sexta-feira, 22 de maio de 2026
POLÍTICA

Leandro Grass volta à disputa pelo GDF e promete foco em saúde, segurança e educação

Ex-presidente do Iphan e segundo colocado em 2022, pré-candidato do PT diz que chega mais experiente para nova corrida ao Buriti

Jéssica Nascimentopor Jéssica Nascimento em 22 de maio de 2026
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Pela segunda eleição consecutiva, Leandro Grass tentará chegar ao Palácio do Buriti. (Foto: Divulgação)

Pela segunda eleição consecutiva, Leandro Grass tentará chegar ao Palácio do Buriti. Depois de disputar o Governo do Distrito Federal em 2022 pela Federação Brasil da Esperança, quando era filiado à Rede Sustentabilidade e terminou em segundo lugar com 434.587 votos, o ex-deputado distrital agora retorna ao cenário eleitoral pelo Partido dos Trabalhadores (PT), apostando em um discurso centrado na recuperação dos serviços públicos e na ampliação do diálogo com setores populares e empresariais.

Ao O Hoje, Grass afirmou que volta mais preparado para a disputa após ter presidido o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) entre janeiro de 2023 e março de 2026. Segundo ele, a experiência no órgão federal ampliou sua visão sobre gestão pública, governança e articulação política em nível nacional.

O pré-candidato afirma que as prioridades de um eventual governo seriam saúde pública, segurança e educação. Na avaliação dele, o sistema de saúde do DF atravessa um “momento crítico”, enquanto os índices de criminalidade cresceram nos últimos anos e a educação enfrenta dificuldades estruturais, especialmente na ampliação do ensino integral.

Grass também defendeu investimentos em mobilidade urbana, combate à corrupção, transparência e geração de emprego e renda. Segundo ele, Brasília vive um período de estagnação econômica que precisa ser revertido com novos investimentos e parcerias.

Nascido e criado em Brasília, Leandro Grass tem formação em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB), mestrado em Desenvolvimento Sustentável e especialização em gestão cultural pela Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI). Professor e pesquisador, iniciou sua trajetória política e social na Pastoral da Juventude, em 1998, participando de projetos sociais e ações missionárias no semiárido nordestino.

Em 2018, foi eleito deputado distrital e construiu atuação voltada para áreas como educação, desenvolvimento sustentável e direitos das mulheres. Durante o mandato, foi autor de 27 leis distritais, incluindo a criação de ônibus exclusivos para mulheres no BRT Sul e a reserva de vagas de trabalho para mulheres vítimas de violência.

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Grass também rebateu críticas de adversários que o classificam como um político ligado apenas a pautas ideológicas. Segundo ele, sua trajetória sempre esteve conectada às regiões administrativas do DF, com visitas constantes a hospitais, escolas, CRAS, CREAS e comunidades populares.

Na área da segurança pública, o ex-presidente do Iphan defendeu uma política baseada em inteligência, tecnologia e integração entre as corporações policiais, em vez de apenas ampliar o policiamento ostensivo. Ele citou o crescimento do crime organizado, dos feminicídios, roubos e furtos como desafios que exigem mudanças estruturais na política de prevenção.

Questionado sobre alianças políticas, Grass afirmou que já mantém diálogo com partidos, setores produtivos e movimentos sociais, mas ressaltou que seu foco é construir uma “frente popular e social” ampla, reunindo trabalhadores, empreendedores e representantes de diferentes segmentos da sociedade.

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Em 2018, foi eleito deputado distrital e construiu atuação voltada para áreas como educação, desenvolvimento sustentável e direitos das mulheres (Foto: Divulgação)

Confira a entrevista:

O senhor já disputou o Governo do Distrito Federal anteriormente e agora retorna ao debate eleitoral em um cenário político diferente. O que mudou na sua visão de gestão pública desde a última campanha e quais seriam, hoje, suas três prioridades imediatas para o DF?

Eu passei os últimos anos na condição de gestor público federal, presidindo o Iphan (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), que é uma instituição grande do Ministério da Cultura, um órgão nacional, e que me exigiu muito do ponto de vista de gestão, de governança, de diálogo, de capacidade técnica e política. E isso me levou a tratar sobre a política do patrimônio cultural com prefeitos, governadores, os poderes estaduais e municipais. Então, de alguma maneira, eu volto para essa disputa mais experiente, com mais compreensão e mais conhecedor das boas práticas de gestão pública que a gente vai implementar no GDF.
Em relação às prioridades, nós temos três temas que são justamente os que mais preocupam a população. Em primeiro lugar, a saúde pública, que está em estado terminal no Distrito Federal, num momento crítico, as pessoas não conseguem atendimento, não conseguem fazer exames, cirurgia. O segundo ponto é segurança pública, com o aumento do crime organizado, o aumento do feminicídio, do latrocínio, dos roubos e furtos de celular, de carros no comércio. E, em terceiro lugar, a educação pública, que também vive o seu pior momento da história, o DF na última posição em relação à oferta da escola integral em tempo integral.
E somaria também outros temas que são de grande preocupação da população, como a transparência do governo, combate à corrupção e transporte público, além da geração de emprego e renda, Brasília está estagnada economicamente e isso é muito grave.

