Bicicletas deixam de ser hobby e movimentam mercado de seguros
Crescimento das e-bikes, aumento dos roubos e equipamentos cada vez mais caros impulsionam um segmento que ganha espaço no Brasil
Uma bicicleta já foi sinônimo de lazer. Hoje, para milhares de brasileiros, ela representa transporte, investimento e, cada vez mais, patrimônio. A rápida expansão das bicicletas elétricas e dos modelos esportivos de alto desempenho está transformando um produto antes pouco lembrado em um novo nicho promissor para seguradoras, corretoras, oficinas especializadas, rastreadores, fabricantes de cadeados inteligentes e empresas de assistência.
O movimento acompanha uma mudança no perfil da mobilidade urbana. Em cidades como Goiânia, São Paulo, Curitiba e Brasília, a ampliação das ciclovias, os congestionamentos e a busca por alternativas sustentáveis fizeram crescer a circulação de bicicletas convencionais e elétricas. Ao mesmo tempo, equipamentos que podem custar entre R$ 10 mil e R$ 40 mil passaram a exigir um nível de proteção semelhante ao de motocicletas e automóveis.

Mercado cresce junto com as bicicletas elétricas
O avanço das bicicletas elétricas mudou completamente a percepção de valor desse mercado. Até poucos anos atrás, a maior parte das bicicletas utilizadas diariamente possuía baixo valor comercial. Hoje, modelos equipados com motores elétricos, baterias de lítio, componentes importados e sistemas eletrônicos passaram a ocupar uma faixa de preço comparável à de veículos automotores. Esse novo cenário abriu espaço para um segmento praticamente inexistente no mercado segurador brasileiro.
Além das coberturas tradicionais contra roubo e furto qualificado, as apólices passaram a incluir proteção contra danos acidentais, incêndio, transporte especializado após acidentes, responsabilidade civil por danos causados a terceiros, cobertura para acessórios e até assistência mecânica durante deslocamentos.
Goiânia acompanha expansão da mobilidade sobre duas rodas
Em Goiânia, o fortalecimento da infraestrutura cicloviária e o aumento do uso da bicicleta como meio de transporte vêm ampliando o mercado local.A capital goiana possui uma das maiores malhas cicloviárias do Centro-Oeste e registra crescimento na oferta de lojas especializadas, oficinas premium, locadoras e empresas voltadas à mobilidade elétrica.
Esse ambiente também favorece novos negócios ligados à proteção patrimonial.Corretoras já oferecem seguros específicos para bicicletas urbanas, mountain bikes e bicicletas elétricas, enquanto empresas de tecnologia apostam em rastreadores via GPS, cadeados inteligentes conectados ao celular e dispositivos de monitoramento em tempo real.
Regulação mais clara impulsiona confiança do consumidor
O crescimento do mercado ocorre paralelamente ao avanço das regras para circulação desses veículos. A Conselho Nacional de Trânsito definiu, por meio da Resolução nº 996/2023, critérios que diferenciam bicicletas elétricas, equipamentos autopropelidos, ciclomotores e motocicletas. Bicicletas elétricas com pedal assistido, potência de até 1.000 watts e velocidade máxima de 32 km/h permanecem dispensadas de emplacamento, registro e habilitação. Já veículos acima desses limites passam a ser enquadrados como ciclomotores, exigindo registro, licenciamento e ACC ou CNH categoria A.
Essa definição trouxe maior segurança jurídica para consumidores e seguradoras, que passaram a estruturar produtos específicos para cada categoria. Enquanto países europeus discutem tornar obrigatório o seguro para determinadas bicicletas elétricas de maior potência, no Brasil o mercado ainda cresce de forma espontânea, impulsionado principalmente pela demanda dos próprios proprietários.

Novos riscos criam novas oportunidades de negócio
O aumento dos furtos de bicicletas de alto valor também ajudou a impulsionar esse segmento. Levantamentos do setor apontam São Paulo como o principal mercado de seguros para bicicletas e também o estado com maior número de sinistros. Rio de Janeiro e Porto Alegre aparecem entre os locais com maior procura por proteção patrimonial, especialmente para bicicletas elétricas e esportivas.
Outro fator que começa a ganhar importância envolve as baterias de íons de lítio. Casos internacionais de incêndios provocados por baterias adulteradas ou carregadores incompatíveis fizeram seguradoras ampliarem exigências técnicas e passarem a orientar clientes sobre manutenção preventiva. No Reino Unido, bombeiros registram um incêndio relacionado a baterias de lítio, em média, a cada cinco horas, cenário que tem levado seguradoras a revisar critérios de cobertura.