quarta-feira, 14 de outubro de 2026
Atenção na economia

Brasileiros ainda têm R$ 5,79 bilhões para resgatar em bancos; descubra como consultar

Banco Central contabilizou os valores até agosto de 2026; consulta gratuita permite que pessoas físicas e empresas verifiquem se têm dinheiro disponível.

Renata Ferrazpor em
Brasileiros ainda têm R$ 5,79 bilhões para resgatar em bancos; descubra como consultar
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Banco Central (BC) informou nesta terça-feira (13) que ainda existem R$ 5,79 bilhões disponíveis para resgate por clientes de bancos e outras instituições financeiras. Os valores, contabilizados até agosto de 2026, podem ser consultados pelo Sistema Valores a Receber (SVR), que permite verificar se pessoas físicas, inclusive falecidas, e empresas têm dinheiro a recuperar.

Do total, R$ 4,31 bilhões pertencem a 23,94 milhões de pessoas físicas. Outros R$ 1,48 bilhão estão vinculados a 2,36 milhões de empresas. O montante representa um aumento de 2,6% em relação aos R$ 5,65 bilhões registrados no mês anterior.

Os recursos são provenientes de contas encerradas com saldo disponível, cobranças indevidas, cotas de cooperativas de crédito e valores remanescentes de grupos de consórcio, entre outras situações. A consulta é gratuita e deve ser feita exclusivamente pela plataforma oficial do Banco Central.

Bancos concentram maior parte dos recursos

Os bancos reúnem a maior parcela do dinheiro disponível, com R$ 2,46 bilhões, o equivalente a 42,4% do total. Na sequência, aparecem as administradoras de consórcios, com R$ 1,97 bilhão, e as cooperativas de crédito, que concentram R$ 805,6 milhões.

As instituições de pagamento somam R$ 369,6 milhões, enquanto as financeiras reúnem R$ 121 milhões. Corretoras e distribuidoras têm outros R$ 68 milhões disponíveis, e as demais instituições contabilizam aproximadamente R$ 5 milhões.

A maior parte dos beneficiários tem direito a quantias pequenas. Segundo os dados divulgados, 69,4% dos valores são de até R$ 10. Outros 18,95% estão na faixa entre R$ 10,01 e R$ 100. Já 9,39% correspondem a quantias entre R$ 100,01 e R$ 1 mil. Apenas 2,21% dos beneficiários têm mais de R$ 1 mil a receber.

Como consultar e solicitar o dinheiro

Para verificar se há recursos disponíveis, o interessado deve acessar o Sistema Valores a Receber, informar o CPF e a data de nascimento ou os dados da empresa e seguir as orientações apresentadas.

Caso exista dinheiro a receber, será necessário acessar o sistema com uma conta Gov.br de nível prata ou ouro, quando exigido, e consultar as informações sobre o valor e a instituição responsável pela devolução.

Quando a opção de recebimento por Pix estiver disponível, a transferência poderá ocorrer em até 12 dias úteis, conforme as condições informadas pelo sistema. Quem não tiver chave Pix deverá entrar em contato com a instituição financeira para combinar outra forma de pagamento.

No caso de pessoas falecidas, a consulta e a solicitação podem ser feitas por herdeiros, testamentários, inventariantes ou representantes legais, conforme as exigências aplicáveis. A instituição poderá solicitar documentos que comprovem o vínculo e a legitimidade do pedido.

Banco Central alerta para golpes

O BC reforça que o serviço é gratuito e não exige pagamento de intermediários para liberar os recursos. O órgão também não envia links nem entra em contato para solicitar senhas, códigos de acesso ou dados pessoais relacionados ao resgate.

A recomendação é utilizar apenas o endereço oficial e desconfiar de mensagens que prometam liberar valores mediante pagamento antecipado. Links recebidos por e-mail, SMS ou aplicativos de mensagens também devem ser verificados antes de qualquer acesso.

Recursos foram destinados a fundo do Desenrola

Parte dos valores esquecidos em instituições financeiras foi transferida, em maio de 2026, para o Fundo de Garantia de Operações (FGO), mecanismo utilizado para oferecer garantias em operações de crédito relacionadas ao programa de renegociação de dívidas Desenrola 2.0.

Cerca de R$ 5,7 bilhões foram destinados ao fundo. Segundo o governo, 10% do saldo transferido ficariam reservados para atender a eventuais pedidos de resgate dos titulares.

A operação passou a ser investigada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que analisa o uso desses recursos em programas federais e os possíveis impactos orçamentários. Apesar da transferência, os cidadãos podem consultar o sistema para verificar a existência de valores disponíveis e conhecer os procedimentos aplicáveis a cada caso.

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