Goiás pode ampliar exportação de carne bovina aos Estados Unidos
Estado já registrou alta nas vendas para os norte-americanos, que aumentaram em 188,1% as compras de carne bovina goiana no primeiro trimestre
A ampliação temporária da cota de importação de carne bovina anunciada pelo governo dos Estados Unidos pode abrir uma nova oportunidade para exportadores brasileiros, incluindo os de Goiás. A medida, assinada pelo presidente Donald Trump, acrescenta 300 mil toneladas de aparas magras e recortes de carne bovina à quantidade que pode entrar no mercado norte-americano com tarifa reduzida. A regra começa a valer em 1º de setembro e permanece vigente até 30 de novembro de 2026.
Para Goiás, a abertura ocorre em um momento de crescimento das exportações de carne bovina. Dados da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) mostram que, no primeiro trimestre de 2026, o Estado ampliou em 32% o faturamento com as exportações da proteína em relação ao mesmo período de 2025. O volume embarcado também cresceu 14,2%, enquanto o número de destinos passou de 62 para 77 países. Entre os mercados que mais aumentaram as compras estão os Estados Unidos, com crescimento de 188,1% no valor adquirido no período.
A importância do mercado norte-americano para a pecuária goiana aumentou ainda mais em janeiro. Os Estados Unidos ultrapassaram a China e assumiram a liderança entre os compradores da carne bovina de Goiás. A Seapa aponta que o movimento de crescimento das vendas para o país continuou em 2026, enquanto outros mercados, como Chile, Rússia, México e Egito, também ampliaram as compras.
Os números mais recentes das exportações reforçam esse cenário. Entre janeiro e maio, Goiás movimentou US$ 913,1 milhões com as vendas externas de carne bovina e embarcou 158,7 mil toneladas. O faturamento aumentou 28,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto o volume cresceu 8,7%, conforme os dados apresentados no material da Seapa enviado para a reportagem.
Somente em maio, foram US$ 209,8 milhões em exportações e 34,2 mil toneladas embarcadas. O preço médio da tonelada chegou a US$ 6.127,25, alta de 22% na comparação com maio de 2025. Segundo a Seapa, o valor foi um recorde para o mês.
Carne goiana chega a preços maiores
Os Estados Unidos também aparecem entre os mercados que pagaram valores elevados pela carne goiana. Em maio, o preço médio da tonelada exportada para o mercado norte-americano foi de US$ 6.353,34, acima da média geral registrada pelo Estado. A China, outro importante comprador, pagou US$ 6.816,32 por tonelada no mesmo período.
A força do setor também aparece nos dados de produção. No primeiro trimestre de 2026, Goiás registrou 946 mil cabeças de bovinos abatidas e 243,2 mil toneladas de carcaça. O Estado ocupou a terceira posição no ranking nacional de abates e a quarta em produção de carcaça, com participação de 9,2% da produção brasileira, segundo os dados apresentados pela Seapa no material encaminhado para a reportagem.
Oportunidade não significa garantia de vendas
Apesar do potencial de crescimento das exportações, a nova medida norte-americana não significa que as 300 mil toneladas serão destinadas ao Brasil. O volume adicional foi reservado à categoria de “outros países ou áreas” e será disputado pelos países habilitados a utilizar essa parcela da cota. Além disso, a entrada será feita por ordem de chegada.
A medida também é específica para as aparas magras de carne bovina, utilizadas principalmente como matéria-prima para a produção de carne moída nos Estados Unidos. O governo norte-americano justificou a decisão pela necessidade de ampliar a oferta no mercado interno e conter a alta dos preços da carne.
Outro ponto previsto na medida é o acompanhamento dos preços das importações. O governo americano poderá eliminar o saldo restante da cota caso os produtos importados dentro do novo limite não estejam sendo comercializados por pelo menos 25% abaixo do preço de mercado para esse tipo de carne.
Para Goiás, portanto, a medida representa uma possibilidade de ampliação das vendas para um mercado que já vem ganhando importância para a pecuária estadual. O desempenho dos próximos meses dependerá da capacidade dos exportadores brasileiros de ocupar o espaço adicional aberto pelos Estados Unidos e das condições de preço no mercado internacional.
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