Endividamento das famílias de baixa renda ameaça consumo brasileiro em 2027
Endividamento entre famílias que ganham até três salários mínimos se aproxima de 85%, enquanto juros elevados reduzem o espaço para novos gastos.
O endividamento das famílias brasileiras chegou a 82% em julho de 2026. Entre os consumidores que recebem até três salários mínimos, o índice se aproximou de 85%. Além disso, 38,5% dessas famílias afirmaram ter contas em atraso. Quase 18% disseram não ter condições de quitar as dívidas.
O cenário coloca o consumo das famílias sob pressão. Isso porque uma parcela maior da renda passa a ser destinada ao pagamento de empréstimos, cartões e outras obrigações financeiras. Consequentemente, sobra menos espaço no orçamento para novas compras.
A análise foi publicada pela Gazeta do Povo, a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres do veículo.
Famílias de menor renda concentram maior pressão
A situação financeira apresenta diferenças conforme a faixa de renda. Entre as famílias que ganham até três salários mínimos, o endividamento alcançou quase 85% em julho.
A inadimplência também chama atenção. Segundo os dados apresentados, 38,5% dos consumidores desse grupo possuem contas em atraso. Além disso, quase 18% afirmam que não conseguirão pagar os valores devidos.

Nesse cenário, a expansão do crédito digital e o uso do Pix facilitaram o acesso a diferentes modalidades de empréstimos. Entretanto, parte dessas operações envolve taxas elevadas, especialmente no cartão de crédito e no crédito pessoal.
Assim, o consumidor com orçamento mais limitado pode acumular novas parcelas enquanto ainda tenta quitar compromissos anteriores.
Dívida compromete parcela maior da renda
Os indicadores atuais também são comparados ao período que antecedeu a recessão de 2014. Naquele momento, as dívidas das famílias correspondiam a aproximadamente 38% da renda disponível.
Agora, esse percentual se aproxima de 50%. Além disso, o comprometimento mensal da renda com juros e parcelas chegou a 29,3%.
Na prática, o aumento desse comprometimento reduz a parcela da renda disponível para consumo. Por isso, uma eventual desaceleração do crédito pode atingir diretamente setores que dependem das compras das famílias.
O quadro também ocorre em um ambiente de juros elevados. Embora a taxa Selic tenha recuado de 15% para 14% ao ano, segundo os dados apresentados no texto-base, os juros médios cobrados dos consumidores chegaram a 64% ao ano.

Crédito caro pode limitar consumo em 2027
A diferença entre a taxa básica de juros e as taxas cobradas dos consumidores está relacionada, entre outros fatores, ao risco de crédito. Com níveis elevados de inadimplência, as instituições financeiras podem cobrar taxas maiores nas operações destinadas às famílias.
Dessa forma, o custo elevado dificulta a contratação de novos empréstimos. Ao mesmo tempo, aumenta o peso das dívidas que já estão no orçamento.
Para 2027, a projeção apresentada aponta crescimento de apenas 0,8% no consumo das famílias. O cenário considera uma redução na capacidade dos consumidores de ampliar os gastos enquanto reorganizam suas finanças.
Além disso, o texto aponta outro cenário de risco. Caso estímulos econômicos elevem o endividamento das famílias para 51% da renda, o crédito poderia encolher 6% no próximo ano. Nesse caso, o consumo sofreria nova redução e a economia poderia entrar em recessão.
Por fim, a análise aponta 2028 como possível período de estabilização. Isso dependeria, contudo, de um crescimento sustentável da renda e de uma redução da dependência do endividamento para sustentar o consumo.
Créditos: informações e análise baseadas em reportagem da Gazeta do Povo, com conteúdo apurado pela equipe de repórteres do veículo.
Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.