Goiás lidera lista de Estados em acidentes graves com ciclistas

A ausência de sinalização em vias movimentadas contribui para a ocorrência de incidentes, aponta especialista

Postado em: 22-07-2022 às 07h44
Por: Daniell Alves
A ausência de sinalização em vias movimentadas contribui para a ocorrência de incidentes, aponta especialista | Foto: Pedro Pinheiro

O Estado lidera a lista com o maior crescimento percentual de acidentes graves com usuários de bicicletas em todo país, aponta a Associação Brasileira de Medicina do Trânsito (Abramet), coletados por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Goiás registrou crescimento de 101% no número de ciclistas internados por acidentes de trânsito. 

Segundo o levantamento, o número total de acidentes graves entre ciclistas brasileiros em 2021 aumentou, 11% em relação a 2020. Em números absolutos, são 14.416 casos em 2020 e 16.070 em 2021. Atualmente, a Capital possui uma malha cicloviária de 105 quilômetros, o que equivale a 3,8% do viário principal da cidade e 50% a mais que os 63 quilômetros de vias preferenciais e/ou exclusivas para o Transporte Público. 

No contexto nacional, Goiânia é apenas a 12ª capital com maior malha cicloviária, sendo responsável 2,5% do total. De acordo com informações divulgadas pelas Prefeituras das capitais brasileiras, a malha de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas é de 4.279,7 km.

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Somado a isso, a ausência de sinalização em vias movimentadas também contribui para a ocorrência de incidentes, avalia o doutor em transportes e professor do Instituto Federal de Goiás (IFG), Adriano Paranaiba. “Além de imprudência, falta de cuidado e atenção por parte do motorista, é importante ver o outro lado da moeda. Outros fatores envolvem a má sinalização das vias, má qualidade das vias – buracos, qualidade do asfalto, outros problemas de geometria das vias”, exemplifica.

A ciclista Bárbara Vieira, 23 anos, também aponta para a má qualidade das vias, principalmente para quem anda de bicicleta. Ela utiliza a bike em alguns dias da semana para ir e voltar do trabalho, mas precisa se arriscar no trânsito. “Não tem muita acessibilidade, o trânsito não prioriza os ciclistas e muitas vezes corremos riscos que poderiam ser evitados. As ruas também possuem rachaduras e não são totalmente planas. Isso gera muita trepidação”, afirma. 

No último mês, um ciclista de 59 anos morreu, após ser atropelado na GO-070, em Goiânia. O motorista que atingiu o ciclista afirmou ter cochilado no volante e não ter visto o homem com a bicicleta no acostamento, explicou a Delegacia de Investigação de Crimes de Trânsito (Dict). Após ser atingido pelo carro, um VW-Gol vermelho, o ciclista morreu no local do acidente. 

Número elevado de veículos 

O número elevado de automóveis pelas ruas da Capital justifica o quanto o trânsito é lento e estressante, conforme explica o professor do Instituto Federal de Goiás (IFG) e engenheiro de transportes, Marcos Rothen. Segundo ele, a cada ano são novos carros e o trânsito piora. “E não tem opção, quem decide ir a pé anda por calçadas inclinadas, obstruídas e o transporte coletivo não tem conforto”, diz.

Marcos enfatiza que as normas de trânsito precisam ser respeitadas, reduzindo, assim, o número de acidentes e mortes, inclusive aqueles que envolvem os pedestres. “É necessário que as pessoas tenham condições de andar pela cidade com mais segurança”, destaca.

Ciclovias e ciclofaixas

O gerente de educação para o Trânsito da Secretaria Municipal de Mobilidade (SMM), Horário Ferreira, explica que as ciclovias e ciclofaixas são fiscalizadas em Goiânia diariamente, de acordo com a legislação de cada uma. “Então, nos finais de semana, onde nós temos as ciclofaixas de uso exclusivo de bicicletas para os finais de semana e feriados, os agentes de trânsito já estão fazendo a fiscalização no horário que é determinado pela legislação”, afirma.

Segundo ele, pode haver reclamações após a saída dos agentes do local. Contudo, isto acontece porque alguém acaba voltando e estacionando de forma irregular. “Mas como nós estamos presentes todos os finais de semana e feriados fiscalizando as ciclovias, ciclofaixas, eles já sabem que nós fazemos a fiscalização”, completa.

A fiscalização é feita pelo agente de trânsito que, ao chegar à ciclovia, verifica o carro e constata a infração, fazendo com que o motorista seja autuado e o veículo retirado do local, explica ele. Com objetivo de garantir a segurança do ciclista, Ferreira reforça que a fiscalização é feita sempre que necessário, sem horário fixo. “Para os agentes de trânsito da SMM, a fiscalização de ciclofaixas e ciclovias são de rotina”, pontua.

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