O que muda no consumo em 2026? Estudo aponta novas exigências do público no relacionamento com marcas
Relatório sobre comportamento na América Latina mostra mudança no consumo e destaca valorização da autenticidade, conexão emocional e experiências reais
A forma como consumidores se relacionam com marcas deve passar por mudanças importantes em 2026. Um levantamento da agência VML identificou que o público latino-americano está cada vez mais distante da estética considerada “perfeita” e mais próximo de empresas que demonstram autenticidade, imperfeições e conexão humana.
Os dados fazem parte do relatório The Future 100: Latam 2026, que analisou hábitos de consumo, comportamento social e tendências de mercado em países como Brasil, Argentina, Colômbia e México. O estudo ouviu cerca de quatro mil adultos entre setembro e novembro de 2025.
Para a empresária e especialista em Customer Experience, Gisele Paula, uma das mudanças mais visíveis está ligada ao desgaste do chamado “efeito perfeito” usado por empresas nas redes sociais e campanhas publicitárias.
“Uma das palavras que mais me chamou atenção nesse relatório foi entropismo. O consumidor está cansado do efeito maquiado, do efeito perfeito que as empresas por muitos anos quiseram mostrar”, afirma.
Segundo ela, o comportamento do público mudou diante da repetição de conteúdos excessivamente produzidos e distantes da realidade. “Sabe aquele Instagram perfeito, a propaganda perfeita, mas aí depois que você entra você vê que não é tão perfeito assim? Então o consumidor se cansou desse modelo”, explica.
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Autenticidade ganha espaço nas estratégias
O relatório aponta a “entropia” como uma das principais tendências para 2026. O conceito está relacionado à valorização do imperfeito, do espontâneo e do que transmite humanidade.
Na prática, isso impacta diretamente a comunicação das marcas. De acordo com a análise da pesquisa, o excesso de filtros, produções impecáveis e conteúdos gerados por inteligência artificial passou a gerar desconfiança em parte dos consumidores.
Gisele Paula afirma que o público deixou de procurar empresas consideradas perfeitas. “O que mais vai conectar hoje com o consumidor? Fator humano, aquilo que é de verdade, sem maquiagem, verdadeiro. Porque o consumidor já entendeu que empresas perfeitas não existem. O que ele busca são empresas humanas”, diz.
Outro ponto destacado no estudo envolve a relação entre tecnologia e atendimento. Mesmo com o avanço da inteligência artificial, a especialista afirma que a conexão humana continua sendo decisiva na experiência do cliente.
“O consumidor está cansado desse papo de IA, tecnologia, bot. As empresas estão esquecendo do que mais conecta elas ao cliente, que é o fator humano”, comenta.
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Experiências personalizadas entram no centro do consumo
Além da autenticidade, o relatório também identifica crescimento da chamada “cultura dos mimos”, tendência ligada à busca por pequenas experiências capazes de gerar conforto emocional e sensação de bem-estar.
De acordo com Gisele Paula, consumidores estão mais dispostos a valorizar marcas que entregam experiências memoráveis e personalizadas. “O consumidor está disposto a ser paparicado pelas empresas”, afirma.
Ela acrescenta que ações capazes de criar lembranças e vínculos emocionais devem ganhar espaço nos próximos anos. “Experiências que geram conexão, que sejam relevantes e que gerem memórias no cliente vão funcionar bastante”, completa.
O estudo também aponta outras tendências para 2026, como o crescimento dos microdramas nas redes sociais, a valorização de comunidades e saúde mental, além da transformação do consumo esportivo em experiências contínuas de entretenimento digital.