quarta-feira, 24 de junho de 2026
NEGOCIOS

Setor náutico acelera e abre espaço para novos negócios no Brasil

Expansão da frota impulsiona investimentos em manutenção, tecnologia, turismo e infraestrutura, enquanto empresas relatam déficit de mão de obra especializada

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 23 de junho de 2026
Setor náutico acelera e abre espaço para novos negócios no Brasil
Image-Source / Envato

O mercado náutico brasileiro vive um dos momentos mais promissores de sua história. Impulsionado pelo crescimento do turismo, pela expansão da economia ligada aos rios e ao litoral e pelo aumento da renda em determinados segmentos da população, o país deve atingir a marca de 1 milhão de embarcações registradas em 2026, segundo projeções da Marinha do Brasil. O avanço consolida o Brasil entre os principais mercados náuticos do mundo e abre espaço para uma ampla cadeia de negócios que vai muito além da venda de barcos.

O crescimento da frota movimenta fabricantes, marinas, estaleiros, empresas de manutenção, seguradoras, operadores turísticos, transportadoras e prestadores de serviços especializados. Ao mesmo tempo, revela um gargalo que preocupa empresários do setor: a falta de profissionais qualificados para atender à demanda crescente.

náutico
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Cadeia produtiva gera empregos em diversas áreas

Ao contrário da percepção de que o mercado náutico está restrito à venda de embarcações de luxo, a atividade movimenta uma extensa cadeia econômica. Cada barco exige fabricação, transporte, armazenamento, manutenção, abastecimento, seguro, operação e serviços especializados.

De acordo com Bianca Colepicolo, especialista em turismo náutico e coordenadora do Fórum Náutico Paulista, o crescimento da frota gera oportunidades em áreas técnicas e operacionais que muitas vezes passam despercebidas pela população.

Entre os profissionais mais procurados estão mecânicos de motores de popa, eletricistas náuticos, laminadores de fibra, soldadores, especialistas em capotaria, operadores de marina, gestores de garagens náuticas, corretores de embarcações e profissionais ligados ao turismo.

Além disso, o setor também demanda engenheiros, arquitetos navais, desenvolvedores de tecnologia embarcada, especialistas em sistemas de navegação e gestores de operações. A tendência é que a necessidade de mão de obra aumente nos próximos anos, acompanhando a expansão da frota brasileira.

Falta de qualificação preocupa empresas

Apesar do cenário positivo, a escassez de profissionais especializados já é considerada um dos principais obstáculos para o crescimento sustentável do setor. A avaliação é compartilhada por empresários, associações e entidades ligadas à indústria náutica.

Segundo a Associação Brasileira dos Construtores de Barcos e seus Implementos (Acobar), a dificuldade para contratar trabalhadores qualificados afeta desde a construção de embarcações até os serviços de manutenção e operação.

Especialistas apontam três fatores para esse déficit. O primeiro é o crescimento acelerado da frota, que ocorreu em velocidade superior à formação de profissionais. O segundo está relacionado à visão histórica do setor como um mercado de nicho, o que limitou durante anos a oferta de cursos técnicos e programas de capacitação. O terceiro é a renovação insuficiente da mão de obra, já que muitos trabalhadores experientes estão próximos da aposentadoria.

Esse cenário transforma a qualificação profissional em uma oportunidade de ascensão econômica. Em diversas funções, a demanda supera a oferta de trabalhadores, elevando salários e ampliando as possibilidades de carreira.

Divulgação

Goiás entra na rota da economia náutica

Embora o mercado náutico seja tradicionalmente associado ao litoral brasileiro, estados do interior vêm ganhando relevância graças ao potencial turístico de rios, lagos e represas. Goiás é um dos exemplos desse movimento.

O estado possui importantes polos de turismo aquático, como o Lago Serra da Mesa, considerado um dos maiores lagos artificiais do país, além das regiões de Aruanã, às margens do Rio Araguaia, e de municípios banhados por reservatórios hidrelétricos. Esses locais movimentam atividades ligadas à pesca esportiva, passeios turísticos e lazer náutico.

Em Goiânia, o fortalecimento da renda regional e o crescimento do turismo interno também ampliam a procura por embarcações de lazer e serviços especializados. Empresários do setor observam aumento na demanda por manutenção, transporte e armazenagem de barcos, além de oportunidades para profissionais capacitados em mecânica e eletrônica embarcada.

O avanço da infraestrutura turística em Goiás acompanha uma tendência nacional de interiorização dos investimentos náuticos, reduzindo a dependência exclusiva das regiões litorâneas.

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