terça-feira, 21 de julho de 2026
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Reforma tributária muda rotina das empresas e pode afetar custos e lucros

Período de transição exige adaptação de sistemas, revisão de contratos e planejamento financeiro

Renata Ferrazpor Renata Ferraz em 21 de julho de 2026 às 08:28
Reforma tributária muda rotina das empresas e pode afetar custos e lucros
Divulgação

Embora a cobrança integral dos novos tributos ainda esteja em fase de transição, a reforma tributária já deixou de ser apenas uma mudança prevista na legislação e passou a fazer parte da rotina das empresas. Em Goiás, indústrias, comércios, prestadores de serviços e produtores rurais iniciaram uma série de adaptações para atender às novas exigências fiscais, revisar estratégias e minimizar impactos financeiros que poderão se estender pelos próximos anos.

Desde o início de 2026, as empresas passaram a conviver com novas regras para emissão de documentos fiscais, atualização de sistemas de gestão e adequação de processos internos. A expectativa é que essa fase de transição, prevista para durar até 2033, provoque mudanças na forma de calcular preços, administrar créditos tributários, organizar contratos e planejar investimentos.

Adaptação começa antes da cobrança definitiva

Segundo o advogado tributarista Sidney Torres, os primeiros efeitos da reforma já podem ser percebidos no ambiente empresarial, mesmo antes da implantação definitiva do novo modelo. “O processo deixou de ser apenas uma discussão jurídica. Hoje, as empresas já precisam revisar cadastros, atualizar sistemas, treinar equipes e avaliar como as novas regras afetarão contratos, fluxo de caixa e formação de preços”, explica.

A reforma prevê a substituição gradual de tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), além da criação do Imposto Seletivo para produtos considerados prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.

Na avaliação do especialista, embora os tributos ainda estejam em período de testes, o custo da adaptação já representa um desafio para empresas de todos os portes.

Setores sentirão impactos diferentes

Os efeitos da reforma não serão uniformes. O impacto dependerá da estrutura de custos de cada atividade, do aproveitamento de créditos tributários e da posição da empresa dentro da cadeia produtiva.

Empresas prestadoras de serviços tendem a enfrentar maior pressão, principalmente aquelas cuja principal despesa é a folha de pagamento, já que salários não geram créditos tributários. Em contrapartida, segmentos industriais e parte do comércio poderão ser beneficiados pela ampliação do sistema de créditos e pela redução da tributação em cascata.

Em Goiás, o agronegócio também estará entre os setores que precisarão acompanhar atentamente a regulamentação. Embora diversos produtos agropecuários contem com tratamento tributário diferenciado, o impacto dependerá da atividade desenvolvida e da utilização dos créditos fiscais previstos na legislação.

Outro ponto de atenção envolve empresas que cresceram apoiadas em incentivos de ICMS. Como esses benefícios serão reduzidos gradualmente durante o período de transição, será necessário reavaliar estratégias de investimento e competitividade.

O Simples Nacional e o Microempreendedor Individual (MEI) permanecem preservados, mas isso não significa que micro e pequenas empresas ficarão imunes às mudanças. Com estruturas administrativas mais enxutas, muitos desses negócios precisarão investir em tecnologia, revisar procedimentos e decidir, futuramente, qual será o modelo tributário mais vantajoso.

Para Sidney Torres, essa decisão exigirá planejamento individualizado, já que poderá influenciar diretamente a competitividade das empresas, principalmente na relação com fornecedores e clientes.

Mudanças também afetam a arrecadação

A reforma altera a lógica de distribuição da arrecadação ao estabelecer que parte dos recursos será destinada ao local onde ocorre o consumo, e não apenas ao local onde a empresa está instalada.

Especialistas avaliam que municípios mais populosos tendem a ampliar sua participação na arrecadação ao longo dos próximos anos, enquanto cidades cuja economia depende fortemente de grandes empreendimentos industriais, minerários ou energéticos poderão enfrentar redução relativa das receitas.

Em Goiás, estudos apontam que cidades do Entorno do Distrito Federal figuram entre as possíveis beneficiadas, enquanto municípios com forte concentração industrial podem enfrentar maiores desafios durante a transição.

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