Lula cobra Fachin após brigas entre ministros do STF
Pesquisa do instituto Quaest mostra, pela primeira vez na campanha, o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Lula no segundo turno
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (16/9) que o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, precisa conter os embates públicos entre os ministros da Corte. A declaração veio um dia após sessão marcada por acusações, ofensas e gritos entre os magistrados.
Em entrevista ao programa Desce a Letra Show, no YouTube, Lula disse que a sociedade não pode continuar acompanhando o que chamou de “denuncismo” entre os integrantes do STF. Para o presidente, cabe a Fachin impedir que a disputa interna interfira no processo eleitoral.
A cobrança ocorre em momento delicado para sua candidatura. Pesquisa do instituto Quaest mostra, pela primeira vez na campanha, o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Lula no segundo turno, com 42% contra 40%. A diferença está dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais.
Lula também comentou o papel de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na crise instalada na Corte. Preso em Brasília sob investigação por fraudes bilionárias, o banqueiro trocou mensagens com o ministro Alexandre de Moraes em novembro do ano passado, no mesmo dia de sua prisão em São Paulo. O episódio é o estopim da disputa entre os ministros.
O presidente chamou Vorcaro de “mafioso” que “envolveu todo mundo” e defendeu apuração completa sobre a relação do banqueiro com autoridades da Corte.
A sessão de terça-feira (15/9) deveria definir se Moraes será investigado pela troca de mensagens com Vorcaro. A votação terminou em 4 a 3 a favor de manter separados os casos de Moraes e do ministro André Mendonça, também citado na relatoria do processo do Banco Master. Fachin, Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia votaram pela separação. Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin defenderam a análise conjunta.
O ministro Flávio Dino, que inicialmente votava com o segundo grupo, pediu vista após bate-boca entre Mendonça e Gilmar Mendes. O ministro tem até 90 dias para devolver o processo ao plenário, o que deixa em aberto a sessão marcada para a próxima terça-feira (23/9), quando seria julgada a situação de Mendonça.
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