sábado, 24 de outubro de 2026
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Aliados de Vanderlan falam em PSD reestruturado, mas partido vive racha interno

Após desempenho modesto em 2024, com apenas 3 prefeitos eleitos, aliados do presidente estadual defendem que resultado foi reflexo de um processo de reconstrução partidária

Bruno Goulartpor em
Aliados de Vanderlan falam em PSD reestruturado, mas partido vive racha interno
“Quando Vanderlan assumiu o partido em 2023, existiam cerca de 25 comissões provisórias. Hoje já são cerca de 170, todas regularizadas.", diz aliado de Vanderlan. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Bruno Goulart

O PSD de Goiás vive um momento de transição, segundo aliados do presidente estadual da sigla. Já outro grupo na legenda fala em um partido perdido, sem rumo e que corre sérios riscos em 2026. O partido, que no cenário nacional conquistou o maior número de prefeituras do País — 885 ao todo, ao superar o gigante MDB, que fez 853 —, teve um desempenho discreto em território goiano. Em 2024, apenas três prefeitos foram eleitos pela sigla no Estado. O contraste expõe o tamanho do desafio de reerguer a legenda, que busca se tornar protagonista na próxima disputa eleitoral, mas enfrenta disputas internas e entraves eleitorais.

Aliados do presidente estadual do PSD, senador licenciado Vanderlan Cardoso, reconhecem o mau resultado, mas apontam que a eleição municipal foi apenas uma etapa de um processo mais amplo de reorganização. “Quando Vanderlan assumiu o partido em 2023, existiam cerca de 25 comissões provisórias. Hoje já são cerca de 170, todas regularizadas. Isso é fruto do trabalho que Vanderlan vem realizando: o de fortalecer o partido por dentro”, explica um dirigente ligado ao senador.

De acordo com lideranças ligadas a Vanderlan, o plano agora é montar chapas competitivas para deputados estaduais e federais e garantir um nome ao Senado. Entre os cotados estão o próprio Vanderlan e o ex-prefeito de Aparecida, Gustavo Mendanha, recém-filiado ao PSD. “O resultado tende a ser bem melhor. Estamos conversando com as bases e vamos anunciar as chapas no momento certo. O PSD aprendeu que antecipar nomes pode gerar frustração”, acrescenta o aliado.

Caminho do PSD para 2026

Com as articulações em andamento, o PSD tenta se posicionar no tabuleiro político que se desenha para 2026. A tendência, segundo interlocutores, é de aproximação com o MDB de Daniel Vilela, vice-governador e pré-candidato ao governo, embora nada esteja definido. “Vanderlan não vai decidir sozinho. As conversas vão acontecer com o partido. O caminho natural é estar com Daniel, mas ainda não há posição fechada”, afirma uma fonte próxima ao senador.

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Quanto ao apoio a Ronaldo Caiado (UB) em uma eventual candidatura à Presidência da República, a postura deve ser semelhante. O entendimento é de que o partido nacionalmente, sob o comando de Gilberto Kassab, considera positivo um arranjo que una Caiado e Daniel com o PSD goiano. “O PSD não trabalha com imposição. Kassab entende que apoiar Caiado para presidente e Daniel para governador fortalece o partido em Goiás”, diz outro aliado.

Divergências internas

Mas nem todos estão totalmente alinhados. Após especulações de que o ex-governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), flertava com Vanderlan e o PSD, Gustavo Mendanha já deixou claro, em entrevista ao O HOJE, que sua permanência depende do partido não se aliar ao tucano, mas apoiar Vilela. “Qualquer movimento nessa direção pode motivar minha saída”, declarou Mendanha. 

O ex-prefeito de Aparecida reforça que as decisões de Vanderlan terão impacto direto na composição interna da legenda. Do outro lado, aliados de Marconi afirmam à reportagem que o tucano segue firme em seu próprio projeto político dentro do PSDB e não articula uma filiação a outro partido.

O presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego), ex-deputado federal Francisco Jr., embora filiado ao PSD, mantém distância da sigla. “Faz quase quatro anos que não participo de nada no PSD. Estou focado na Codego. Vou avaliar em 2026 se continuo, dependendo de onde o partido estiver”, disse ao O HOJE. Francisco Jr. também deixou claro que sua prioridade é o projeto político que une Daniel Vilela e Ronaldo Caiado. Caso o PSD siga outro caminho, não descarta se desfiliar.

Futuro incerto, mas promissor

O deputado federal Ismael Alexandrino (PSD) é outro nome que pode mudar de partido para disputar a reeleição em 2026. Procurado pelo O HOJE, Alexandrino não respondeu aos questionamentos da reportagem. Já o ex-deputado Vilmar Rocha, que presidiu o PSD goiano desde a fundação, em 2011, até passar o comando para Vanderlan, em 2023, cumpre agenda acadêmica em São Paulo e também não se pronunciou.

Apesar das indefinições, o sentimento entre os aliados é de que o partido passa por uma verdadeira reestruturação. A ampliação das comissões municipais e o esforço de Vanderlan em criar estrutura de base são vistos como o alicerce de uma retomada gradual. Resta saber se o PSD chegará forte às eleições de 2026 ou se não sobrará filiado de peso para contar a história. (Especial para O HOJE)

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eleições 2026 Francisco Jr Gustavo Mendanha PSD Goiás Vanderlan Cardoso

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