Governo anuncia crédito e apoio a setores afetados por tarifa dos EUA
Tarifa de 25% deve afetar principalmente o setor sucroenergético goiano, enquanto governo promete crédito e apoio para ampliar mercados
Com a nova tarifa de 25% sobre parte dos produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos, o governo federal anunciou a retomada do programa de apoio aos setores empresariais atingidos pela medida. Na última quarta-feira, o Escritório do Representante Comercial dos EUA confirmou a tarifa adicional e alegou supostas práticas “desleais” no comércio por parte do Brasil.
As novas tarifas passam a valer a partir do dia 22 de julho. Durante coletiva de imprensa, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou que o governo trabalhará para apoiar os setores atingidos e classificou a tarifação como “injusta”, “ilegal” e “indevida”.
Segundo o ministro, os segmentos mais afetados são os de madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar. As empresas atingidas deverão contar com linhas de crédito para capital de giro e investimentos, além de apoio para buscar novos compradores e ampliar a presença em outros mercados.
Estimativas da Secretaria de Comércio Exterior, vinculada ao ministério, indicam que cerca de 2,4 mil empresas brasileiras serão diretamente atingidas. Juntas, elas respondem por aproximadamente 18% das exportações nacionais destinadas aos Estados Unidos, o equivalente a US$ 7,4 bilhões, considerando os dados de 2024.
Mais da metade da pauta brasileira de exportações para os Estados Unidos, porém, ficou fora da nova cobrança, incluindo carnes, café, óleos e produtos do setor de aviação. A participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras, que era de 12,1% até 2025, caiu para 9,4% em 2026.
Goiás preserva maior parte das exportações
Em Goiás, os Estados Unidos representam um mercado relevante, mas não lideram entre os destinos das exportações. Segundo dados da Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços de Goiás (SIC), entre janeiro e junho deste ano, o Estado exportou US$ 7,06 bilhões, dos quais US$ 462,5 milhões tiveram como destino o mercado norte-americano, o equivalente a 6,55% do total embarcado. Cerca de 85% desse valor corresponde a produtos que permaneceram fora da nova cobrança.
Apesar da preservação dos principais produtos da pauta exportadora goiana, alguns segmentos devem sentir os efeitos da medida. De acordo com a SIC, a cadeia sucroenergética concentra a maior preocupação, porque açúcar e etanol estão entre os produtos sobretaxados.
“Para o açúcar, as usinas goianas que eventualmente acessam o mercado americano enfrentarão perda de competitividade”, afirma Sant’Anna Braga Filho.
O assessor técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás, Lucas Lopes, explica que Goiás lidera a produção nacional e concentra três das quatro usinas brasileiras especializadas no segmento de açúcar orgânico, com forte presença no município de Goianésia.
“Como os Estados Unidos produzem apenas cerca de 7% do açúcar orgânico que consomem, parte dessa demanda poderá ser suprida por concorrentes como Paraguai, Argentina e Colômbia”, pontua.
A Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa) chama atenção para as alternativas nesse cenário.
“No caso de redução nas aquisições de açúcar e etanol, por exemplo, haveria a necessidade de um redirecionamento do excedente goiano para outros destinos”, completa.
Indústria teme perda de competitividade
O vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Flávio Rassi, avalia que a elevação dos custos de entrada no mercado norte-americano pode reduzir a competitividade das empresas goianas, provocar renegociações de contratos, perda de clientes e adiamento de investimentos. Embora as exportações de Goiás tenham demonstrado maior resistência durante o tarifaço de 2025, as restrições interromperam temporariamente o crescimento das vendas para os Estados Unidos.
Os impactos também podem atingir empresas que não exportam diretamente. Uma eventual redução da produção tende a afetar fornecedores de insumos, transportadoras, operadores logísticos, empresas de armazenagem, manutenção e outros prestadores de serviços ligados às cadeias exportadoras.
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