Retomada da Câmara é marcada por avalanche de críticas à gestão Rogério Cruz

Nos bastidores, comentário é que, num futuro não muito distante, oposição ganhará novos nomes

Postado em: 03-08-2022 às 08h00
Por: Felipe Cardoso
Maior parte das queixas diz respeito ao descaso dos secretários com os vereadores | Foto: Reprodução

Os vereadores da Câmara Municipal de Goiânia retomaram as atividades em plenário após o recesso parlamentar de 15 dias. Já no primeiro encontro do grupo, realizado na manhã da última terça-feira, 2, os parlamentares dispararam uma sequência de críticas à gestão encabeçada pelo prefeito Rogério Cruz (Republicanos).

O primeiro deles, vereador Anderson Sales Bokão (PRTB), cobrou providências no que diz respeito ao pagamento das emendas impositivas. “Tivemos emendas acatadas e aprovadas, inclusive fizemos reuniões com a secretária [de relações institucionais] Valéria Petersen onde refizemos emendas da 17ª e 18ª Legislatura. Acontece que a gente não sabe em que pé estão essas emendas. Inclusive, provoquei o Tribunal de Contas do Município, pois se trata de recursos já empenhados”.

Depois, foi ainda mais duro: “Não dá para ficar brincando com a cara da gente aqui. Não estou aqui para brincar de trabalhar. Temos emendas da época do Iris [Rezende, ex-prefeito de Goiânia] que não foram executadas. Venho aqui cobrar uma providência”.

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O vereador Welton Lemos (Podemos) aproveitou o embalo para colocar na mesa sua indignação em relação ao trato do alto escalão da prefeitura com os vereadores. “A pior coisa é você ser cobrado pelo povo e não ter uma resposta para dar. Há mais de 30 dias mandei um ofício para a SMM e até hoje não tive resposta. Você liga para o secretário, ele não atende, não dá retorno. Você manda mensagem, ele ignora”. 

O parlamentar disse que, diante das cobranças da população e a inércia da prefeitura, os vereadores acabam ficando com “cara de tacho” quando questionados. “Sou uma pessoa ponderada nas reclamações que faço, mas chega um momento que não temos condições de ficar calado. Sou da base [de apoio ao prefeito] e estou aqui ajudando a votar matérias importantes, mas a gente tem que ser tratado com o mínimo respeito. Essa história de secretário não atender e não dar retorno é inadmissível. Não dá para continuar desse jeito”, pontuou. 

Joãozinho Guimarães (SSD), por sua vez, endossou o sentimento. “Liguei para o secretário da Seinfra [Secretaria de Infraestrutura] e ele não me atendeu. Espero que ele atenda os vereadores, não estamos aqui para brincar, estamos trabalhando e trazendo as reivindicações da sociedade”.

Outro a comentar o descaso da gestão Cruz em relação aos integrantes da Câmara foi o vereador eleito pelo Avante, Thialu Guiotti. “Infelizmente, vejo um momento difícil para o prefeito de Goiânia. A assessoria do prefeito peca dia após dia. O que vimos no primeiro semestre deste ano são reclamações desnecessárias a uma gestão que tem tudo pra dar certo, mas uma gestão onde secretários não atendem vereadores, onde secretários executivos e diretores se dão ao luxo de marcar e desmarcar reuniões com vereadores dentro da sala”.

Em outro trecho, disparou: “O prefeito teve a oportunidade que nenhum homem que administrou essa cidade teve na história, que é ter uma gestão sem amarras. Ele tem autonomia, pelo poder da caneta, de fazer a melhor gestão na cidade, mas infelizmente algumas pessoas de sua gestão parecem ter o rei na barriga. Mas haverá uma resposta do parlamento. Ninguém nesta casa foi eleito com voto de secretário ou de quem quer que seja a não ser do cidadão goianiense”. 

Quintal alheio 

Ainda durante o encontro da última terça, o vereador Geverson Abel (Avante) pediu a palavra para questionar o comportamento descortês do prefeito. “A agenda do prefeito de hoje [dia 2 de agosto] passa pela Vila Jardim São Judas Tadeu, onde o vereador Cabo Sena trabalha e onde não apenas funciona o meu escritório político como moro. O prefeito está lá visitando a região com o [deputado] Chico KGL, que, se brincar, sequer sabe chegar ali sem GPS.  Quero acreditar que o prefeito não está sabendo disso e que é culpa de sua assessoria ou de alguém que marcou essa agenda e não avisou os colegas [representantes da região no Parlamento]”. 

Depois de expor sua indignação, o parlamentar finalizou: “Nunca usei essa mesa para falar algo do tipo, mas chega uma hora que fica difícil porque nós que estamos aqui ajudando o prefeito 24 horas não temos sequer o mínimo respeito, o que é inadmissível”. 

Vereador reclama de “situação constrangedora” com prefeito

Cabo Sena (Patriota) foi na esteira. O parlamentar disse morar a 400m do local onde o prefeito visitou naquela manhã. “Tenho certeza que o deputado Chico KGL não vota projeto aqui na Câmara, ele é deputado estadual”, lembrou. Diante da situação constrangedora, o vereador disse ter se dirigido ao local para falar pessoalmente com o prefeito. “Disse a ele que sua assessoria não nos avisou. Vou mandar um recado aqui: prefeito, converse com a sua assessoria. Nós moramos ali. Não custa nada avisar. Queria fazer um alerta, já no primeiro dia. Projetos vão chegar aqui e ligaremos para o Chico KGL vir aqui votar”. 

Por fim, o vereador Pastor Wilson (PMB) também pediu a palavra. “Também compartilho desse sentimento. Algumas informações chegam a nós de que secretários não atendem os vereadores. Quero deixar claro que região Noroeste tem vereador e não precisa de deputado para dar as cartas. Cuidado ao irem lá e não convidarem os vereadores. O correto, agora, é o prefeito chamar os secretários e os vereadores para resolver essa situação. Do contrário, vãos se desgastar com essa Casa”. 

“Muro das lamentações”

O líder do prefeito no Legislativo, vereador Anselmo Pereira (MDB), ouviu atentamente as críticas dos colegas. Se solidarizou em muitos casos, mas ao resumir o primeiro encontro dos parlamentares após o recesso, disse que parecia um “muro das lamentações”. Apesar da ironia, garantiu ao usar a palavra em um determinado momento do encontro: “Vou pessoalmente hoje à tarde à prefeitura”. 

Quanto às queixas de Bokão, que falou sobre as emendas, o líder disparou: “Também tenho algumas entidades filantrópicas que  não receberam. O nosso prefeito foi insistente em dizer que quer entregar essas emendas. E vou dizer a ele que entregue logo. Os candidatos precisam ter suas bases atendidas, esse será meu contato com a prefeitura. Prefiro até que cumpram primeiro as emendas daqueles que são candidatos”.

Sobre as demais queixas, o líder assegurou que todas seriam levadas, na mesma ocasião, ao prefeito. “Vamos detalhar tudo com ele. O prefeito tem um interesse grande em atender a todos da Casa”.

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