7% da população brasileira se declara vegana e mercado movimenta R$ 1,9 bilhão
Setor amplia a oferta de carnes vegetais, bebidas, queijos e outros alimentos
O mercado de alimentos à base de vegetais amplia sua participação no varejo brasileiro e cria oportunidades para empresas dos setores de alimentação, indústria e comércio. O movimento não depende exclusivamente da adesão ao veganismo. Consumidores que continuam incluindo carne no cardápio também procuram alternativas para substituir proteínas animais, leite e derivados, seja por questões de saúde, restrições alimentares, preocupações ambientais ou preferência pessoal.
Dados do The Good Food Institute Brasil (GFI Brasil), com base em estimativas da Euromonitor International, mostram que as vendas de substitutos vegetais de carnes e frutos do mar alcançaram R$ 1,9 bilhão no varejo em 2025. O resultado representa crescimento de 66% em relação ao ano anterior. Em volume, foram comercializadas mais de 16 mil toneladas, alta de 17%.
O segmento de bebidas vegetais também movimentou valores expressivos. As vendas de leites vegetais chegaram a R$ 842 milhões em 2025, crescimento de 13% na comparação com 2024. O volume permaneceu praticamente estável, com pouco mais de 64 milhões de litros comercializados. Os números mostram que o setor reúne diferentes categorias e possibilidades de negócios, desde produtos substitutos de carnes até bebidas, queijos, iogurtes e sobremesas.
Consumidor amplia procura por alternativas vegetais
A mudança nos hábitos alimentares aparece também nas pesquisas de comportamento. Levantamento do Instituto Datafolha, encomendado pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) e divulgado em março de 2025, identificou que 7% dos brasileiros concordam total ou parcialmente com a afirmação de que são veganos. O estudo ouviu 2.006 pessoas com 16 anos ou mais, em diferentes regiões do país, entre 9 e 11 de dezembro de 2024.
A pesquisa aponta ainda que 22% dos entrevistados já tentaram parar de consumir carne em algum momento. Quando questionados sobre a possibilidade de abandonar esse alimento, 74% consideraram a saúde uma motivação, enquanto 43% mencionaram questões ambientais e 42% a causa animal.
Outro levantamento do GFI Brasil, realizado em 2024 com mais de 2 mil participantes das classes A, B e C, identificou que 26% dos brasileiros consomem carnes vegetais pelo menos uma vez por mês. No caso das alternativas vegetais ao leite e seus derivados, o percentual chega a 48%.

O mesmo estudo mostrou que 34% dos entrevistados estabeleciam alguma restrição ao consumo de produtos de origem animal. Desse grupo, 21% se identificavam como flexitarianos, ou seja, reduziam o consumo de carne sem eliminá-la completamente.
Indústria investe em variedade e novos produtos
A diversificação do portfólio é uma das características desse mercado. Além das carnes vegetais, o consumidor encontra bebidas de aveia, amêndoas e castanhas, queijos sem ingredientes de origem animal, iogurtes, manteigas, sobremesas, massas e refeições prontas.
No segmento de leites vegetais, uma mudança importante ocorreu na composição dos produtos. Em 2018, bebidas feitas com ingredientes diferentes da soja representavam 17% do faturamento da categoria. Em 2025, essa participação chegou a 61%. A expansão de opções à base de aveia, amêndoas e castanhas indica a diversificação da oferta e a busca por produtos com características diferentes.

No mercado internacional, as vendas no varejo de alimentos vegetais, incluindo carnes, leite, iogurtes, queijos, sorvetes e frutos do mar, somaram US$ 28,6 bilhões em 2024, crescimento de 5% em relação a 2023, segundo dados da Euromonitor compilados pelo GFI Brasil.
Preço e distribuição desafiam empresas
Apesar do crescimento do faturamento, o setor ainda enfrenta obstáculos para ampliar o consumo. O preço dos produtos e a dificuldade de encontrar determinadas opções nos estabelecimentos estão entre os principais desafios para as empresas.
Uma pesquisa realizada pelo GFI Brasil em 2025 identificou que 61% dos consumidores procuraram alternativas vegetais nos seis meses anteriores ao levantamento, mas apenas 8% encontraram tudo o que buscavam. O estudo também aponta que 36% dos brasileiros reduziram o consumo de carne vermelha nos 12 meses anteriores e outros 27% pretendiam diminuir o consumo no ano seguinte.
A pesquisa identificou ainda que 56% dos consumidores de carne evitam pratos identificados como vegetarianos nos cardápios. O resultado indica que a forma de apresentar os produtos também interfere nas decisões de compra. Sabor, textura, preço, disponibilidade e valor nutricional são fatores importantes para conquistar consumidores que não seguem dietas exclusivamente vegetais.
Em Goiás, a expansão desse mercado abre possibilidades para empreendedores ligados à alimentação, especialmente nos segmentos de restaurantes, padarias, confeitarias, empórios e produção artesanal. Em Goiânia, estabelecimentos que trabalham com refeições, lanches e produtos de fabricação própria podem explorar alternativas vegetais para atender consumidores com diferentes hábitos e restrições alimentares.
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