‘Gostoso veneno’, música mais tocada e gravada de Wilson Moreira

Postado em: 13-12-2021 às 10h44
Por: Redação
Wilson foi um dos fundadores da ala dos compositores da escola de samba carioca Mocidade Independente de Padre Miguel | Foto: Reprodução

Há três anos, o cantor e compositor Wilson Moreira nos deixava. Autor de sambas de sucesso, ele completaria 85 anos neste domingo, dia 12. ‘Gostoso veneno’, música de sua autoria em parceria com Nei Lopes, foi a mais tocada nos últimos 10 anos e a mais gravada até hoje. Esses são dados de um estudo do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) feito em homenagem ao artista.

Wilson Moreira tem um total de 238 obras musicais e 167 gravações cadastradas no banco de dados do Ecad. Seu mais constante parceiro nas composições, Nei Lopes, aparece como o intérprete que mais gravou suas músicas. O cantor e compositor Zeca Pagodinho ficou em segundo lugar.

Nos últimos 10 anos, a maior parte de seus rendimentos em direitos autorais pela execução pública de suas músicas foi proveniente dos segmentos de Show, Música ao Vivo e TV, que correspondem a quase 75% do que foi destinado a ele. Os seus herdeiros continuam a receber os direitos autorais por 70 anos após a sua morte, como determina a lei do direito autoral (9.610/98).

Ranking de músicas de Wilson Moreira mais tocadas nos últimos 10 anos nos principais segmentos de execução pública (Rádio, Sonorização Ambiental, Casas de Festa e Diversão, Carnaval, Festa Junina, Show e Música ao Vivo): 1 – Gostoso veneno (Nei Lopes / Wilson Moreira); 2 – Judia de mim (Zeca Pagodinho / Wilson Moreira); 3 – Goiabada cascão (Nei Lopes / Wilson Moreira); 4 – Coisa da antiga (Nei Lopes / Wilson Moreira); 5 – Mensagem de bamba (Carlinhos do Cavaco / Wilson Moreira); 6 – Senhora liberdade (Nei Lopes / Wilson Moreira); 7 – Quintal do céu (Jorge Aragão / Wilson Moreira); 8 – Candongueiro (Nei Lopes / Wilson Moreira); 9 – No arrebol (Wilson Moreira); 10 – Banho de felicidade (Adalto Magalha / Wilson Moreira).

Sua vida e obra

Nascido no bairro de Realengo, na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, Wilson Moreira teve várias profissões dentre elas as de guia de deficientes visuais, guarda penitenciário e engraxate. Desde criança, se interessou pelo samba, tendo na família avós e tios que foram jongueiros e tocadores de caxambu. 

Em 1955 Wilson foi um dos fundadores da ala dos compositores da escola de samba carioca Mocidade Independente de Padre Miguel, participando também da bateria da escola. Seu primeiro samba-enredo, ‘Bahia’, parceria com Ivan Pereira, foi um sucesso. Outro famoso samba-enredo seu, ‘As Minas Gerais’, foi muito elogiado por Ary Barroso.

Em 1968 passou a colaborar em outra escola de samba, a Portela, onde faria história na ala dos compositores desta escola de samba. Na Portela encontraria grandes parceiros e amigos como Paulinho da Viola, Candeia, Natal da Portela e muitos outros.

‘Judia de Mim’, composta ao lado de Zeca Pagodinho e ‘Quintal do Céu’, são suas composições mais recentes de sucesso. Todavia, o parceiro musical costumeiro de Wilson era o compositor Nei Lopes, parceria esta considerada uma das mais bem sucedidas da história do samba, rendendo dois discos antológicos; o primeiro ‘A Arte Negra de Wilson Moreira e Nei Lopes’, lançado em 1980, contém clássicos como ‘Goiabada Cascão’ e ‘Gostoso Veneno’, já o segundo, ‘O Partido (Muito) Alto de Wilson Moreira e Nei Lopes’, de 1985, traz ‘Fidelidade Partidária’ e ‘Eu Já Pedi’. Wilson Moreira faleceu vítima de câncer no rim em 7 de setembro de 2018.

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