Espaços compartilhados são tendência no mercado imobiliário

Residenciais estão se adaptando ao modelo e passam a oferecer mais espaços de compartilhamento para os moradores, além dos tradicionais academia e salão de festas

Postado em: 19-02-2022 às 15h00
Por: Ícaro Gonçalves
Residenciais estão se adaptando ao modelo e passam a oferecer mais espaços de compartilhamento para os moradores, além dos tradicionais academia e salão de festas | Foto: Reprodução

Mesmo nas crises mais severas que atravessaram o país, o mercado imobiliário nunca parou completamente. Na verdade, novos empreendimentos deste setor têm mostrado força para inovar e atrair investimentos diversificados. Uma tendência recente e que vem ganhando cada vez mais espaço entre novos lançamentos é o de economia colaborativa em meio aos condomínios. 

Consumo colaborativo, economia compartilhada ou colaborativa, são os termos mais usados no Brasil para traduzir a ideia de sharing concept. Basicamente, a ideia por trás deste conceito baseia-se em possibilitar aos consumidores o uso de algum produto, serviço ou espaço sem ter que necessariamente adquiri-lo. A tendência tem sido vista como uma revolução do consumo mundial, especialmente nas últimas décadas marcadas pelo aumento do consumismo desnecessário e pelas crises econômicas, que tem feito as sociedades repensarem suas relações com a natureza.

Alguns exemplos de sucesso de negócios baseados em economia compartilhada são: Uber, AirBnb, aluguel de patinetes em grandes metrópoles, brechós, entre outros modelos de negócio que já fazem parte da nossa rotina. Em linhas gerais, a economia compartilhada gera redução de custo para quem usa e renda para quem fornece. Além disso ela oferece o serviço, sem obrigar o consumidor a comprar o produto. Um bom exemplo de economia compartilhada está na analogia: “Você não precisa ter uma furadeira, você precisa de um furo na sua parede. Então por que não compartilhar a ferramenta com outras pessoas?”.

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E a ideia tem sido em recebida entres os principais beneficiados, os clientes. Uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), feita em 2019, apontou que 89% dos brasileiros que já experimentaram alguma modalidade de consumo colaborativo aprovaram o modelo.

Para 81% dos entrevistados, o compartilhamento torna a vida mais fácil e funcional, e 71% acham que possuir muitas coisas em casa mais atrapalha do que ajuda. O estudo foi realizado em todas as capitais e ouviu 837 consumidores acima dos 18 anos. A tendência tem conquistado também os condomínios, com espaços comuns sendo compartilhados como as academias, brinquedotecas, biblioteca, entre outros. O conceito já chegou ao mercado imobiliário em Goiânia, que passa a implementar mais opções nos residenciais.

Gustavo Nunes é diretor de novos negócios em uma incorporadora da capital, e destaca que além dos espaços de lazer tradicionais, novos empreendimentos de Goiânia estão ganhando diversas áreas compartilhadas. São espaços como coworking, pet care (para banho e tosa), bicicletário, mini oficina, lavanderia e escadas warm up, com marcação nos degraus e paredes para que os usuários saibam a seu rendimento durante a prática dos exercícios com mais precisão.

“O sharing concept é o conceito da nova economia do compartilhamento. Antes de lançar o produto fizemos uma pesquisa de mercado que nos apontou o que as pessoas buscam. Por exemplo, o que é mais comum hoje? ‘Ter alguém na família que trabalhe dentro de casa’. Então, nossos apartamentos têm estação de trabalho e, ainda assim, para reuniões e momentos de maior concentração, colocamos um coworking”, destaca Gustavo Nunes.

Na pesquisa realizada pela CNDL, 52% das pessoas demonstraram interesse em áreas fitness, 42% em coworking e 36% em bicicletário. “A bicicleta foi um ponto que a pandemia acentuou. Em um empreendimento que estamos lançando temos também o pet care. Vamos entregar o ambiente onde o prestador de serviço irá até o prédio para fornecer o seu trabalho no local. Outro conceito bacana é o da mini oficina compartilhada que terá todo o kit de ferramentas que o morador precisa e não fará barulho e nem sujeira em casa, além de economizar o espaço de guardar uma caixa de ferramentas”, exemplifica Gustavo Nunes.

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