Morre Raimundo Carrero, criador da “perna cabeluda” e um dos escritores mais premiados do Brasil
Jornalista e autor pernambucano morreu aos 78 anos em decorrência de um câncer; lenda urbana que criou em 1976 inspirou filme vencedor do Globo de Ouro
O Brasil perdeu na madrugada desta terça-feira (16) um de seus escritores mais importantes. Raimundo Carrero morreu aos 78 anos em decorrência de um câncer. A família confirmou a morte e prestou homenagem ao autor, descrevendo sua trajetória como uma das mais fundamentais para a literatura pernambucana e nacional.
Carrero deixa um legado que vai além dos livros. Em 1º de dezembro de 1976, durante a Ditadura Militar, ele publicou no Diário de Pernambuco um conto que daria origem à “perna cabeluda”, lenda urbana que se tornou parte do imaginário popular do Recife. A história de uma perna solitária e peluda que assustava pedestres nas ruas escuras da cidade rapidamente ultrapassou as páginas do jornal e se fixou na memória coletiva da capital pernambucana.
O que parecia apenas uma narrativa de terror carregava uma camada mais profunda: a figura funcionava como metáfora para o medo, a insegurança e a violência que marcavam o período da ditadura. Cinquenta anos depois, a lenda ganhou nova dimensão ao inspirar O Agente Secreto, filme de Kleber Mendonça Filho com Wagner Moura no papel principal, vencedor do Globo de Ouro na categoria de Melhor Filme de Língua Não Inglesa.
Uma obra reconhecida dentro e fora do Brasil
Na literatura, Carrero construiu uma das trajetórias mais premiadas do país. O Prêmio Jabuti, o Prêmio São Paulo de Literatura, o troféu da Associação Paulista de Críticos de Arte e o Prêmio Machado de Assis estão entre as principais honrarias de uma carreira cuja obra foi traduzida e reconhecida internacionalmente.
Títulos como Somos Pedras que se Consomem, As Sóbrias Ruínas da Alma, Sombra Severa e O Delicado Abismo da Loucura figuram entre os mais celebrados pela crítica e ajudaram a consolidar seu nome entre os grandes da ficção brasileira contemporânea.