Outubro Marrom chama atenção para retinopatia diabética; doença pode avançar sem que o paciente perceba
Campanha reforça importância do acompanhamento oftalmológico entre pessoas com diabetes
Enxergar bem não significa que a retina esteja preservada. Na retinopatia diabética, uma das complicações do diabetes mellitus, alterações nos vasos sanguíneos podem avançar antes que o paciente perceba mudanças na visão. É esse intervalo que coloca os exames periódicos no centro do alerta feito durante o Outubro Marrom.
Dados da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e do Ministério da Saúde indicam que a retinopatia diabética atinge entre 24% e 39% das pessoas com diabetes. A estimativa é de cerca de 2 milhões de brasileiros afetados. A condição figura entre as principais causas de perda visual irreversível na população de 20 a 74 anos.
O diabetes mellitus é uma doença metabólica crônica e multifatorial e pode provocar complicações microvasculares. Entre elas está a retinopatia diabética, relacionada principalmente ao tempo de evolução da doença e ao controle inadequado da glicemia.
“A pessoa pode estar enxergando normalmente enquanto a retina já está sofrendo danos profundos”, esclarece o presidente da Sociedade Goiana de Oftalmologia, Leiser Franco. Para ele, a ausência de sintomas nas fases iniciais reforça a necessidade de acompanhamento mesmo sem queixas visuais.
“A Retinopatia constitui uma das principais complicações do Diabetes responsável pela perda de visão parcial e cegueira entre a população de meia idade em todo o mundo. Por isso, é necessário que a população faça exames de rotina como mapeamento de retina ou o fundo de olho, pelo menos uma vez por ano, especialmente para quem tem diabetes”, alerta Leiser.
O cuidado não termina no consultório oftalmológico. Manter a glicemia sob controle e acompanhar outros fatores de risco também ajuda a reduzir a possibilidade de avanço das lesões.
“O tratamento visual anda de mãos dadas com o controle clínico do diabetes. Manter a glicemia sob controle, praticar atividades físicas regulares e aferir a pressão arterial e o colesterol com frequência são medidas que reduzem, drasticamente, o risco de complicações que ameaçam a visão”, adverte o especialista.
Quando surgem alterações, a orientação é procurar atendimento sem demora. Pontos pretos flutuantes, visão embaçada, distorção nas cores e sombras podem indicar estágio mais avançado da doença.
“Se o paciente começar a notar pontos pretos flutuantes na vista, visão embaçada, distorção nas cores ou sombras, a doença já pode estar em um nível mais avançado. Um diagnóstico mais rápido dessa condição permite dar início ao tratamento para preservar a visão”, enfatiza Leiser.
Segundo o oftalmologista, os avanços da medicina ocular permitem intervenções precoces capazes de desacelerar ou estagnar a perda visual na grande maioria dos casos. “ Por isso a importância do diagnóstico em tempo hábil”, diz.
A atuação conjunta de oftalmologistas e endocrinologistas também pode orientar terapias e evitar intervenções cirúrgicas de maior complexidade. O alerta de outubro, portanto, mira um problema que pode começar sem sinais perceptíveis e exige cuidado contínuo.
“O Outubro Marrom reforça que a informação qualificada é a principal aliada para trazer à população luz sobre os cuidados preventivos de saúde quando se trata de uma doença que pode ser evitável.”, conclui.
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