O Distrito Federal enfrenta desafios históricos em áreas como saúde, mobilidade e segurança pública. Como o senhor pretende viabilizar financeiramente suas propostas sem comprometer o orçamento do DF, especialmente diante das limitações fiscais atuais?

A gente tem hoje capacidade de ampliação de investimentos, principalmente na saúde, se houver boa aplicação dos recursos já existentes. No caso da atenção primária, quanto mais se investe, mais recursos chegam a partir do Ministério da Saúde, do Fundo Nacional de Saúde, para poder formar a equipe de saúde da família, ampliar as UBSs. No caso da mobilidade urbana também é possível a gente expandir o investimento público através da parceria com o Governo Federal pelo novo PAC e também com Parcerias Público-Privadas que viabilizem as estruturas de trilhos, as estruturas dos modais que podem ampliar a rede de transportes do DF. E na segurança pública a gente também pode priorizar o investimento a partir da política de inovação, com incremento da inteligência, acessando fundos nacionais e internacionais que viabilizem mais tecnologia, mais inovação para melhorar a integração das polícias e melhorar também a capacidade da infraestrutura das próprias corporações no que diz respeito ao aparato tecnológico.

Durante sua trajetória política, o senhor foi alvo de críticas de adversários que afirmam que suas pautas dialogam mais com nichos ideológicos do que com os problemas cotidianos da população das regiões administrativas. Como responde a essa percepção e de que forma pretende ampliar sua conexão com o eleitorado das periferias?

Essas críticas são vazias, porque eu sou, sem dúvida nenhuma, uma das lideranças que mais conhecem o Distrito Federal. Na época em que eu era deputado distrital, estive em todas as regiões administrativas diversas vezes, todos os hospitais regionais. Visitei inúmeras comunidades e territórios. Destinei recursos para mais de 370 escolas. Conheci a realidade de todos os CRAS e CREAS. A gente fez escutas territoriais. Então, não só o meu mandato, mas também a minha atuação profissional e política foram sempre conectados com a realidade popular, com o dia a dia da população. E a gente tem também um vínculo de território muito forte, com diversas entidades, instituições. Hoje não tem nenhuma região do Distrito Federal em que nosso projeto não tenha apoiadores e pessoas que me conhecem e conhecem meu trabalho.

Em relação à segurança pública, tema que costuma dominar o debate no DF, qual seria sua estratégia para enfrentar o avanço da criminalidade sem apostar apenas no aumento do policiamento ostensivo? Há espaço para mudanças estruturais na política de prevenção?

A política pública de segurança do DF está caminhando para trás. A gente teve aumento de indicadores de criminalidade, como feminicídio, latrocínio, roubos e furtos. Há uma necessidade de maior integração entre as polícias, há uma necessidade de maior inteligência dentro das corporações, com aparato tecnológico, monitoramento em tempo real das vias e áreas públicas, e a gente com isso poder garantir a prevenção à criminalidade e o combate ao crime organizado, que está crescendo no Distrito Federal.

O cenário eleitoral do DF costuma ser marcado por forte polarização e alianças pragmáticas. O senhor estaria disposto a dialogar com partidos de centro ou até antigos adversários para garantir governabilidade caso seja eleito? Onde o senhor estabelece seus limites políticos?

Já tenho feito isso, um diálogo ampliado não só com partidos, mas também com setores e segmentos da população. Nesse momento, todos os partidos do sistema político do DF têm suas candidaturas. Então hoje não existe muita margem para avanços de frentes partidárias, mas existe para a ampliação de uma frente popular, de uma frente social com pessoas, setores, instituições, pequeno e médio empresariado, empreendedores, trabalhadores que não necessariamente militam e atuam no campo partidário de esquerda, mas que hoje têm condições de estarem conosco, porque nós defendemos pautas amplas, defendemos pautas que são importantes para a população como um todo e não apenas de interesse de seguimentos específicos da própria esquerda

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