Perícia em pauta : Antenor Pinheiro no ‘Papo Xadrez’

Como um cotidiano marcado por crimes, acidentes e mortes violentas molda o perito

Postado em: 20-07-2022 às 08h42
Por: Redação
Como um cotidiano marcado por crimes, acidentes e mortes violentas molda o perito | Foto: Guilherme de Andrade

Guilherme de Andrade 

A vigésima segunda transmissão do ‘Papo Xadrez’ ocorreu nesta segunda-feira (18) com o perito em criminalística Antenor Pinheiro. O bate-papo englobou sua história desde a infância, ainda com atuação no teatro, passando pela vida adulta, encarando as dificuldades da formação profissional, até alcançarmos o presente, onde ele se tornou um dos profissionais mais gabaritados de toda América Latina. A conversa com Antenor Pinheiro segue disponível na íntegra pelo canal YouTube ‘Papo Xadrez’. 

Como de costume, a conversa se inicia com um breve histórico do convidado. Antenor já passou pelo teatro profissional, pela graduação em jornalismo, pela atuação como perito e professor, por um período enquanto gestor público do trânsito, além da graduação em Geografia. Depois de mais de 30 anos de atuação na área de criminalística, especializado em mortes violentas, ele se diz sem arrependimentos. “Encontrei a profissão certa”, conclui.

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Com mais de três décadas de experiência, Antenor sabe quais críticas fazer ao sistema brasileiro. “Nós temos um problema estatístico no Brasil. O sistema de informações da mortalidade no Brasil, ele ainda tem um delay, um atraso de 2 anos e meio a 3 anos”, ele conta. Do isolamento do corpo, ainda na cena do crime, até a sentença final do juiz, a contabilização dessas mortes violentas encontra vários entraves que a atrasam. Reforçando a importância dos órgãos estatísticos, Antenor conclui: “você não faz ciência, nem política pública sem ter uma base de dados consistente”.

Compartilhando suas impressões desse cotidiano profissional, o perito destaca o requinte de crueldade quando a vítima é uma mulher. Antenor exemplifica contando do caso de uma mulher que foi morta com 50 facadas e a arma do crime, até então desaparecida, foi encontrada no útero da vítima. Apontando o caso como um reflexo da misoginia e do machismo que se vê na sociedade como um todo, ele resume dizendo que “o crime contra mulher, ele sempre foi mais perverso”. 

Uma grande pauta defendida por Antenor ao longo de sua carreira é a de que “não existe bala perdida”. O perito ilustra lembrando de uma revisão feita numa série de casos de homicídios realizados pela polícia, alegando legítima defesa. Dos 38 casos analisados, apenas seis de fato apontaram a legítima defesa. “Essa balela de bala perdida é preguiça de investigação ou preguiça processual”, termina reforçando a importância da perícia no sistema de justiça.   

Na voz dos apresentadores 

Após a transmissão, a apresentadora Ananda Leonel não poupou elogios ao encontro. “Pude conhecer melhor um meio profissional que sempre me instigou mas que nunca se fez presente na minha realidade”, contou. A apresentadora reforça as qualidades de Antenor, também, como professor e destaca um dos casos do perito. “Ouvir dos requintes de crueldade contra a mulher de um profissional da perícia mexeu comigo”, finalizou Ananda.  

Felipe Cardoso, colega de Ananda na apresentação, destaca o gabarito profissional do perito. “Conversar com um homem da formação de Antenor foi fácil e prazeroso”. Ele continua dizendo que “a Geografia, o Teatro, a Perícia, o Jornalismo… enfim, toda a formação dele se mostra presente em sua atuação e na sua forma de falar”. Lembrando do caso Valério Luiz, Felipe conclui reforçando a importância de uma perícia comprometida e isenta a fim de se garantir a justiça num Estado democrático.

Nos últimos episódios

O perito criminalista Antenor Pinheiro é o vigésimo segundo convidado do ‘Papo Xadrez’, mas antes dele vieram muitos outros convidados ao estúdio do jornal ‘O Hoje’. Seja a cientista política Ludmila Rosa, falando sobre política e ativismo, sejam os compositores Edu Moura e Matheus di Pádua, trazendo mais sobre o mundo da música: o podcast se consolida como programa de assuntos variados que traz discussões relevantes e envolventes, sempre de maneira respeitosa. 

Na última transmissão, os apresentadores Felipe e Ananda bateram um papo com o influenciador digital e cantor, Nilson Neto. Da infância nos palcos, ainda em Porangatu, até a vida de blogueiro, que começou na pandemia: Nilson não escondeu nada. Durante o encontro, o tiktoker falou de seus planos futuros: ele quer usar a visibilidade que ganhou com a plataforma para se lançar de volta no mundo da música, sua verdadeira paixão. 

A vigésima edição do ‘Papo Xadrez’ recebeu Iyalorisá Marileia de Òsùmàrè, que está na direção do terreiro Asé Dan Fé Èrò. Marileia conta que frequentou e participou de cultos de diversas religiões ao longo da vida e que foi escolhida pelo Candomblé. Falando sobre fé e religião, a Iyalorisá traz a disseminação das culturas de matriz africana como forma de combater a intolerância religiosa que se vê hoje no País.

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