quarta-feira, 23 de setembro de 2026
NEGÓCIOS

Reformar em vez de comprar: tendência transforma mercado imobiliário

Juros altos impulsionam mercado de reformas e mudam planos de quem sonha com a casa própria

Otavio Augustopor em
Reformar em vez de comprar: tendência transforma mercado imobiliário
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O sonho da casa própria continua presente na vida dos brasileiros, mas o caminho para alcançá-lo tem se tornado mais desafiador. Com o crédito imobiliário mais restrito, juros ainda elevados e aumento dos custos de aquisição de imóveis, milhares de famílias estão optando por uma estratégia diferente: reformar, ampliar ou modernizar o imóvel que já possuem.

O movimento tem impulsionado o mercado de reformas em todo o país e também em Goiânia, onde lojas de materiais de construção, arquitetos, engenheiros, designers de interiores e empresas especializadas em obras residenciais registram aumento na procura por serviços voltados à revitalização de imóveis.

A mudança de comportamento ocorre em um momento em que o financiamento imobiliário enfrenta dificuldades. Entidades do setor apontam que as taxas de juros continuam sendo um dos principais obstáculos para quem deseja comprar um imóvel financiado. A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) destaca que os juros elevados reduzem o acesso ao crédito e dificultam a entrada de novos compradores no mercado.

Reforma
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Com isso, muitas famílias passaram a direcionar recursos que seriam utilizados na entrada de um imóvel para projetos de reforma, ampliação ou valorização do patrimônio já existente.

Reformar ficou mais vantajoso do que trocar de imóvel

Especialistas do setor imobiliário avaliam que a decisão de reformar ganhou força principalmente entre famílias de classe média. Em vez de assumir financiamentos de longo prazo com parcelas elevadas, consumidores têm optado por investir em melhorias como ampliação de ambientes, modernização de cozinhas, instalação de áreas gourmet, troca de revestimentos e projetos de eficiência energética.

O fenômeno é percebido em Goiânia, cidade que possui um dos mercados imobiliários mais aquecidos do Centro-Oeste. Em bairros consolidados como Setor Bueno, Jardim Goiás, Nova Suíça, Parque Amazônia e Setor Oeste, cresce a procura por reformas em apartamentos e casas construídos há mais de dez anos.

A valorização dos imóveis usados também contribui para esse movimento. Proprietários entendem que uma reforma bem executada pode aumentar significativamente o valor de mercado do imóvel, além de proporcionar mais conforto sem a necessidade de mudança.

Outro fator importante é o aumento do custo de aquisição de imóveis novos. Além da entrada, compradores precisam arcar com despesas de cartório, escritura, ITBI e custos de financiamento, tornando a reforma uma alternativa financeiramente mais atrativa.

Mercado imobiliário segue aquecido, mas crédito perdeu força

Apesar das dificuldades de financiamento, o mercado imobiliário brasileiro continua registrando números expressivos. Em 2025, o país alcançou recorde histórico de lançamentos residenciais, com 453 mil unidades lançadas e Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 264,2 bilhões.

No entanto, os dados revelam uma divisão importante. Enquanto empreendimentos ligados ao programa habitacional federal seguem impulsionados por recursos do FGTS, o segmento de médio padrão vem enfrentando dificuldades devido à redução do crédito tradicional.

Dados do setor mostram que os financiamentos realizados por meio do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), principal fonte de recursos para imóveis de classe média, registraram queda de 13% em 2025.

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Levantamento da Deloitte também identificou retração nos indicadores de demanda e vendas de imóveis de médio e alto padrão, com quedas de 23% e 21%, respectivamente.

Esse cenário ajuda a explicar por que tantas famílias estão adiando a compra de um novo imóvel e investindo na modernização da residência atual.

Construção e varejo de materiais colhem os benefícios

O crescimento das reformas tem gerado impactos positivos em diversos segmentos econômicos. O setor de materiais de construção está entre os principais beneficiados, com aumento na demanda por revestimentos, tintas, pisos, louças, metais, iluminação e móveis planejados.

Empresas especializadas em automação residencial, energia solar e projetos sustentáveis também observam expansão dos negócios. A busca por economia nas contas de energia e água tem levado consumidores a incluir soluções tecnológicas em projetos de reforma.

Em Goiânia, a tendência tem fortalecido pequenos empreendedores da construção civil, como pedreiros, eletricistas, pintores, marceneiros e instaladores. O efeito se espalha por toda a cadeia produtiva, gerando emprego e movimentando a economia local.

O setor ainda se beneficia de uma característica importante: reformas costumam demandar investimentos menores e mais flexíveis do que a compra de um imóvel novo, permitindo que as famílias realizem melhorias por etapas.

 

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