sábado, 5 de setembro de 2026
Reflexos em Goiás

Eleição em Goiás pode sentir efeitos da crise do STF

Especialistas avaliam que pauta do Supremo pode favorecer discurso da direita, mas ligação de Kassab com o caso ainda teria efeito limitado sobre Caiado e Gracinha

Bruno Goulartpor em
Mendonça e Alexandres
Ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes protagonizam crise no Supremo Tribunal Federal que mexeu com o mundo político. Foto: Luiz Silveira/STF

Bruno Goulart

A crise que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF), os pedidos de impeachment de ministros da Corte e as denúncias relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro começam a entrar no cálculo das eleições de 2026 em Goiás. O impacto, porém, deve ser diferente entre os grupos políticos. Para especialistas ouvidos pelo O HOJE, a pauta do Supremo já era usada na disputa eleitoral, especialmente pelos candidatos de direita, e o caso Vorcaro funciona como um novo elemento de uma polarização que já estava em andamento.

Segundo o cientista político Luiz Carlos Fernandes, a crise do STF deixou de ser apenas um assunto institucional e passou a fazer parte da disputa pelo Senado em Goiás. “A crise do STF já é a pauta estrutural da disputa ao Senado em Goiás, ela existe com ou sem o caso Vorcaro”, afirma. Para o especialista, a discussão ajuda a explicar o desempenho do candidato ao senado pelo PL, Gustavo Gayer, nas pesquisas e transforma parte da eleição em uma espécie de avaliação sobre a atuação do Supremo. “A eleição goiana virou, em grande parte, um plebiscito sobre o Supremo, e o PL ocupa esse terreno com clareza”, avalia.

Impeachment de ministros

Nesse cenário, a pauta do impeachment de ministros do STF tende a beneficiar principalmente quem já construiu sua campanha em torno de um discurso de oposição à Corte e às instituições vistas como parte do sistema político. Fernandes afirma que o caso Vorcaro acrescenta “combustível” à polarização, mas também cria uma situação diferente: as revelações não atingem apenas um lado do espectro político. 

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em proposta de delação que foi rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, que doações de R$ 5 milhões para as campanhas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em 2022, teriam sido parte de um acordo que envolveu o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, que nega a acusação.

Caiado

A presença de Kassab na chapa do presidenciável Ronaldo Caiado (PSD) também coloca Goiás no debate. O presidente do PSD é o vice escolhido pelo ex-governador na disputa presidencial, mas, para Fernandes, a ligação é indireta e não envolve diretamente nenhum candidato goiano. “O desgaste, portanto, é mais narrativo do que material”, afirma. 

Na avaliação do cientista político, a oposição pode tentar associar o episódio à chapa, mas a estratégia de defesa deverá ser separar a atuação política de Kassab em São Paulo do cenário eleitoral e administrativo de Goiás. O próprio Caiado afirmou nesta sexta-feira (4) defender a investigação das acusações, embora tenha ressaltado que Kassab nega qualquer irregularidade.

Para o especialista em políticas públicas e mestre em História Tiago Zancopé, no entanto, a possibilidade de o caso atingir a candidatura de Caiado ou Gracinha é ainda menor. Zancopé lembra que Kassab tem uma trajetória política concentrada em São Paulo e, na avaliação do especialista, possui pouca influência eleitoral em Goiás. 

“Kassab tem uma vida política própria em São Paulo, mas tem pouca influência em Goiás. Ele não é um player decisivo aqui no Estado”, afirma. Para Zancopé, a escolha de Kassab para vice-presidente está muito mais relacionada ao fato de o político comandar o PSD do que à capacidade de transferir votos para Goiás.

Marconi

Na avaliação do especialista, o caso pode ter mais consequência para outro nome conhecido da política goiana: o ex-governador Marconi Perillo (PSDB). A empresa ligada a Perillo recebeu R$ 14,5 milhões do Banco Master entre 2022 e 2025, segundo documentos da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado. O ex-governador afirma que os valores são referentes a serviços de consultoria prestados de forma lícita. (Especial para O HOJE)

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Alexandre de Moraes André Mendonça Goiás STF

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