Em visita ao grupo O Hoje, Kim Kataguiri diz que Partido Missão pode “furar a polarização” entre Lula e Bolsonaro
Em visita à sede do O HOJE, deputado federal afirmou que pré-candidatura de Renan Santos ao Planalto pelo Missão cresce entre jovens e pode atrair votos tanto da direita quanto da esquerda
Bruno Goulart
O deputado federal e pré-candidato ao Governo de São Paulo pelo Missão, Kim Kataguiri, visitou na tarde desta quinta-feira (28) a sede do jornal O HOJE. Em entrevista ao programa Momento Político, Kim falou sobre a pré-candidatura de Renan Santos à Presidência da República, criticou o PT e o bolsonarismo, comentou o cenário político nacional e defendeu que o Missão pode ocupar um espaço fora da polarização entre direita e esquerda.
Durante a entrevista, o parlamentar afirmou que a legenda aposta no crescimento de Renan Santos nas pesquisas e disse acreditar que o pré-candidato pode se consolidar nacionalmente nos próximos meses. Segundo Kim, o dirigente do Movimento Brasil Livre (MBL) começou a corrida presidencial como o nome menos conhecido entre os possíveis candidatos, mas já demonstra avanço nos levantamentos eleitorais.
“A gente está rodando o Brasil para a campanha do Renan Santos à Presidência da República. Estou bastante otimista”, afirma. De acordo com o deputado, Renan apareceu inicialmente com 1% das intenções de voto e agora já registra crescimento nas pesquisas. “É a pré-candidatura que mais cresce e tem a melhor taxa de ‘conhece e vota’”, declara.
Polarização
Ao comentar o atual cenário político, Kim afirma que há um desgaste da polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo o parlamentar, grande parte do eleitorado não se identifica mais com os dois grupos políticos e procura uma alternativa.
“A maior parte do eleitorado, segundo as pesquisas, não quer votar nem no Lula nem no Bolsonaro. Muita gente vota apenas para tirar o outro do páreo no segundo turno”, afirma. Para o deputado, a candidatura de Renan Santos cresce justamente por se apresentar como um nome fora da disputa tradicional entre petismo e bolsonarismo.
Além disso, Kim explica que o Partido Missão pretende disputar votos não apenas na direita, mas também entre eleitores de esquerda, principalmente entre os mais jovens. Segundo o deputado, a legenda tem registrado avanço entre eleitores de 16 a 24 anos. “Muitos analistas políticos ainda não entenderam que nossa pré-candidatura não está limitada ao eleitorado da direita. Ela também tem potencial para retirar votos da esquerda”, observa.
Durante a entrevista, o deputado também critica possíveis adversários em uma disputa presidencial. Kim afirma que tanto o PT quanto parte do PL estariam envolvidos no escândalo do Banco Master e volta a defender o Partido Missão como uma alternativa política.
Kim também comenta sobre o programa de governo que está em elaboração pela legenda. Segundo o parlamentar, o chamado “Livro Amarelo” reunirá propostas para diversas áreas e será um diferencial do partido nos debates eleitorais. “Estamos prestes a lançar o nosso ‘Livro Amarelo’, que é a síntese do que acreditamos para cada setor”, adianta.
Missão
Questionado sobre qual seria a proposta mais ambiciosa do Partido Missão, Kim defende a decretação de estado de defesa para retomada de territórios dominados pelo crime organizado. Segundo Kim Kataguiri, as facções criminosas atuam atualmente como estruturas paralelas ao Estado. “A mais ambiciosa é decretar estado de defesa para promover a retomada de territórios dominados pelo crime organizado”, declara.
Em outro momento da entrevista, o parlamentar comenta sobre um eventual segundo turno contra Lula e diz acreditar que pré-candidatos como Ronaldo Caiado (União Brasil), Romeu Zema (Novo-MG) e Renan Santos venceriam o petista. Já em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Kim aponta que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teria dificuldades em uma disputa direta contra o presidente. “O PT vai para o segundo turno, seja qual for o candidato. Sempre vai”, afirma.
Kim ainda comenta a tramitação da proposta que prevê o fim da escala 6×1. Ao ser questionado se o Senado poderia reverter a aprovação da PEC, responde de forma direta: “Imagina. Senador é mais covarde que deputado”. (Especial para O HOJE)
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