sexta-feira, 3 de julho de 2026
micro e pequenas empresas

Recorde na abertura de pequenos negócios contrasta com elevada taxa de fechamento de empresas no Brasil

O Brasil abriu 4,6 milhões de pequenos negócios entre janeiro e novembro de 2025, maior número da série histórica do Sebrae

Anna Salgadopor Anna Salgado em 3 de julho de 2026
empresas
Legenda: Enquanto o número de novos negócios cresce, a dificuldade de manter empresas em funcionamento continua sendo um dos principais desafios do empreendedorismo brasileiro, especialmente entre os MEIs Foto: Marcello Casal Jr./ABr

O Brasil registrou a abertura de 4,6 milhões de novos pequenos negócios entre janeiro e novembro de 2025, segundo dados do Sebrae. O volume representa crescimento de 19% em relação ao mesmo período do ano anterior e configura o melhor desempenho da série histórica do setor. Apesar do avanço na criação de empresas, indicadores mostram que a elevada taxa de encerramento das atividades, sobretudo nos primeiros anos de funcionamento, continua sendo um dos principais desafios para o empreendedorismo brasileiro.

Os pequenos negócios representam 97% das empresas abertas no país em 2025. Desse total, 77% são Microempreendedores Individuais (MEIs), 19% correspondem a microempresas (MEs) e 4% a empresas de pequeno porte (EPPs). Embora concentrem praticamente todos os novos registros, a permanência dessas empresas no mercado ainda é um obstáculo.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que, entre as empresas com empregados, uma em cada seis pequenas empresas encerra as atividades antes de completar cinco anos. Em Goiás, os índices de sobrevivência variam conforme o porte do empreendimento. Enquanto 85% das empresas de pequeno porte e 71% das microempresas permanecem em atividade após cinco anos, entre os MEIs o percentual cai para 43%.

Tradicionalmente, fatores como carga tributária, burocracia e dificuldade de acesso ao crédito são apontados como os principais obstáculos para a manutenção das empresas. No entanto, especialistas também atribuem o elevado índice de mortalidade empresarial a fatores relacionados à gestão e ao preparo dos empreendedores.

Segundo o consultor em gestão e desenvolvimento humano Rubens Berredo, o encerramento precoce de muitos negócios não está relacionado apenas a crises financeiras ou às condições econômicas. Na avaliação do especialista, a falta de preparo para liderar equipes e administrar situações de pressão também interfere diretamente na continuidade das empresas.

Para Berredo, a ausência de liderança faz com que desafios comuns da rotina empresarial se transformem em dificuldades capazes de comprometer o funcionamento do negócio. Entre as competências consideradas essenciais estão a capacidade de organizar prioridades de forma estratégica, tomar decisões sob pressão, controlar emoções diante de períodos de instabilidade e conduzir equipes de maneira eficiente.

O consultor afirma que muitos empreendedores concentram esforços na operação diária da empresa e deixam em segundo plano o desenvolvimento de habilidades como disciplina, constância e adaptação às mudanças. Conforme a avaliação apresentada, esse desequilíbrio compromete a gestão e reduz a capacidade de enfrentar os desafios inerentes aos primeiros anos de funcionamento.

Outro fator destacado é o empreendedorismo por necessidade. Dados citados pelo especialista apontam que mais de 30% da população brasileira inicia um negócio por falta de outras oportunidades de trabalho. Nesses casos, muitos empreendedores ingressam no mercado com conhecimento técnico sobre a atividade exercida, mas sem preparo para administrar pessoas, organizar processos e enfrentar as exigências da gestão empresarial.

De acordo com Berredo, o encerramento das atividades nem sempre ocorre exclusivamente por dificuldades financeiras. O desgaste provocado pelas incertezas, pela pressão cotidiana, pelas frustrações e pelo acúmulo de responsabilidades também pode comprometer a permanência do empreendimento no mercado.

Como alternativa para reduzir a mortalidade das empresas, o consultor defende investimentos em capacitação e desenvolvimento pessoal dos empreendedores. Na avaliação apresentada, o crescimento do negócio está diretamente relacionado ao desenvolvimento da liderança, exigindo equilíbrio entre vendas, finanças, processos e preparo emocional.

Berredo afirma que, nos primeiros anos de funcionamento, o empreendedor precisa desenvolver capacidade para lidar com a pressão diária, corrigir erros rapidamente e adaptar estratégias sempre que necessário. Segundo o especialista, a condução de um negócio exige aprendizado contínuo, capacidade de adaptação e aperfeiçoamento permanente da gestão.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Veja também