quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Queda dos Investimentos

Volume de investimentos estrangeiros no Brasil cai 16,8% em 2023

Para analistas de mercado, a queda dos investimentos é explicada pela redução nos preços das commodities e também por fatores como o risco fiscal

Ícaro Gonçalvespor em
Volume de investimentos estrangeiros no Brasil cai 16,8% em 2023
Em proporção do Produto Interno Bruto

No último ano, o volume de Investimentos Diretos no País (IDP) caíram 16,8% na comparação com 2022. Segundo dados divulgados pelo Banco Central, de janeiro a dezembro de 2023 foram investidos um total de US$ 62 bilhões, no ano anterior, o quantitativo total havia chegado a US$ 74,6 bilhões. Os dados apontam para um cenário de incerteza dos investidores internacionais para com a economia brasileira. 

Em proporção do Produto Interno Bruto, o tipo de investimento fechou 2023 em 2,85% do PIB. Em 2022, era de 3,82% do PIB. Somente no mês de dezembro, foi registrada uma saída líquida (superiores às entradas) de US$ 389 milhões.

No cálculo é considerado o volume de participação no capital, com a entrada de recursos para a aquisição ou aumento do capital social de empresas residentes, as chamadas operações intercompanhia, como a concessão de créditos pelas subsidiárias ou filiais no exterior a suas matrizes no Brasil, entre outras formas de entrada.

Para analistas de mercado, a queda do Investimento Direto no País é explicada pela redução nos preços das commodities — cotadas em dólar — e também por fatores como o risco fiscal que impactam na atratividade do país.

Além dos investimentos, o Banco Central também identificou no último ano um menor volume de transações correntes do Brasil, com menos entrada e saída de dólares. No quesito, houve saldo negativo de US$ 28,6 bilhões ou 1,32% do PIB. Em 2022, o déficit chegou a US$ 48,3 bilhões (2,47% do PIB). A queda das importações e o aumento das exportações explicam esse resultado.

Grau de investimentos no País

Entre os elementos que podem afetar a confiança de investidores internacionais está a classificação de risco de um País por agências estrangeiras. A classificação representa uma medida de confiança dos investidores internacionais na economia de determinada nação. As notas servem como referência para os juros dos títulos públicos, que representam o custo para o governo pegar dinheiro emprestado dos investidores. As agências também atribuem notas aos títulos que empresas emitem no mercado financeiro, avaliando a capacidade de as companhias honrarem os compromissos.

O grau de investimento funciona como um atestado de que os países não correm risco de dar calote na dívida pública. Abaixo dessa categoria, está o grau especulativo, cuja probabilidade de deixar de pagar a dívida pública sobe à medida que a nota diminui.

As agências mais conceituadas pelo mercado são a Fitch, a Moody’s e a Standard & Poor’s (S&P), que periodicamente enviam técnicos aos países avaliados para analisar as condições da economia. Uma avaliação positiva faz um país e suas empresas levantarem recursos no mercado internacional com custos menores e melhores condições de pagamento.

Da mesma forma, uma boa classificação atrai investimentos estrangeiros ao país. Fundos de pensão estrangeiros investem apenas em países com grau de investimento concedido por pelo menos duas agências de classificação de risco. Caso contrário, o país passa a ser considerado de grau especulativo.

Em 2008, o Brasil tinha sido elevado à categoria de grau de investimento. A primeira agência a incluir o país nesse patamar foi a S&P, em abril daquele ano. A decisão foi seguida pela Fitch, em maio do mesmo ano, e pela Moody’s, em setembro de 2009.

Já em setembro de 2015, a S&P retirou o grau de investimento do Brasil e concedeu perspectiva negativa, abrindo caminho para que a nota fosse reduzida novamente em fevereiro de 2016. A redução da nota também foi seguida pela Fitch em dezembro de 2015, e pela Moody’s em fevereiro de 2016.

Passados oito anos, em dezembro de 2023, a S&P elevou a nota de crédito do Brasil de ‘BB-’ para ‘BB’, com perspectiva estável, logo após a aprovação da reforma tributária. Segundo a agência, a estrutura institucional do Brasil pode sustentar a elaboração de políticas estáveis e pragmáticas, baseadas em ‘controles e equilíbrios’ em todos os Poderes. A decisão foi acompanhada pelas outras agências. Atualmente o Brasil está dois níveis abaixo do grau de investimento nas três agências.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:

Veja também

Exportação de carne goiana cresce 16,9% impulsionada por salto nas vendas aos EUA

Proteína

Exportação de carne goiana cresce 16,9% impulsionada por salto nas vendas aos EUA

Proteína animal atinge receita de US$ 2,27 bilhões até setembro e amplia participação na balan�...
Nova lei prevê perdão de dívidas e amplia limite de faturamento do MEI a partir de 2027

ECONOMIA

Nova lei prevê perdão de dívidas e amplia limite de faturamento do MEI a partir de 2027

Pacote sancionado por Lula prevê teto de R$ 110 mil no próximo ano e de R$ 140 mil em 2028, além ...
Importação de relógios cresce 41,9% e Suíça lidera mercado brasileiro

NEGÓCIOS

Importação de relógios cresce 41,9% e Suíça lidera mercado brasileiro

Compras internacionais somaram US$ 103,7 milhões até agosto, enquanto as importações de relógio...
Desenrola 3.0 prevê renegociar R$ 90 bilhões em dívidas, diz Fazenda

Economia

Desenrola 3.0 prevê renegociar R$ 90 bilhões em dívidas, diz Fazenda

Desenrola 3.0: bancos poderão participar de leilão de dívidas a partir desta semana
Conta de luz

CONTA DE ENERGIA

Conta de luz em Goiás terá reajuste de até 7,36% a partir desta quinta-feira (22)

Aneel aprovou o reajuste tarifário da Equatorial Goiás. Para consumidores residenciais, aumento se...
Governo sanciona lei que perdoa dívidas de MEIs

Microempreendedor

Governo sanciona lei que perdoa dívidas de MEIs

Medida entra em vigor em 2027 e deve limpar o nome de quase 4 milhões de microempreendedores
Brasil perde posição de credor internacional após redução da folga entre ativos e dívidas externas

ECONOMIA

Brasil perde posição de credor internacional após redução da folga entre ativos e dívidas externas

Diferença entre recursos mantidos no exterior e compromissos com credores internacionais diminuiu a...
Recuperação Judicial

Agronegócio

Pedidos de recuperação judicial no agro recuam 20,7%, mas crise persiste

Dados da Serasa Experian apontam retração no segundo trimestre de 2026, impulsionada pela sazonali...