Encurralado, Gustavo Mendanha poderia parar no Republicanos?

Postado em: 30-03-2022 às 08h14
Por: Felipe Cardoso
Até agora, governadoriável tem sofrido uma sequência de baixas em seu projeto político. Mas pode haver, quem sabe, surpresas | Foto: Reprodução

Os meandros da política goiana apontam para um único sentido: o descompasso entre os membros do Republicanos. Num passado não muito distante, o prefeito de Goiânia, Rogério Cruz, declarava, precocemente, apoio ao projeto de reeleição do governador Ronaldo Caiado (UB). Mas ao que tudo indica, o gestor municipal esqueceu de combinar com os russos.

Agora, ganha cada vez mais força, nos bastidores do alto escalão do partido, a ideia de que o Republicanos pode tomar um novo caminho rumo à candidatura do prefeito de Aparecida e governadoriável, Gustavo Mendanha (sem partido). Fontes de Goiânia e Brasília atestam isso.

Acontece que na contramão de Cruz, o deputado federal João Campos (Republicanos), que se coloca como pré-candidato ao Senado no pleito que se aproxima, demonstra afinidade — e preferência — pelo nome de Mendanha. A leitura dos mais experientes é que Campos teria, além disso, força suficiente para designar os rumos do partido em Goiás. A condição que o faria acompanhar o governador seria a vaga do Senado na chapa majoritária, o que, segundo lideranças, tem parecido “inegociável”. 

Caso Mendanha feche, de fato, com o Republicanos, essa seria a primeira ‘bola dentro’ depois de certa abstinência. Quatro movimentos apontam para a desidratação do projeto mendanhista nos últimos dias.

A começar pela realeza do Patriota. O partido era tido, a princípio, como uma das principais siglas aliadas ao prefeito. Mas o presidente Jorcelino Braga decidiu deixar seus filiados “livres” para escolherem individualmente seus rumos. 

Eis que o ex-prefeito de Trindade, Jânio Darrot, não pensou duas vezes antes de cair fora. Na esteira, vieram outros importantes nomes dos quadros do partido como o do prefeito de Trindade, Marden Júnior, e do presidente da Câmara Municipal de Goiânia, Romário Policarpo. Com isso, a base caiadista acabou tomando uma fatia considerável – para não dizer completa – do partido. 

Outro fator importante nessa história passa pela debandada do Podemos. O partido foi retirado dos braços do deputado federal José Nelto na calada da noite. Sob o comando de Vilmar Mariano, o compromisso era de que a sigla trafegasse em via mendanhista, mas costuras paralelas deram novo rumo à legenda. 

Ainda que seu presidente negasse qualquer movimento nesse sentido — chegou a declarar que seria o primeiro a deixar o partido caso houvesse qualquer inclinação ao governo Caiado —  teve que cumprir sua palavra ao ver o Podemos escapar por entre os dedos. O martelo foi batido na manhã da última segunda no Palácio Pedro Ludovico Teixeira, e Mariano, como prometido, arrumou as malas.

Um terceiro ponto interessante a ser observado diz respeito ao desenho político no cenário nacional. Desde o princípio, Mendanha evitou se alinhar a qualquer um dos lados polarizados da disputa — ou seja, Lula e Bolsonaro. Mas com o passar do tempo, o ex-emedebista foi dando sinais de que poderia estar mais próximo de um do que outro. Apesar de evitar associar seu nome ao de Bolsonaro, haja vista o temor pelo desgaste político que a união poderia trazer, nos bastidores do alto escalão, Magda Mofato e Flávio Canedo trabalhavam pela benção do presidente.

Mas deu tudo errado. Bolsonaro optou pela lealdade ao projeto de seu fiel escudeiro e oficializou seu apoio à candidatura de Vitor Hugo (sem partido) na última segunda. A chegada de Vitor Hugo à disputa, quer queira quer não, pulveriza a oposição caiadista. De novo, ponto para o governador.

Mas não só: na última segunda, o pré-candidato ao Senado pelo PSD, Henrique Meirelles, recuou na disputa pelo Senado. O economista era visto com bons olhos pelo governador que não descartava uma aliança num futuro próximo e vice-versa. 

A princípio, a notícia sobre o recuo de Meirelles soou como algo que prejudicaria a base caiadista ao abrir espaço para o principal adversário do governador, ou seja, Marconi Perillo, nadar de braçada na briga pelo Senado. Em paralelo, Marconi é tido, inclusive, como um dos principais entusiastas da filiação de Mendanha ao PSD de Vilmar Rocha, abrindo espaço, assim, para uma possível aliança com o prefeito.

Acontece que ganham cada vez mais musculatura os comentários de que o presidente da Assembleia Legislativa, Lissauer Vieira, filiado ontem ao PSD, poderia entrar no páreo pelo Senado na chapa do ex-democrata. Em declarações recentes, Lissauer negou a possibilidade, mas pessoas próximas têm dito que o político anda “mais sorridente” nos últimos dias — pensam que está preparando algo. Se o desenho for mesmo esse, mais uma vez as intenções mendanhistas terminariam prejudicadas. Resta aguardar.

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