quarta-feira, 1 de julho de 2026
NEGÓCIOS

Bicicletas deixam de ser hobby e movimentam mercado de seguros

Crescimento das e-bikes, aumento dos roubos e equipamentos cada vez mais caros impulsionam um segmento que ganha espaço no Brasil

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 30 de junho de 2026
Bicicletas deixam de ser hobby e movimentam mercado de seguros

Uma bicicleta já foi sinônimo de lazer. Hoje, para milhares de brasileiros, ela representa transporte, investimento e, cada vez mais, patrimônio. A rápida expansão das bicicletas elétricas e dos modelos esportivos de alto desempenho está transformando um produto antes pouco lembrado em um novo nicho promissor para seguradoras, corretoras, oficinas especializadas, rastreadores, fabricantes de cadeados inteligentes e empresas de assistência.

O movimento acompanha uma mudança no perfil da mobilidade urbana. Em cidades como Goiânia, São Paulo, Curitiba e Brasília, a ampliação das ciclovias, os congestionamentos e a busca por alternativas sustentáveis fizeram crescer a circulação de bicicletas convencionais e elétricas. Ao mesmo tempo, equipamentos que podem custar entre R$ 10 mil e R$ 40 mil passaram a exigir um nível de proteção semelhante ao de motocicletas e automóveis.

Bicicleta

Mercado cresce junto com as bicicletas elétricas

O avanço das bicicletas elétricas mudou completamente a percepção de valor desse mercado. Até poucos anos atrás, a maior parte das bicicletas utilizadas diariamente possuía baixo valor comercial. Hoje, modelos equipados com motores elétricos, baterias de lítio, componentes importados e sistemas eletrônicos passaram a ocupar uma faixa de preço comparável à de veículos automotores. Esse novo cenário abriu espaço para um segmento praticamente inexistente no mercado segurador brasileiro.

Além das coberturas tradicionais contra roubo e furto qualificado, as apólices passaram a incluir proteção contra danos acidentais, incêndio, transporte especializado após acidentes, responsabilidade civil por danos causados a terceiros, cobertura para acessórios e até assistência mecânica durante deslocamentos.

Goiânia acompanha expansão da mobilidade sobre duas rodas

Em Goiânia, o fortalecimento da infraestrutura cicloviária e o aumento do uso da bicicleta como meio de transporte vêm ampliando o mercado local.A capital goiana possui uma das maiores malhas cicloviárias do Centro-Oeste e registra crescimento na oferta de lojas especializadas, oficinas premium, locadoras e empresas voltadas à mobilidade elétrica.

Esse ambiente também favorece novos negócios ligados à proteção patrimonial.Corretoras já oferecem seguros específicos para bicicletas urbanas, mountain bikes e bicicletas elétricas, enquanto empresas de tecnologia apostam em rastreadores via GPS, cadeados inteligentes conectados ao celular e dispositivos de monitoramento em tempo real.

Regulação mais clara impulsiona confiança do consumidor

O crescimento do mercado ocorre paralelamente ao avanço das regras para circulação desses veículos. A Conselho Nacional de Trânsito definiu, por meio da Resolução nº 996/2023, critérios que diferenciam bicicletas elétricas, equipamentos autopropelidos, ciclomotores e motocicletas. Bicicletas elétricas com pedal assistido, potência de até 1.000 watts e velocidade máxima de 32 km/h permanecem dispensadas de emplacamento, registro e habilitação. Já veículos acima desses limites passam a ser enquadrados como ciclomotores, exigindo registro, licenciamento e ACC ou CNH categoria A.

Essa definição trouxe maior segurança jurídica para consumidores e seguradoras, que passaram a estruturar produtos específicos para cada categoria. Enquanto países europeus discutem tornar obrigatório o seguro para determinadas bicicletas elétricas de maior potência, no Brasil o mercado ainda cresce de forma espontânea, impulsionado principalmente pela demanda dos próprios proprietários.

Novos riscos criam novas oportunidades de negócio

O aumento dos furtos de bicicletas de alto valor também ajudou a impulsionar esse segmento. Levantamentos do setor apontam São Paulo como o principal mercado de seguros para bicicletas e também o estado com maior número de sinistros. Rio de Janeiro e Porto Alegre aparecem entre os locais com maior procura por proteção patrimonial, especialmente para bicicletas elétricas e esportivas.

Outro fator que começa a ganhar importância envolve as baterias de íons de lítio. Casos internacionais de incêndios provocados por baterias adulteradas ou carregadores incompatíveis fizeram seguradoras ampliarem exigências técnicas e passarem a orientar clientes sobre manutenção preventiva. No Reino Unido, bombeiros registram um incêndio relacionado a baterias de lítio, em média, a cada cinco horas, cenário que tem levado seguradoras a revisar critérios de cobertura.

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