Pix internacional? Banco Central estuda ligar sistema brasileiro a outros países
BC prepara novo passo para o Pix e mira pagamentos internacionais
O Banco Central avalia conectar o Pix a sistemas de pagamentos instantâneos de outros países. A possibilidade aparece no relatório de gestão do sistema divulgado nesta segunda-feira (10). Segundo a autoridade monetária, a integração pode reduzir custos e aumentar a eficiência das operações internacionais.
A análise ocorre em um momento de pressão dos Estados Unidos sobre o sistema brasileiro de pagamentos. O governo norte-americano incluiu o Pix entre os temas citados ao justificar medidas comerciais contra o Brasil.
O que o Banco Central está estudando
De acordo com o Banco Central, estão em discussão dois modelos de integração. O primeiro envolve acordos bilaterais entre o Brasil e outros países. O segundo prevê a participação brasileira em estruturas multilaterais, conhecidas como hubs.

Na prática, essas conexões poderiam permitir que usuários realizassem remessas internacionais e pagamentos de compras com a disponibilização dos recursos diretamente na moeda local. O BC afirma que as operações poderiam ser concluídas em poucos segundos.
A proposta representa uma ampliação do uso internacional do sistema. Atualmente, instituições financeiras brasileiras já mantêm parcerias com empresas estrangeiras para viabilizar transações com Pix fora do país.
Entretanto, o Banco Central ainda não anunciou quais países poderiam participar de uma eventual integração nem estabeleceu um cronograma para a implementação da medida.
Pix entra no debate internacional
A discussão sobre a expansão internacional do Pix ocorre após o sistema entrar no radar do governo dos Estados Unidos.
Os norte-americanos aplicaram uma tarifa de 25% sobre parte das importações brasileiras e citaram, entre outros pontos, práticas comerciais consideradas desleais. O Pix também apareceu entre os temas mencionados pelos Estados Unidos.
Nesse contexto, o Banco Central apresentou no relatório uma avaliação sobre os possíveis ganhos de uma integração entre sistemas de pagamentos instantâneos.
A autoridade monetária aponta que a conexão entre diferentes plataformas pode reduzir tarifas, acelerar operações e ampliar o acesso aos pagamentos internacionais. Além disso, o BC cita a possibilidade de aumentar a transparência nas transações realizadas entre países.
Uma ideia que já estava no radar do BC
A possibilidade de conectar o Pix a sistemas estrangeiros não surgiu agora. No relatório de gestão publicado em 2023, o Banco Central já mencionava que o sistema poderia, no futuro, ser integrado a plataformas internacionais de pagamentos instantâneos.
Naquele documento, porém, a autoridade monetária não detalhava como essa integração poderia ocorrer.

Agora, o BC afirma que analisa tanto conexões diretas entre países quanto a participação em estruturas multilaterais. A proposta amplia, portanto, o nível de detalhamento sobre uma possibilidade que já fazia parte dos planos de desenvolvimento do sistema.
Caso avance, a interligação poderá permitir que pagamentos e remessas internacionais ocorram de forma mais rápida, com os valores chegando ao destinatário em sua própria moeda.
Por enquanto, contudo, a medida está em fase de análise. O Banco Central não informou quando uma eventual integração poderá ser colocada em funcionamento.
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