1º trimestre

Correios têm prejuízo de R$ 3,16 bilhões no 1º trimestre de 2026

Resultado negativo quase dobrou em relação ao mesmo período do ano passado e foi impactado por ações trabalhistas, queda nas receitas e aumento das despesas financeiras

Micael Mourapor Micael Moura em 5 de julho de 2026
Correios
Foto: Reprodução

Os Correios registraram prejuízo de R$ 3,16 bilhões no primeiro trimestre de 2026, quase o dobro do resultado negativo registrado no mesmo período do ano passado, quando a estatal havia contabilizado perdas de R$ 1,7 bilhão.

Os números constam nas demonstrações financeiras divulgadas pela empresa, que segue em processo de reestruturação após encerrar 2025 com prejuízo recorde de R$ 8,5 bilhões, o maior já registrado pela companhia.

Ações trabalhistas impactaram o resultado

Um dos principais fatores para o aumento do prejuízo foi o reconhecimento de uma dívida potencial de R$ 1,06 bilhão relacionada a processos trabalhistas.

O valor voltou a ser incluído no balanço após questionamentos de órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria-Geral da União (CGU), que defenderam a reclassificação das provisões judiciais.

Com isso, o total destinado às contingências trabalhistas passou de R$ 3,6 bilhões, no fim de 2025, para R$ 4,66 bilhões em março deste ano.

Receitas diminuíram

Além do aumento das despesas, a estatal também registrou queda na arrecadação.

A receita bruta com vendas e serviços ficou em R$ 4,04 bilhões entre janeiro e março de 2026, redução de 2,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Entre os segmentos com maior retração estão:

  • Encomendas: queda de 5,5%, totalizando R$ 2,2 bilhões;
  • Postagens internacionais: redução de 60,3%, para R$ 156 milhões.

Em contrapartida, o segmento de mensagens, que inclui cartas e documentos, cresceu 11,4%, alcançando R$ 1,2 bilhão. Já as outras receitas avançaram 48%, chegando a R$ 465 milhões.

Custos operacionais caíram

Apesar do prejuízo, os Correios conseguiram reduzir parte dos custos operacionais.

As despesas com produtos e prestação de serviços caíram 7,6%, passando de R$ 4,01 bilhões para R$ 3,7 bilhões.

Os gastos com pessoal também apresentaram redução de 4,1%, mesmo após reajuste salarial concedido aos funcionários. Segundo a empresa, o resultado reflete os efeitos do Programa de Demissão Voluntária (PDV) implantado em 2024.

Despesas financeiras aumentaram

Outro fator que pressionou o balanço foi o crescimento das despesas financeiras.

Entre janeiro e março deste ano, elas saltaram de R$ 283 milhões para R$ 985 milhões, ampliando o impacto negativo sobre as contas da estatal.

Além disso, aumentaram as indenizações pagas a clientes por atrasos nas entregas. Em março de 2026, os Correios desembolsaram R$ 30,5 milhões em compensações, valor cerca de 15 vezes superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior.

Empresa passa por reestruturação

Desde setembro de 2025, os Correios são presididos por Emmanoel Rondon, que conduz um plano de reestruturação financeira da estatal.

Como parte desse processo, a empresa obteve no ano passado um empréstimo de R$ 12 bilhões, com garantia da União, para regularizar passivos e financiar medidas voltadas ao equilíbrio das contas.

A expectativa da companhia é que as ações adotadas contribuam para recuperar a sustentabilidade financeira nos próximos anos.

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