Alta nos combustíveis pressiona bolso dos motoristas em Goiás
Etanol chega ao preço de R$ 5,24 e gasolina a R$ 6,99 na Capital; fim de promoções e entressafra explicam aumento recente
Em Goiás, os motoristas foram surpreendidos na última semana com um aumento dos combustíveis nos postos. Na Capital, foi possível encontrar o etanol por até R$ 5,24 e a gasolina até R$ 6,99, um aumento de mais de um real quando comparado com a primeira semana de abril. Segundo o levantamento da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), entre os dias 05 e 11 deste mês, o etanol era encontrado nas bombas de combustíveis por R$ 3,94 em média, enquanto a gasolina era encontrada por R$ 5,89.
Para aquelas pessoas que estavam acostumadas a pagar mais barato ao abastecer, o orçamento pode ficar mais apertado. Para Kelyane Olanda, que utiliza o carro para se locomover até o trabalho, o final do mês será mais difícil. “Simplesmente o que eu abastecia por semana, vou ter que aumentar. Se eu tivesse uma reserva X no final do mês, agora eu vou ter menos dinheiro, tendo que remanejar meus gastos”, acrescenta. A realidade para quem depende do automóvel para trabalhar pode ser ainda mais difícil, principalmente motoristas de aplicativos.
Segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Goiás (Sindiposto), Márcio Andrade, a queda nos preços durante o mês de março e início de abril não foi motivada por uma redução. Por isso, os preços praticados em abril por alguns postos estão retornando aos patamares de R$ 5,20 ou R$ 5,30, que eram comuns no final de fevereiro, de acordo com ele.
“Os postos fizeram promoções, principalmente no etanol, durante o mês de março e reduziram seus preços sem nenhum tipo de redução por parte das distribuidoras”, explica o presidente do sindicato. Nesse caso, o retorno aos preços anteriores caracteriza o encerramento dessas promoções temporárias.
Motivo para elevação do etanol
O etanol é um combustível de produção nacional, que não sofre de pressões externas, como os combustíveis fósseis. Então, é possível ter um controle maior dos preços e das mudanças. De acordo com o economista Luiz Carlos Ongaratto, o aumento do etanol foi por conta da entressafra. “O etanol produzido em Goiás é de cana de açúcar, que teve sua safra encerrada em dezembro de 2025. Nesse período é esperado um aumento do preço por conta dos baixos estoques”, explica.
Com isso, a gasolina também sofre um aumento, já que 30% de sua composição é etanol. Porém, o especialista acrescenta que a baixa no estoque da cana de açúcar não é totalmente responsável pelo incremento. “Houve um reajuste de preço por parte das distribuidoras, não pela Petrobrás. Este aumento foi até alvo de críticas pelo Governo Federal”, complementa.
Impacto do conflito do Oriente Médio
Na visão de Ongaratto, a gasolina não é tão impactada pelo conflito entre Irã e Estados Unidos (EUA), que resultou no fechamento do Estreito de Ormuz, responsável pelo transporte de 20% de todo o petróleo mundial. “A guerra não influencia a gasolina diretamente, pois a Petrobrás controla os preços no Brasil, não seguindo a paridade internacional”, ressalta.
Já o preço do diesel é diretamente impactado pelos conflitos, por conta do Brasil não ser autossuficiente e importa grande parte do que consome. Nas últimas semanas, o governo federal, em parceria com os governos estaduais, anunciou um subsídio de R$ 1,20 no preço do diesel, porém, até o momento, esse repasse não chegou nas bombas.
O presidente do Sindiposto, explica que, em relação ao subsídio, ainda é necessário que as distribuidoras e importadores precisam fazer a adesão. “Existe uma resistência dessas distribuidoras, que alegam que na última vez não foram repassados os valores da subvenção e por isso há essa dificuldade de adesão”, finaliza Márcio Andrade.
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