terça-feira, 7 de julho de 2026
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China recua em exigências para soja brasileira, mas caso acende alerta sobre sanidade das exportações goianas

Três meses após devolução de navios e suspensão de embarques de soja, setor avalia que impactos foram limitados, mas reforça necessidade de vigilância fitossanitária

Letícia Leitepor Letícia Leite em 12 de junho de 2026
China recua em exigências para soja brasileira, mas caso acende alerta sobre sanidade das exportações goianas
Principal mercado da soja nacional, o país asiático flexibilizou parte das exigências, enquanto produtores e autoridades reforçam ações para preservar a credibilidade das exportações. Foto: Divulgação/Seapa-GO

Três meses após a China devolver cargas de soja brasileira por descumprimento de exigências sanitárias e provocar uma crise momentânea nas exportações do grão, os reflexos para Goiás foram limitados. Ainda assim, o episódio colocou em evidência a importância dos controles fitossanitários para a manutenção do acesso aos principais mercados internacionais.

Em março deste ano, cerca de 20 navios brasileiros carregados com soja foram rejeitados pelas autoridades chinesas após a identificação de sementes de ervas daninhas consideradas proibidas pela legislação do país asiático. O problema também levou grandes exportadoras, como a Cargill, a suspender temporariamente embarques destinados à China.

Na época, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) adotou uma postura mais rigorosa na emissão dos certificados fitossanitários, documento obrigatório para a exportação. Sem a certificação, os carregamentos não poderiam seguir para o mercado chinês nem receber pagamento pela mercadoria.

A situação mobilizou autoridades dos dois países e abriu uma rodada de negociações para evitar prejuízos maiores ao comércio bilateral. Posteriormente, a China concordou em flexibilizar parte das exigências e deixou de adotar, na prática, o critério de tolerância zero para a presença de impurezas nas cargas, embora a fiscalização continue ocorrendo.

O episódio teve relevância especial para Goiás. O Estado ocupa posição estratégica na produção nacional de soja e mantém forte relação comercial com a China, principal compradora do grão brasileiro. Dados da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) mostram que a colheita da safra 2025/2026 foi praticamente concluída em abril, consolidando mais uma temporada de grande produção agrícola no Estado.

Para o diretor de Defesa Agropecuária da Agrodefesa, Rafael Vieira, o episódio não comprometeu a imagem da produção goiana no mercado internacional.

“A produção agropecuária goiana atende aos mais altos requisitos de sanidade exigidos pelos principais mercados externos. Goiás é o terceiro maior exportador entre os estados brasileiros e a China é o principal destino dos produtos goianos e brasileiros. O incidente de março foi algo pontual e passou a ser tratado pelo Ministério da Agricultura”, afirmou.

Segundo ele, Goiás mantém programas específicos voltados para a sanidade da cultura da soja e para o monitoramento de possíveis ameaças fitossanitárias. Entre as ações está o Programa Estadual de Prevenção e Controle de Pragas para a Cultura da Soja, que atua no combate à ferrugem asiática, uma das principais doenças da lavoura.

A Agrodefesa também trabalha na elaboração de uma instrução normativa para instituir o Programa Estadual de Prevenção, Controle e Erradicação do Amaranthus palmeri, conhecido como caruru-gigante, erva daninha considerada uma das mais agressivas para a produção agrícola mundial.

De acordo com Vieira, Goiás possui uma vantagem importante nesse cenário. “Diferente de outros estados, Goiás é considerado área livre de Amaranthus palmeri. Isso mostra que estamos atentos e vigilantes à sanidade da nossa produção agrícola, sempre contando com a parceria das entidades e dos produtores rurais para manter os mais altos níveis de conformidade e qualidade exigidos pelos parceiros comerciais internos e externos”, destacou.

Apesar da repercussão internacional do caso, analistas do mercado avaliam que o impacto econômico foi pequeno diante do volume total exportado pelo Brasil. As cargas devolvidas representavam entre 1,2 milhão e 1,5 milhão de toneladas, enquanto as exportações brasileiras de soja devem superar 110 milhões de toneladas neste ano.

Ainda assim, especialistas apontam que o episódio serviu como alerta para toda a cadeia produtiva. A dependência da China, destino de aproximadamente 80% da soja exportada pelo Brasil, exige atenção constante ao cumprimento das exigências sanitárias internacionais.

Para Goiás, onde o agronegócio responde por parcela significativa da economia e das exportações, a manutenção da credibilidade sanitária é considerada fundamental para garantir competitividade e preservar mercados estratégicos nos próximos anos.

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