biocombustíveis também amplia as possibilidades de aproveitamento do cereal. O sorgo pode ser processado para a produção de etanol, criando uma alternativa de matéria-prima para unidades industriais preparadas para trabalhar com diferentes grãos. Essa demanda ajuda a diversificar os destinos da produção e pode fortalecer a integração entre agricultura e indústria.
Produção pode chegar a 10 milhões de toneladas até 2031
As perspectivas para os próximos anos indicam espaço para ampliar a oferta nacional. Projeção do Rabobank citada em análises do setor aponta que a produção brasileira de sorgo pode alcançar 10 milhões de toneladas até 2031, ante cerca de 6 milhões de toneladas na safra 2025/2026. A estimativa considera a expansão do cultivo e o aumento das possibilidades de uso do cereal.
Para Goiás, a perspectiva reforça a importância de acompanhar a evolução da demanda internacional e da indústria nacional. A liderança na produção oferece ao estado uma posição estratégica, mas transformar o crescimento da oferta em ganhos econômicos dependerá de produtividade, infraestrutura logística, custos de transporte e estabilidade dos mercados compradores.
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