quinta-feira, 23 de julho de 2026
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Tarifaço dos EUA desafia economia goiana e acelera busca por soluções

ndústria, agronegócio e governo estadual acompanham tratativas e defendem ampliação das medidas de socorro para reduzir os impactos sobre a economia goiana

Renata Ferrazpor Renata Ferraz em 23 de julho de 2026 às 00:22
Tarifaço dos EUA desafia economia goiana e acelera busca por soluções
Angelo F. Roesler/Adobe Stock

A entrada em vigor da tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras abriu uma nova frente de negociações entre o governo federal e os setores produtivos. Em Goiás, entidades ligadas à indústria e ao agronegócio acompanham as tratativas conduzidas em Brasília e defendem medidas que preservem a competitividade das empresas afetadas, enquanto o Congresso Nacional pressiona pela ampliação das categorias contempladas pelo plano de socorro prometido pelo governo federal.

Embora especialistas avaliem que os impactos sobre a economia goiana tendem a ser menores do que em outros Estados, a preocupação permanece entre os segmentos que ficaram de fora da lista de exceções anunciada pelos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, empresários aguardam definições sobre quais setores serão incluídos nas medidas de apoio, já que o governo federal afirma enfrentar limitações fiscais para ampliar o alcance do programa.

Dados da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) mostram que Goiás exportou US$ 375,1 milhões em produtos agropecuários para os Estados Unidos no primeiro semestre de 2026, alta de 33,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Atualmente, 87 produtos goianos são comercializados naquele mercado, tendo a carne bovina como principal item da pauta exportadora.

Segundo a Seapa, o Estado monitora permanentemente o comércio internacional e acompanha os segmentos mais expostos às mudanças impostas pelos Estados Unidos para subsidiar ações junto ao setor produtivo.

No agronegócio, a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) informa que as negociações com o governo federal são conduzidas pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), responsável por representar o setor nas discussões nacionais e internacionais. A entidade participou de audiências públicas em Washington e apresentou contribuições técnicas que ajudaram a garantir a exclusão de importantes produtos agropecuários da nova taxação.

Mesmo assim, alguns segmentos permanecem vulneráveis. A Faeg aponta que a principal preocupação está na cadeia do açúcar orgânico. Goiás lidera a produção nacional e concentra três das quatro usinas brasileiras especializadas nesse produto, principalmente em Goianésia. 

Como os Estados Unidos produzem apenas pequena parte do açúcar orgânico que consomem, há risco de o mercado ser ocupado por concorrentes como Paraguai, Argentina e Colômbia. A indústria de máquinas agrícolas, especialmente em Catalão, também poderá perder competitividade caso as tarifas sejam mantidas.

Na indústria, a Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) avalia que o impacto deverá ser inferior ao registrado durante o tarifaço de 2025, principalmente porque produtos relevantes para a pauta exportadora brasileira, como carne bovina, café, petróleo, medicamentos e aeronaves, ficaram fora da nova cobrança. 

Ainda assim, estudo da entidade estima que as novas barreiras poderão reduzir entre 10% e 15% das exportações brasileiras para os Estados Unidos. Em Goiás, o efeito tende a ser um freio no ritmo de crescimento das vendas externas, mantendo as exportações próximas de US$ 80 milhões por mês.

Negociações serão decisivas

Para o economista Leonardo Ferraz, as negociações entre governo e setor produtivo serão decisivas para reduzir os impactos do tarifaço. Além da busca por uma solução diplomática, Ferraz defende a abertura de novos mercados consumidores e medidas rápidas de apoio às empresas. Segundo o especialista, linhas de crédito, incentivos às exportações e ações para ampliar a presença de produtos brasileiros na Ásia, Europa e Oriente Médio podem minimizar os prejuízos.

Ferraz alerta que, caso algumas categorias fiquem fora do plano de socorro, os efeitos poderão atingir toda a cadeia produtiva. “Quando uma empresa exporta menos, reduz a compra de insumos, demanda menos transporte e logística e desacelera investimentos. Esse movimento pode afetar a geração de empregos e a economia como um todo”, afirma.

Enquanto as negociações seguem em andamento, entidades empresariais aguardam definições do governo federal sobre os setores que serão contemplados pelo pacote de apoio. A expectativa é que as medidas sejam anunciadas nas próximas semanas e garantam maior segurança para empresas que dependem do mercado norte-americano.

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