Goiás coloca em operação primeiros ônibus biarticulados 100% elétricos do mundo
Estado passa a operar, em linhas regulares, ônibus elétricos de até 28 metros e inaugura o maior eletroposto de ônibus do Brasil
Goiás iniciou a operação dos primeiros ônibus biarticulados 100% elétricos do mundo em linhas regulares de transporte coletivo, marco inédito na mobilidade urbana. A entrega foi formalizada em evento realizado na última sexta-feira (30), com a presença do governador Ronaldo Caiado (UB) e de representantes da indústria automotiva, destacando a relevância estratégica da iniciativa para o Estado e para o País.
Na mesma ocasião, foi inaugurado o Eletroposto Oeste, terminal de recarga de ônibus elétricos considerado o maior do Brasil em potência, estrutura essencial para assegurar a operação da nova frota.
O principal avanço tecnológico da entrega é a incorporação de cinco ônibus biarticulados elétricos da Volvo, veículos com aproximadamente 28 metros de comprimento e capacidade para transportar até 250 passageiros. A introdução desses modelos representa um avanço no transporte coletivo urbano, tanto pelo porte quanto pelo uso exclusivo de energia elétrica, integrando inovação tecnológica e critérios de sustentabilidade.
Com a iniciativa, Goiás e o Brasil passam a ocupar posição de destaque no cenário da mobilidade urbana sustentável. Atualmente, não há registro de outras cidades operando veículos elétricos desse porte em linhas regulares de transporte coletivo urbano, o que confere projeção internacional ao projeto e amplia sua relevância no debate sobre alternativas mais eficientes e ambientalmente responsáveis para grandes centros urbanos.
Além dos biarticulados, a frota do transporte coletivo passa a contar com 16 ônibus elétricos articulados da Volvo, com 21 metros de comprimento e capacidade para até 180 passageiros cada. Ao todo, o sistema passa a operar com 21 novos ônibus elétricos, fortalecendo o processo de modernização e eletrificação do transporte público.
A ampliação da frota continuará nos próximos meses: até o final de março, o sistema metropolitano deverá receber outros 23 ônibus elétricos da fabricante BYD, ampliando a substituição gradual de veículos convencionais por tecnologias de menor impacto ambiental.
Produzidos no complexo industrial da Volvo, em Curitiba (PR), os veículos oferecem benefícios diretos aos usuários e ao meio ambiente, como emissão zero de CO₂, menor nível de ruído, redução de vibrações e incorporação de sistemas inteligentes de segurança, entre eles o controle automático de velocidade por GPS. As carrocerias são do modelo Attivi Express, fabricadas pela Marcopolo, consolidando a parceria entre empresas da indústria nacional e internacional no desenvolvimento do projeto.
Para viabilizar a operação da frota elétrica, foi entregue o Eletroposto Oeste, estrutura projetada para garantir eficiência e estabilidade energética ao sistema. Com potência total de 6 MVA, o terminal conta com 23 carregadores de 240 kW, possibilitando a recarga simultânea de até 46 ônibus elétricos. A capacidade instalada amplia a previsibilidade da operação e contribui para a continuidade do serviço, inclusive em períodos de maior demanda.
Entre os diferenciais tecnológicos do empreendimento está a implantação do primeiro Sistema de Armazenamento de Energia em Bateria (BESS) móvel utilizado comercialmente no transporte público brasileiro. Com capacidade de 50 kWh e potência de 60 kW, o sistema atua como suporte para a estabilidade energética em horários de pico ou em situações emergenciais.
A tecnologia também permite testes de recarga inteligente e abre possibilidade para integração futura com sistemas de geração fotovoltaica. Toda a infraestrutura foi fornecida pela Nansen, empresa especializada em soluções para smart grids.
A implantação dos ônibus elétricos e do eletroposto integra a Nova Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (Nova RMTC), apontada como o maior projeto de transporte público em implantação no Brasil. A iniciativa prevê investimentos superiores a R$ 2 bilhões e atende diariamente cerca de 530 mil usuários em 21 municípios da Região Metropolitana de Goiânia.
O processo de modernização da rede inclui intervenções estruturais nos corredores Norte-Sul e Leste-Oeste e estabelece metas até o fim de 2026. Entre elas estão a renovação total da frota, estimada em aproximadamente 1.500 veículos, a requalificação de terminais e estações e a modernização de mais de 7 mil pontos de ônibus na região metropolitana. As ações têm como objetivo ampliar a eficiência operacional e melhorar a experiência dos usuários.
Nesse contexto, o sistema BRT terá papel central, com 199 ônibus, sendo 63 elétricos, 79 movidos a biometano e 57 com tecnologia Euro 6. A diversificação da matriz energética busca reduzir emissões e ampliar a sustentabilidade do sistema. Paralelamente, o projeto prevê a manutenção da tarifa em R$ 4,30, valor congelado desde 2019, viabilizado por meio de subsídios do governo estadual em parceria com as prefeituras, sem repasse dos custos de modernização aos usuários.
Transição energética com ônibus movidos a biometano reforça a mobilidade urbana sustentável
O projeto também incorpora uma estratégia mais ampla de transição energética voltada à sustentabilidade de longo prazo. O governo de Goiás planeja implantar, até março de 2026, um posto de abastecimento de biometano, iniciativa direcionada ao uso de combustível produzido a partir de resíduos orgânicos. A medida busca fortalecer a economia circular, estimular o reaproveitamento de resíduos e reduzir a dependência de combustíveis fósseis na matriz energética do transporte público.
Paralelamente, o Estado articula a instalação de uma fábrica de biometano no município de Guapó (GO), com potencial para integrar a produção local de combustível limpo, o reaproveitamento de resíduos e a aplicação direta no transporte público metropolitano. A proposta também prevê estímulos ao desenvolvimento tecnológico, à inovação e ao fortalecimento da cadeia produtiva de energias renováveis, ampliando os impactos econômicos e ambientais do projeto.
Segundo o governador Ronaldo Caiado, a iniciativa representa “um modelo de cidade e de transporte público para o Brasil”, ao associar responsabilidade ambiental à melhoria da qualidade de vida da população. Nesse contexto, o projeto do Sistema BRT (SMB) foi concebido para operar com corredores exclusivos, estações modernizadas e maior eficiência operacional, contribuindo para a redução de emissões e para a melhoria do serviço prestado aos usuários.
Ao reunir veículos de alta capacidade, infraestrutura de recarga de grande porte e uma política de estabilidade tarifária, o projeto posiciona Goiás como referência nacional em mobilidade urbana sustentável. A iniciativa apresenta alternativas concretas para o futuro do transporte coletivo no País, alinhando inovação, sustentabilidade ambiental e eficiência no deslocamento urbano.
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