Governo Bolsonaro deixou vencer R$ 243 milhões em testes, vacinas e medicamentos

Postado em: 06-09-2021 às 09h34
Por: Luan Monteiro
Agora, produtos fora da validade devem ser incinerados pelo Ministério da Saúde | Foto: Reprodução

O Ministério da Saúde deixou vencer a validade de um estoque de vacinas, testes e medicamentos avaliados em mais de R$ 243 milhões. Com isso, os produtos fora da validade devem ser incinerados pelo Ministério.

O cemitério de insumos do Sistema Único de Saúde (SUS), localizado em Guarulhos, em São Paulo, tem, no momento, 3,7 milhões de itens que começaram a vencer há cerca de 3 anos. Quase todos durante a gestão do presidente Jair Bolsonaro (Sem partido). Todo esse estoque é mantido em sigilo pelo ministério.

A pasta usa um documento interno de 2018 para negar pedidos de acesso aos dados sobre produtos armazenados ou vencidos, argumento já apontado como inadequado pela Controladoria-Geral da União (CGU).

O jornal Folha de S.Paulo teve acesso a tabelas do ministério com dados sobre os itens. A lista, divulgada pelo jornal, inclui, por exemplo, 820 mil canetas de insulina, o que é suficiente para 235 mil pacientes com diabetes durante um mês. O medicamento é avaliado em R$ 10 milhões.

O governo Bolsonaro também perdeu frascos para aplicação de 12 milhões de vacinas para gripe, BCG, hepatite B (quase 6 milhões de doses), varicela, entre outras doenças, no momento em que despencam as taxas de cobertura vacinal no Brasil. Só esse lote é avaliado em R$ 50 milhões. Alguns itens que serão incinerados estão em falta nos postos de saúde.

O Ministério da Saúde também armazena cerca de R$ 345 mil em produtos perdidos dos programas de DST/Aids, principalmente testes de diagnóstico, além de R$ 620 mil em insumos para prevenção da malária.

Dados internos do governo mostram que devem ser incinerados mais de R$ 32 milhões em medicamentos comprados por ordem da Justiça. A maior parte desses fármacos é de alto custo e para tratamento de pacientes de doenças raras, uma bandeira do governo.

Produtos vencidos

CGLAB (Coordenação Geral de Laboratórios): R$ 140,73 milhões

Vacinas: R$ 49,59 milhões

Cerca 12 milhões de imunizantes para BCG, gripe, pólio, hepatite B, tetra viral, soros para diversas doenças, além de diluentes

Remédios comprados por ordem judicial: R$ 32,99 milhões

Principalmente medicamentos de alto custo para doenças raras, como eculizumab (HPN) e atalureno (Distrofia Muscular de Duchenne).

Medicamentos excepcionais: R$ 17,72 milhões

Caneta de insulina e tratamentos para hepatite C, esclerose múltipla, Alzheimer, Parkinson, entre outras doenças

Outros: R$ 1,93 milhão

Hemoderivados, tratamentos de raiva, tuberculose e produtos de prevenção à malária​

Programas de DST/Aids: R$ 420 mil

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