Gilmar Mendes quer barrar delegados da PF em gabinetes do STF em meio à crise
Proposta será levada a Edson Fachin e prevê fim da atuação de policiais nos gabinetes dos ministros; medida surge após novos atritos envolvendo André Mendonça e a Polícia Federal
O ministro Gilmar Mendes pretende convencer o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a impedir que delegados da Polícia Federal (PF) trabalhem nos gabinetes dos ministros da Corte. A sugestão, que já havia sido apresentada pelo decano, deve ser discutida em uma reunião entre os dois magistrados. A iniciativa ocorre em meio ao aumento das tensões entre integrantes do Supremo e a cúpula da corporação.
Atualmente, quatro delegados da PF atuam diretamente em gabinetes do STF. Dois estão vinculados à equipe de André Mendonça, relator de investigações de grande repercussão política, enquanto outros dois trabalham nos gabinetes de Alexandre de Moraes e Luiz Fux. Na avaliação de Gilmar, a presença de policiais dentro da estrutura dos ministros pode aumentar o risco de novos conflitos e gerar questionamentos sobre a condução de investigações sob responsabilidade da Corte.
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A discussão ganhou força durante os atritos entre Mendonça e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. O ministro concentra processos sensíveis, incluindo investigações sobre fraudes em descontos do INSS e apurações relacionadas a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Entre elas estão o caso envolvendo o Banco Master e a investigação sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A tensão aumentou nesta semana depois que Mendonça determinou a retirada do sigilo de um relatório da PF relacionado ao caso Master, que reúne mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. Conversas divulgadas no documento fazem referências a Andrei Rodrigues e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. A direção da PF, por sua vez, demonstrou incômodo com o depoimento prestado por Vorcaro a um juiz auxiliar de Mendonça, no qual o ex-banqueiro afirmou que uma suposta proteção a um diretor da corporação teria impedido uma delação.
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