Daniel usa gestão Caiado como modelo, mas sofre cobranças do futuro da gestão
Especialista e oposição questionam estrutura, valorização dos profissionais e detalhamento das novas políticas
Bruno Goulart
O programa eleitoral de Daniel Vilela (MDB) para o Governo de Goiás no rádio e na TV aposta na continuidade do trabalho iniciado pelo ex-governador e presidenciável Ronaldo Caiado (PSD) e apresenta propostas para ampliar ações nas áreas de saúde, educação, tecnologia, segurança e desenvolvimento econômico. Com o conceito “futuro seguro”, a campanha procura associar o candidato aos resultados apresentados como conquistas da atual gestão e, ao mesmo tempo, apresentar novos projetos para um eventual próximo governo.
Na saúde, um dos principais símbolos utilizados pela campanha é o Cora, hospital destinado ao tratamento de câncer infantil. Segundo o programa eleitoral, a unidade já realizou mais de 16 mil consultas, mais de 1,6 mil cirurgias e atendeu mais de 500 crianças e adolescentes.
Além do Cora, a campanha destaca hospitais em Uruaçu, Águas Lindas, Goiânia, Luziânia e Itumbiara, além de seis policlínicas em Posse, Goianésia, Cidade de Goiás, Quirinópolis, São Luís de Montes Belos e Formosa. A regionalização aparece como um dos principais argumentos. Segundo o programa, a ampliação da estrutura permitiu aproximar consultas, exames e tratamentos dos moradores do interior, o que teria reduzido a necessidade de deslocamentos para Goiânia.
A campanha também apresenta propostas para ampliar essa estrutura. Daniel promete modernizar os hospitais de Aparecida de Goiânia, Formosa, Jaraguá, Jataí e o HDT, em Goiânia. Também prevê a construção de policlínicas em Campos Belos, Mineiros e Mozarlândia, além da oferta de tratamento de hemodiálise em todas as policlínicas do Estado.
Outra promessa é o novo Hugo, apresentado como um hospital público de urgências com 500 leitos e 20 salas de cirurgia. O programa afirma ainda que o atual prédio do Hospital de Urgências de Goiás será reformado e transformado em um novo Hospital da Mulher, com maternidade, exames e consultas.
Ouvido pelo O HOJE, o cientista político e professor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), Pedro Pietrafesa avalia que a discussão sobre a saúde precisa ir além da apresentação de novas unidades. Para Pietrafesa, é necessário entender como a estrutura estadual será articulada com os municípios e como serão administrados os recursos destinados ao setor.
“As perguntas que precisam ser feitas são: como está estruturado o atendimento à saúde no âmbito estadual, para além da questão do novo Hugo?” O cientista político também defende que seja analisada a relação entre as responsabilidades do Estado e dos municípios e a aplicação dos recursos que chegam do governo federal.
Educação
Na educação, a inteligência artificial é uma das principais apostas apresentadas por Daniel. O candidato promete levar a tecnologia para dentro das salas de aula, ampliar o ensino bilíngue para mais escolas e oferecer cursos profissionalizantes no período noturno para jovens que trabalham durante o dia. O programa também prevê levar alunos para experiências fora do Brasil.
A campanha associa as propostas aos resultados apresentados pelo governo Caiado e destaca as Escolas do Futuro. Ao avaliar o setor, a vereadora por Goiânia Professora Ludmylla (PT) reconhece os investimentos realizados na estrutura das unidades, mas faz críticas à política de valorização dos profissionais da educação.
“É importante começar falando sobre o que funcionou, valorizar o que foi bom e também apontar o que precisa melhorar”, afirma. Segundo a vereadora, o governo Caiado investiu em estrutura física, tecnologia, uniformes e outros recursos, mas os investimentos nos trabalhadores não ocorreram na mesma proporção.
Plano de carreira
Ludmylla aponta que os professores perderam mais de 50% do plano de carreira durante a gestão e que o plano aprovado pelo governo não teria recuperado as perdas acumuladas. A parlamentar também aponta falta de políticas públicas voltadas à saúde mental dos profissionais e afirma que os servidores administrativos da educação foram esquecidos.
Outro ponto levantado pela vereadora é a carga de aulas. Segundo Ludmylla, eram 28 aulas e, durante a gestão Caiado, passaram para 32. Depois de mobilização dos profissionais, chegaram a 30. “Isso gerou uma sobrecarga”, afirma. Para a vereadora, os resultados obtidos por Goiás na educação também precisam ser relacionados ao trabalho dos profissionais. “É inegável que Goiás permaneceu por muito tempo em primeiro lugar no Ideb, graças ao trabalho e ao compromisso dos profissionais da educação”, diz. (Especial para O HOJE)
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