terça-feira, 20 de outubro de 2026
ENDIVIDAMENTO EM GOIÁS

Três em cada quatro famílias goianas estão endividadas em 2026, aponta pesquisa

Percentual saltou de 64,2% para 75,8% em um ano em Goiás; cartão de crédito é a principal modalidade de dívida e especialista alerta para o ciclo difícil de interromper

Luana Avelarpor em
endividadas

O endividamento das famílias goianas atingiu um patamar de alerta em 2026. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor mostram que 75,8% das famílias em Goiás possuíam algum tipo de dívida em março, contra 64,2% um ano antes. A diferença de 11,6 pontos percentuais significa que o problema passou a alcançar praticamente três em cada quatro famílias no estado em apenas 12 meses.

O quadro se torna ainda mais preocupante quando o endividamento é acompanhado pela dificuldade de pagamento. Em Goiás, 38,6% das famílias estavam com contas em atraso, e somente uma em cada cinco entre as inadimplentes afirmava ter condições de regularizar os débitos. Entre as famílias com renda de até dez salários mínimos, o percentual de endividados chegava a 77,7%.

O cenário goiano acompanha um movimento de alta em todo o país. Em março, o endividamento nacional havia alcançado 80,4% das famílias. Em julho, chegou a 82%, estabelecendo novo recorde da série histórica da pesquisa. O cartão de crédito permanece como a principal modalidade de endividamento, tanto em Goiás quanto no restante do Brasil.

Para o advogado especialista em direito bancário Bruno Naide, o principal sinal de alerta não está na existência de uma dívida, mas no momento em que as parcelas começam a comprometer despesas básicas. “Ter um financiamento ou utilizar o cartão de crédito não significa, por si só, que a família esteja em uma situação financeira grave. O problema começa quando as dívidas deixam de caber no orçamento e o consumidor passa a utilizar um crédito para pagar outro. É nesse momento que pode surgir um ciclo muito difícil de interromper”, explica.

Um dos fatores que ajudam a explicar a pressão sobre os consumidores é o custo do dinheiro. Mesmo com o início da flexibilização da política monetária ao longo de 2026, os juros continuam em patamares elevados. “Quando o consumidor já está com boa parte da renda comprometida, recorrer continuamente a empréstimos, cheque especial ou rotativo do cartão pode transformar uma dificuldade momentânea em uma dívida de longo prazo”, alerta o especialista.

O que fazer quando a dívida cresce

Para quem já está com dificuldades, o especialista orienta agir antes que a situação se agrave. “O pior caminho é ignorar o problema e deixar juros, multas e encargos se acumularem. O consumidor deve levantar todas as dívidas, identificar quais possuem os maiores custos, conhecer exatamente sua capacidade mensal de pagamento e buscar uma negociação que efetivamente possa cumprir”, orienta Naide.

O advogado também alerta para as armadilhas das renegociações. “Renegociar não significa simplesmente aceitar a primeira proposta apresentada pela instituição financeira. É preciso observar juros, número de parcelas, valor total que será pago e demais encargos. Uma parcela aparentemente menor pode esconder um prazo muito longo e um custo final elevado”, afirma.

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