Museus promovem a cultura e a tradição dos povos indígenas

Postado em: 01-09-2021 às 08h15
Por: Lanna Oliveira
Entre palestras, oficinas e cursos, é possível entender qual a importância e influência das experiências percorridas durante anos | Foto: Reprodução

A Rede de Museus-Casas Literários é composta pelas instituições Casa das Rosas, Casa Guilherme de Almeida e Casa Mário de Andrade. Os Três museus contam com colaborações para contribuir com o cenário cultural do País, preservação patrimonial e difundir informação, por meio de intensa atividade educativa. Elas também desenvolvem programas com relações conceituais e temáticas, preservando-se, no entanto, a especificidade de cada uma delas. E durante o mês de setembro, as casas trazem novidades.

A construção da história indígena traz grandes debates. Por isso os museus Casa das Rosas, Casa Guilherme de Almeida e Casa Mário de Andrade, promovem encontros online e gratuitos para reflexão sobre o legado dos povos originários no Brasil. A programação também oferece a possibilidade de integrar o grupo de pesquisas e estudos sobre meio-ambiente, permacultura e sustentabilidade. As atividades ocorrem pela plataforma Zoom e estão com as inscrições abertas pelo site poiesis.education1.com.br.

A temática indígena percorre toda a produção literária brasileira desde a carta de Caminha, passando pelos românticos e pelos modernos, até chegar aos autores contemporâneos. As obras modernistas, sobretudo as de 1922, retomam a problemática indígena na ficção nacional. O curso ‘Maxacalis, Guaranis, Tupis, Tupinambás: o Brasil indígena’, pretende explicitar como este tema ainda intriga, surpreende e atrai a produção cultural brasileira. Os encontros, ministrados pela Ana Demarchi, ocorrem nos dias 1, 2 e 3 de setembro, das 19h às 21h.

Na conversa ‘O entrelínguas na poesia de autores indígenas’, poetas brasileiros indígenas discutem a ligação da sua produção poética em português com as suas respectivas tradições e línguas ancestrais que durante o passar dos anos ganharam intervenções e interpretações que podem influenciar suas obras. Até que ponto a interculturalidade e a tradução são inerentes às suas poéticas também é uma questão a ser debatida neste encontro, que será realizado no dia 9 de setembro às 15h.

O grupo de pesquisas e estudos Meio-ambiente, permacultura e sustentabilidade se dedicará às ações culturais destinadas ao combate à seca, à recuperação de nascentes e ao reaproveitamento de águas pluviais em espaços urbanos. Os encontros serão realizados às quintas-feiras. Pesquisadores indígenas Guarani Mbya e ativistas do coletivo Tenonderã Ayvu comentarão as práticas de batismo do subgrupo Mbya da etnia Guarani, com base em imagens e sons gravados no interior das casas de reza das aldeias.

Museus, memórias e acervos indígenas

O minicurso ‘Da fome de Brasil: antropofagia e modernismo’ é sobre os sentidos de brasilidade que a Semana de Arte Moderna comprou e que o Movimento e o Manifesto de 1928 colocaram à mesa. Já o ciclo de mesas-redondas ‘Salvaguarda do patrimônio cultural: museus, memórias e acervos indígenas’ pretende debater as questões relacionadas ao patrimônio cultural brasileiro, sob a ótica da criação de redes de memória e museologia comunitária, com destaque para as experiências contemporâneas bem-sucedidas.

No dia 15 de setembro, das 18h às 20h, a palestra ‘Pesquisa e escrita do roteiro do filme ‘A Febre’’ abordará o processo criativo do roteiro cinematográfico escrito por Maya Da-Rin, Miguel Seabra Lopes e Pedro Cesarino para ‘A Febre’, filme franco-teuto-brasileiro de drama e suspense dirigido por Maya Da-Rin, falado em português e nas línguas indígenas tukano e tikuna. O elenco principal do filme, que está disponível na plataforma Netflix, é composto por atores indígenas do Alto Rio Negro, pertencentes aos Desanos, Tucanos e Tarianas.

O ‘Seminário Raízes da intolerância no Brasil’ propõe uma reflexão sobre as causas da intolerância no País, com uma sessão dedicada também à colonização portuguesa no continente Africano, trazendo uma perspectiva comparativa. No Brasil, além do português, ainda são faladas cerca de duzentas línguas, mas por poucos grupos, e, além disso, são poucas as pessoas que sabem dessa diversidade. Pensando no futuro, o seminário também lançará luz sobre os esforços de resistência linguística e de resgates que vêm sendo empreendidos por vários atores.

Então mês de setembro é definido por esse mergulho na história da cultura indígena, que passa profundamente pela história do Brasil. A programação traz pautas que examinam a histporia por outras perspectivas e isso complementa o conhecimento, educa, expande a mente e traz à tona uma cultura por muitas vezes esquecida, mas que exerce grande influência no cotidiano dos brasileiros. É importante entender de onde viemos para uma construção sólida do que está por vir.

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