Goiânia entra no radar de investidores de imóveis
Capital goiana aparece entre os mercados regionais apontados como estratégicos para um modelo que ganha força fora das grandes metrópoles
O mercado imobiliário brasileiro passa por uma mudança de estratégia no chamado house flipping, modelo em que investidores compram imóveis com desconto, realizam reformas e buscam revendê-los por um valor maior em um curto período.
Com o aumento do preço do metro quadrado e dos custos de transação em grandes mercados, como São Paulo e Rio de Janeiro, investidores começaram a voltar a atenção para cidades do interior e capitais regionais. Goiânia, em Goiás, aparece entre os cinco mercados destacados por um levantamento do Trade Imobiliário como exemplo desse novo movimento.
Segundo o estudo, a combinação entre preços de entrada mais acessíveis, menor concorrência por imóveis que precisam de reformas e procura por unidades prontas para morar pode favorecer o desenvolvimento da modalidade em mercados regionais.
Goiânia entre os mercados em expansão
Além da capital goiana, o levantamento destaca Campinas (SP), São José dos Campos (SP), Ribeirão Preto (SP) e Londrina (PR) como cidades com características consideradas favoráveis ao house flipping.
Em Goiânia, o estudo aponta como diferenciais o forte crescimento do mercado imobiliário, a expansão urbana e um tíquete de entrada considerado atrativo para investidores.
A cidade também funciona como polo regional e concentra atividades nos setores de serviços, comércio, saúde, educação e negócios, fatores que contribuem para a movimentação do mercado de imóveis.
Para Ramiro Delgado, CEO do Trade Imobiliário, a estratégia representa uma mudança na forma como investidores analisam oportunidades.
“O investidor tradicional costumava focar apenas nos metros quadrados mais caros das capitais. O que vemos agora é uma mudança clara de maturidade: o ganho real do house flipping está na margem criada pela transformação do imóvel.”
Segundo Delgado, cidades do interior e capitais regionais podem apresentar menor concorrência na compra de imóveis antigos ou que necessitam de regularização e reformas.
Cinco cidades no radar
O levantamento do Trade Imobiliário aponta cinco mercados que exemplificam o potencial de expansão da modalidade:
Campinas (SP): polo tecnológico, industrial e universitário, com mercado diversificado e demanda por moradia.
São José dos Campos (SP): centro aeroespacial e tecnológico do Vale do Paraíba, com população de renda média elevada e procura por imóveis reformados.
Ribeirão Preto (SP): importante polo do agronegócio e de serviços no interior paulista, com mercado comprador considerado forte.
Goiânia (GO): capital regional com forte expansão e mercado imobiliário dinâmico.
Londrina (PR): polo regional de saúde, educação e agronegócio, com grande quantidade de imóveis antigos em áreas valorizadas.
Comprar barato não garante lucro
Apesar da possibilidade de encontrar imóveis com preços mais baixos fora dos grandes centros, especialistas alertam que o desconto na compra não é suficiente para garantir o sucesso da operação.
É preciso avaliar fatores como localização, demanda, custo da reforma, documentação, tempo necessário para a revenda e liquidez do imóvel.
“Em praças regionais, a análise de demanda precisa ser cirúrgica. Não basta o imóvel ser barato. Ele precisa estar situado em microrregiões de alta rotatividade, como eixos universitários, zonas hospitalares ou centros comerciais consolidados”, afirma Delgado.
A estratégia, portanto, depende da diferença entre o preço de aquisição e o valor que o imóvel pode alcançar depois da reforma. É justamente essa margem que determina o potencial da operação.
No caso de Goiânia, o movimento reforça a atenção de investidores para bairros e regiões com crescimento urbano, infraestrutura consolidada e demanda por imóveis prontos para morar.
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