sexta-feira, 22 de maio de 2026
Disputa

Terras raras criam desconforto entre Daniel e Lula sobre exploração mineral

Enquanto governo federal defende controle nacional sobre minerais, Palácio das Esmeraldas faz acordos com estrangeiros

Bruno Goulartpor Bruno Goulart em 22 de maio de 2026
Serra Verde
Goiás concentra 25% das reservas de terras raras pesadas, fundamentais para a indústria tecnológica e energética. Foto Divulgação/Serra Verde

Bruno Goulart

A disputa mundial por terras raras e minerais críticos colocou Goiás no centro de um embate político com o Governo Federal. De um lado, o presidente Lula da Silva (PT) defende que o Brasil mantenha controle sobre essas riquezas minerais. Do outro, o Governo de Goiás faz acordos internacionais para transformar o Estado em referência mundial no setor.

As terras raras são minerais usados na fabricação de carros elétricos, baterias, turbinas eólicas, celulares, equipamentos militares e outras tecnologias modernas. O Brasil possui a segunda maior reserva do mundo, mas ainda depende de outros países, principalmente da China, para processar esse material.

Era das terras raras

Nesta semana, Lula afirmou que o Brasil precisa avançar rapidamente no mapeamento e na exploração desses minerais. Falou ainda que o País conhece apenas cerca de 30% do potencial mineral existente no território nacional.

“Estamos na era das terras raras e dos minerais críticos”, afirmou Lula. O presidente também disse que o Brasil está aberto a parcerias internacionais, inclusive com Estados Unidos, China, Japão e países europeus, mas deixou claro que o País não pretende abrir mão do controle sobre as reservas. “Os minerais críticos são nossos, as terras raras são nossas e a gente quer explorar aqui dentro.”

Mina Serra Verde

O discurso acontece em um momento em que Goiás ganha destaque internacional por causa da mina Serra Verde, localizada em Minaçu, no Norte do Estado. A unidade é considerada a única produtora em grande escala de terras raras pesadas fora da Ásia.

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A atuação do governo goiano, porém, criou desconforto no Palácio do Planalto. O então governador Ronaldo Caiado (PSD) assinou memorandos de entendimento com os governos dos Estados Unidos e do Japão para atrair investimentos e ampliar pesquisas no setor mineral.

A movimentação foi vista por integrantes do Palácio do Planalto como uma tentativa de negociar um tema de competência da União. Contudo, o Governo de Goiás rebate ao dizer que os acordos respeitam a legislação brasileira. A gestão estadual afirma que atua apenas na área de incentivos fiscais, licenciamento ambiental e atração de empresas, sem interferir nas concessões minerais.

O governador Daniel Vilela (MDB) tem adotado postura de menor embate com o Governo Federal e reforçado que Goiás quer mais do que apenas extrair minério. Segundo o emedebista, o Estado pretende garantir que parte do processamento industrial aconteça em território goiano. “O mais importante para nós é ter agregação de valor e processamento desse minério aqui em Goiás. Isso nós não vamos abrir mão”, afirmou o chefe do Executivo goiano.

Daniel também se reuniu, na última quarta-feira (20), com representantes da mineradora Serra Verde e da empresa americana USA Rare Earth, que anunciou fusão com o grupo goiano. O governo estadual quer que novas etapas industriais sejam instaladas em Goiás para gerar empregos e renda. “Queremos tornar Goiás referência e ter ainda mais relevância no mercado internacional”, disse o governador.

Minaçu

Mas, em meio à disputa entre governos, o prefeito de Minaçu, Carlos Leréia (PSDB), chama atenção ao afirmar para o jornal O HOJE que o avanço da mineração aconteceu graças ao investimento estrangeiro, e não por ação de governos.

“Se não fossem os investidores estrangeiros, a mina não teria saído do papel”, declarou. Segundo Leréia, o projeto começou ainda entre 2009 e 2010, atravessou diferentes governos estaduais (Alcides Rodrigues, Marconi Perillo, José Eliton, Ronaldo Caiado), federais (Lula 2, Dilma Roussef, Michel Temer, Jair Bolsonaro e Lula 3) e só avançou porque empresas de fora apostaram no potencial da região. Agora, vejo os governantes querendo levar o mérito. Não teve esquerda e nem direita. O mérito é dos investidores. Conheço a história”, finaliza. (Especial para O HOJE)

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