Marmitas ganham novo público e pedidos crescem 25,2% em Goiás
O setor de alimentos congelados movimentou US$ 5,9 bilhões no Brasil em 2025
O mercado de marmitas está encontrando um novo tipo de consumidor: pessoas que passaram a comer menos, mas querem escolher melhor o que colocam no prato. A popularização dos medicamentos à base de GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, começou a alterar hábitos de consumo e abriu espaço para produtos com porções menores, maior concentração de proteína e preparo rápido.
O movimento acontece dentro de um mercado que já vinha crescendo pela busca por praticidade. No Brasil, o setor de alimentos congelados movimentou US$ 5,9 bilhões em 2025, cerca de R$ 30 bilhões, segundo o grupo IMARC, e a projeção é chegar a US$ 7,8 bilhões em 2034, impulsionado principalmente pela demanda por refeições prontas.
Goiás aparece entre os mercados que mais crescem
Os sinais dessa transformação já chegaram ao delivery. Dados do iFood mostram que os pedidos de marmitas congeladas cresceram 13% no Brasil no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado.
Goiás apresentou desempenho ainda mais forte, com alta de 25,2% nos pedidos. O Estado ficou entre os mercados que avançaram acima da média nacional, atrás de Ceará, com 136%, Espírito Santo, com 81%, e Rio de Janeiro, com 25,7%.

O número não permite atribuir todo o crescimento aos medicamentos, mas mostra espaço para o modelo de alimentação pronta no Estado. Para pequenos negócios, a categoria combina três fatores importantes para o consumidor: praticidade, controle de porções e alimentação equilibrada.
Consumidor come menos e escolhe mais
A mudança provocada pelos GLP-1 também afeta outros hábitos de consumo. Pesquisa da NielsenIQ mostra que os medicamentos ainda alcançam 5% dos lares brasileiros, mas já provocam alterações relevantes entre os usuários.
Entre esses domicílios, 84% relatam impacto moderado ou alto no orçamento mensal. As despesas que mais perderam espaço foram saídas para bares, citadas por 62,3%, serviços, por 56,6%, restaurantes, por 54,9%, e lazer, por 50%.
Ao mesmo tempo, alimentos frescos e proteínas ganham importância. No Brasil, consumidores de nível socioeconômico alto representam 69,5% dos usuários de GLP-1. No Centro-Oeste, a penetração chega a 8,2% dos lares, segundo a NielsenIQ.
Grandes empresas já disputam o novo prato
O movimento deixou de ser exclusivo dos pequenos negócios. A Liv Up afirma que a participação de clientes que declararam utilizar medicamentos GLP-1 passou de 5% para 10% da base em um ano. As linhas de emagrecimento e performance esportiva da empresa caminham para R$ 150 milhões em vendas no segundo ano de operação.
A Vapza também entrou no segmento de refeições prontas e passou a destacar nas embalagens a quantidade de proteína dos produtos. A companhia afirma crescer cerca de 15% em faturamento e 12% em volume de vendas neste ano, com contribuição da nova linha.
A Seara, da JBS, também lançou refeições prontas com conceito de clean label, utilizando receitas tradicionais e ingredientes mais simples de identificar nos rótulos. A movimentação mostra que a mudança já alcança a indústria.

Marmita deixa de ser apenas comida pronta
O mercado de alimentação fora do lar movimentou R$ 287,9 bilhões no Brasil em 2025, segundo levantamento citado pela Folha. Eram 1,2 milhão de estabelecimentos ativos, dos quais 72,04% eram pequenos negócios.
Nesse cenário, a marmita ganhou espaço por permitir diferentes formatos: produção em escala, congelamento, venda por assinatura, delivery e comercialização no varejo. Para o empreendedor, isso amplia as possibilidades de negócio e de público.
A expansão das refeições voltadas a usuários de GLP-1, porém, não significa que exista uma dieta única para quem utiliza esses medicamentos. A composição deve considerar necessidades individuais e orientação profissional.
Para o setor de alimentação, a oportunidade está em uma mudança simples, mas importante: o consumidor pode comer menos, mas está mais atento ao que recebe em cada refeição. Em Goiás, onde os pedidos de marmitas congeladas avançaram 25,2% no semestre, empresas que combinarem preço, conveniência, informação nutricional e variedade encontram um mercado em expansão.
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